lunes, 27 de julio de 2009

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El Justiciero engole seco mais uma vez. De olhos fechados agradece ao roteirista pela Argentina e pela vida. Abraça Zezão a agradece.

Saem caminhando com as espingardas empossadas entre as mãos e os ombros, segurando as rédeas dos cavalos nas outras, observando o sol - fogo e vida - que calmamente se apresenta e saúda-os com um “bom dia” calmo e grandioso. Zezão equilibra sobre os pezinhos entortados pra dentro a força de uma mulher dona do marido, da casa e das armas e a tranqüilidade de uma assassina objetiva e fiel aos companheiros. El justiciero absorve o primeiro dia do resto da sua vida...

Recorda-se, adocicado pelos restos de bolacha Bueno entre os dentes e aquela acidez alcoólica que sempre lhe confundia o pensamento ao mesmo tempo em que dava-lhe objetividade e coragem, de frases pretensiosas como “homem que fala de si na terceira pessoa, histórico invejável, conquistas incalculáveis, profundidade oceânica eticeteras vezes mil” e as contrapõe às cenas quase-fatais que acabara de viver. Tinha aprendido uma lição. Subira alto demais: entitulara-se tão forte, que arriscou colocar nas mãos de um qualquer uma arma e pretensiosamente gritar “Atire!” – como nos bons filmes de bang-bang. Mas, aprendera, esse fundo mundo seco e roído não é apenas um filme. É mais. É o cenário dos desejos das vidas de muitos outros. E, como ele mesmo havia declamado despretensiosamente, tratava-se de um deserto aberto para todos. E a arma não caiu nas mãos de um roteirista qualquer. Mas, pior, mesmo se tivesse caído, aprendeu que qualquer um pode tornar-se um grande atirador, se assim desejar. Foi pretensioso demais. Subjulgou os homens de El pueblo.

- Hoje a noite terá uma festa boa.
- É mesmo? O que pega hoje?
- Depois de 9 anos, Zraide volta para o deserto!

Por sorte, a arma caiu nas mãos de alguém com uma alma profunda, que soube, além de angular bem a mira e os cortes, fazer El justiciero cair de joelhos e sentir-se uma mísera formiga na história de El pueblo para, então, adocicar sua morte. Por piedade? Bondade? Não! Por grandezaa de espírito. Teve sorte.

- Não imagino como esteja Zraide.
- Mesmo estilão.
- Pago para ver.

El justiciero é bom para falar dos outros, do mundo, de política, de poesia, grandificar a vida, o significado dos fatos, dar-lhes história, mas não sabe falar de si mesmo. Enrola-se com as palavras. Sabe reagir ao mundo, mas não a si mesmo. Precisa dos outros, mas, antes, encara-os para dominar-lhes o movimento. O deserto faz isso com as pessoas. Tornam-se produtos do meio social e físico em que vivem. São homens fortes e de caráter, mas vivem em um deserto profundamente solitário...

- Deve estar com sede.
- dos infernos.
- Você caiu na mais velha das armadilhas...
- Sou tão vulnerável como qualquer cabron aqui.
- Mas é metidinho à besta.
- Não sou eu que sou. É o deserto que pede que eu seja...
- besteira sua.
- Besteira ou não, não espere que eu mude. Mesmo abalado, tenho um nome a zelar nesse tiroteio.

Encapou o chapéu. Zezão seguiu reta sem dúvidas, como sempre. El Justiciero deixou o sol engrandecer-se sobre El Pueblo, que já aparecia no horizonte.
- Lindo dia, não.

- Como sempre, Justiciero. Como sempre...

Qualquer palavra a mais seria destituída de sentido. A história de El Pueblo estava mais uma vez, como sempre esteve, aberta aos novos forasteiros. Mas, mais uma vez, como sempre, para aqueles que a encarassem de frente.

domingo, 26 de julio de 2009

La muerte del Justiciero ??? (Parte II)

a dois quilômetros dali, no meio do deserto, distante de nada, parou em pé:- vamos logo com isso, RO-TEI-RISTA! – ecoou...

Sem sinal nenhum, sentou no meio da estrada. Abriu um pacote de bolachas Bueno de chocolate e comeu, uma por uma. Depois de 7 bolachas mastigadas, a papa, o seco, a sede. Tentou enganar a mente e fingiu se interessar pelos cactos. Não resistiu e comeu a oitava bolacha, engoliu com muito esforço e rezou por um copo d’água.

Pausa! Como disse mesmo El Justiciero, o roteirista era medíocre. E se ele era medíocre, el justiciero pode morrer até mesmo engasgado com as bolachas ruins de chocolate e secas. Pode morrer também de sede. Pode morrer atropelado, estuprado, assassinado. Pode até cair de mau jeito de seu cavalo e quebrar o pescoço e não ter a sorte de ficar tetraplégico.

Mas (sempre tem um mas) a recém pistolera era mais medíocre que o roteirista. Tinha muito mais sangue em seus olhos e tinha em suas veias a vingança fluindo. Ela tinha sede, quase a mesma sede del justiciero. O roteirista lava suas mãos, porque afinal el justiciero é ameaçado por sua e única falha no tiroteio da redação. Não exterminou direito e ainda coloca a culpa no roteirista. Ora bolas Justiciero! Vamos logo com isso. Aceitou tão rápido a morte que nem se justificou em querer matar a pistolera antes. Ficou ali, quieto esperando a morte chegar. Não lutou e nem matou direito. Mas que coisa mais previsível, que coisa mais sem graça. E agora fica ai sentado, pensando na vida, comendo bolachas de chocolate como se fosse a última vez. Se entregou tão rápido, saiu até del pueblo. Saiu sem se despedir.

