sábado, 24 de enero de 2009

“O encontro de Zizzo e El Justiciero” ou “A Miséria da filosofia”


Existe uma diferença tênue mas fundamental entre o que um cabrom aparenta ser e o que realmente é. Trata-se, em essência, da profundidade de deserto percorrida pelo forasteiro.

Um mesmo homem, com a mesma aparência, as mesmas palavras na boca, o mesmo olhar, pode, dependendo da distância que percorreu no deserto, suportar ou não uma mesma pressão. Frente a frente com um coiote, pode manter o sangue frio e, com um tiro, acabar com a cena, ou fraquejar e cair feito um presunto velho.

Muitas vezes, a história de um povo, ao invés de ser decidida pela soma das forças sociais em luta, recai, por um lapso, sobre o ombro de dois, três, ou até apenas um homem. Trata-se de uma ironia da História que, repentinamente, deságua todas suas fichas numa só foz.

E se Fidel não sobrevivesse à Sierra Maestra? E se Lênin não morresse e deixasse Stalin tomar conta do Partido? Será que, sem esses personagens, a História seria a mesma? Ou será que a própria História é que gera tais individualidades e, portanto, necessariamente figuras como Fidel e Lênin teriam brotado do seio da História?

Há, nisso, uma relação dialética.

Mas, diferentemente do resto do mundo, o que é exceção lá fora, é regra aqui dentro. O destino da história de pueblo geralmente define-se por detalhes. O mísero instante no qual treme a mão do cabrom que perde o raciocínio por um segundo. O deserto não perdoa. No deserto, a relação dialética das classes sociais é substituída por duelos diretos sem intermediários.

A dialética social é transportada para a personalidade dos indivíduos. E nisso conta muito a relação entre a imagem e a essência do sujeito.

A imagem de um cabrom é sua arma e, sua arma, muda sua essência. Mas, se esta imagem não provém de uma longa caminhada solitária no deserto, é uma imagem falsa e frágil. É uma imagem que pode lhe trair quando menos esperar...BANG!

No bar de la Princesa Marguerita, geralmente, as máscaras caem... ensaguentadas, e mudam o rumo da história de pueblo.

Ouvi rumores de um velho cabrom conhecido de volta a área. Nunca o vi, só ouvi falar. Zizzo. Só conheço a imagem. As pistoleras, cuja essência conheci em uma grande macarronada que causaram por lá, apostaram na figura. Eu, que não sou pistolera, apenas masco meu tabaco em silêncio e, geralmente, com esse simples gesto estendido por dias, vejo as máscaras caírem sem mover uma palha. Zizzo, quem és tu? O deserto é de todos. De todos que sobrevivem ao deserto. Mas, até agora, só vi imagem.

Bueno, fora isso, dia desses, sob a lua fria do deserto, sonhei com as pistoleras. Após a macarronada que darramaram no bar de la Princesa Marguerita, sonhei com elas. Geralmente, não falo dessas intimidades. Na verdade, geralmente, nem sequer falo. Mas vi, sob o luar, as pistoleras celebrando livremente embriagadas noite a dentro cercadas por 20 coiotes. Situação de perigo, pistoleras! Mas, sabe-se lá por quê, os coiotes não atacaram. Era como se respeitassem algo das forasteiras... De certa forma, viam nelas, uma convergência tensa e bela de suas imagens com sua essência e, por isso, apenas olhavam. E elas, safadas, e com direito, gostavam.

Mas que se foda, foi só um sonho. A mi pueblo, ternura!

10 comentarios:

Anónimo dijo...

Excelente El Justiciero, é um prazer encontrá-lo no deserto, ou melhor, reencontrá-lo.
Fantastico texto, escreve como ninguem...
Abraços hermano!!!
Zizzo

Anónimo dijo...

as pistoleras celebrando livremente embriagadas noite a dentro cercadas por 20 coiotes. Situação de perigo, pistoleras! Mas, sabe-se lá por quê, os coiotes não atacaram. Era como se respeitassem algo das forasteiras... De certa forma, viam nelas, uma convergência tensa e bela de suas imagens com sua essência e, por isso, apenas olhavam. E elas, safadas, e com direito, gostavam.

Descreveu tudo, quando existe perigo, a gente dança e tudo se paraliza!!

Anónimo dijo...

o blog está cada dia melhor, agora composto de 4 piriguetis e duas bichonas ! muy bueno !

Mari dijo...

Não sei dizer como aconteceu. Talvez tenha sido o vento. Mas um ar de romantismo invadiu o deserto, e eu... não to conseguindo atirar, porque eu não quero matar!!! Tô querendo metralhar o mesmo ferido, por isso grito: Ayudame, porque estoy casi... no quiero decir más nada companeros!

Zrá.

Anónimo dijo...

Nao desista zermana! nao importa se atira no mesmo ferido, o que importa eh manter a arma ativa siempre! zra zra zra

Anónimo dijo...

zizzo, tamo em casa. agora sei sua origem.
Mas o outro anônimo ae tá feio, não tem a manha de mostrar a cara...

Anónimo dijo...

ZRÁ ZRÁ!!!

O deserto é de todos. De todos que sobrevivem ao deserto!!

É Justiciero, acha que são todos os homens que são homens de verdade para assinarrrr?

ZRÁ ZRÁ ZRÁ

Anónimo dijo...

Justiciero, tamo junto, desde os primordios...

Em relacao ao anonimo, diria que nao assina pois sua mulher encontra-se mto baleada, atiraram mto nela!!!

E nos tiros que a acertaram, encontraram nossa marca!!!

Anónimo dijo...

Cabrones, los amo como siempre! Muy bueno encontralos a ca! Besos en las bunditas gordas!
Zermana

Anónimo dijo...

ahahahahahhahahahaahahahahahhahahahaahahahahahhahahahaahahahahahhahahahaahahahahahhahahahaahahahahahhahahahaahahahahahhahahahaahahahahahhahahahaahahahahahhahahahaahahahahahhahahahaahahahahahhahahaha