A Vingança chegava ao som de tango. Melancólico, forte, raiva, choro. Essa é a sua trilha sonora, el justiciero. Nem trio Los Panchos estavam ali para te salvar dessa melancolia cantada ao bom e velho sotaque de nuestros hermanos. A dança estava preste a começar.

A noite nasce ali, bem ali, no horizonte da estrada em que el justiciero decidia se comia ou não a última bolacha do pacote.

- Se eu comer a última, eu não caso. – falou alto el justiciero.

Silêncio do deserto.

- E também pra que eu gostaria de casar???? – berra ele ao universo.

O vento assopra.

- Vuelve, como se vuelve siempre el amor, vulevo a vos con mi deseo, con mi temor, con un destino del corazón, como los aires de pueblo. Canta ela.

El justiciero chora desesperadamente ao ouvir ela cantando Carlos Gardel. Se levanta, joga o pacote de bolachas para o lado e se entrega aos braços daquela mulher. E juntos, dançam o último tango de sua vida ao nascer da lua cheia. A sombra no chão, as coxas que se entrelaçam, o amor, o respeito, o desejo. O tango tira el justiciero por alguns instantes do alvo. Com a rosa na boca, el justiciero se apaixona por aqueles novos olhos. E se convence que aquela seria a sua última troca de tiros antes de sua morte. Sorriu, agradeceu até o roteirista. Já que já ia morrer mesmo, ainda ganhou essa boiada com uma argentina, dançarina de tango, e gostosa. Recarrega suas armas, baila sozinho pela estrada, volta, pega no braço da mulher:

- Como te llamas, mujer de mi corazón?
- Venganza!
- Que rico! Quieres bailar conmigo esta noche?
- Y tu que? Creas que venir hasta aqui hacer outra cosa?
El Justiciero entregou-se a vingança, sem ao menos perceber, que era ela, a pistolera recém-nascida naquele fajuto tiroteio. Se entregou ao tango como um pato. Devia ter comido a última bolacha.

Sob a Lua Cheia, fizeram fumaças, trocaram os calores dos corpos, degustaram as novas peles que jamais seriam tocadas novamente. O beijo, o cheiro, o suor. Todos os últimos. El justiciero estava deitado pelado sob a estrada. Estava exausto, satisfeito e feliz. El Justiciero estava entregue. Além de tudo, estava apaixonado pela dançarina de tango. Pensava que se lutasse contra a sua morte, poderia viver muito bem longe do deserto ao lado de sua nova amada. Ouvindo tangos todos os dias, e amando como nunca amou. Tolo! Não desconfiou em nenhum segundo, que sua nova paixão era a morte em sua fuça. E ela, justiciero, não vai te matar com pistolas e armas. Muito menos com granadas. Ela é muito mais esperta, não quer chamar atenção, não que nem lutar com você. Até porque, aos poucos ela também sentia um amor por você. Mas ela se chama venganza, estava com muita raiva e esperava você dormir em seu colo, para aplicar uma injeção em seu braço.

Que morte mais tranqüila, mais ingênua, e sem sangue. E lá vai... el justiciero apoiando a cabeça no colo da venganza, ela fazendo cafuné e el justiciero preferindo esperar a morte para o próximo dia, já que o roteirista demora uma eternidade para acabar logo com essa história. O que haveria de tão ruim dormir um pouquinho no colo de sua amada e acordar só amanhã e amar mais uma vez la venganza? Ele adormece feliz. E la Vengaza gargalha alto, mas muito alto, tão alto que até as estrelas escutaram a vingança saindo de seu corpo e virando realidade. A injeção numa mão e o braço del justiciero em outra.....

Um único tiro. Certeiro. Atravessou o cérebro. Ele não acordou. Mesmo com tanto sangue em seu rosto. O amor tinha acabado ali. Jamais dançariam tango. Jamais se amariam embaixo da Lua Cheia. Era o fim de um amor. Bem mexicano. O roteirista decidiu. Ia ser mais fácil assim. Já que não lutou mesmo pela sua vida, já que nem estava ai. Já que só achava defeitos no deserto, resolveu colocar pilha na Zezão para decidir tudo aquilo ali.

Explico a cena do crime. El Justiciero dorme deitado sob a estrada e com a cabeça apoiada no colo da dançarina Argentina. No momento em que a Venganza daria a injeção no el justiciero, Zezão surge emputecida e atira pelas costas no cérebro de Vengaza. O corpo cae sob el justiciero e o suja de sangue. Ele, sei lá porque, acorda depois de 30 segundos:

- Eu morri?
- Não! Deveria. Mas te salvei.
- De quem?
- Da Vingança!
- Era ela?
- Eu não sei, seu filho da puta. Fiquei sabendo lá no pueblo que você estava com uma mulher que ninguém conhecia aqui na estrada.
- Mas quem me viu?
- Não importa. Importa que casamos no mês de junho com o pacto que você teria 10 homens e eu teria 10 mulheres. E vc mesmo assim, já foi pular a cerca?
- Mas achei que ia morrer, Zezão. Foi assim... apaixonante!
- Mais uma palavra, e eu mudo de idéia e te mato!

El Justiciero engole seco mais uma vez. De olhos fechados agradece ao roteirista pela Argentina e pela vida. Abraça Zezão a agradece.

- Vamos embora logo. Hoje a noite terá uma festa boa.
- É mesmo? O que pega hoje?
- Depois de 9 anos, Zraide volta para o deserto!

viernes, 17 de julio de 2009

La muerte de El Justiciero? (Parte 1)

na noite desta quarta-feira, às vespas ásperas esperas e pêras desta ávida mole melada trágica noite azul, fui profética e pateticamente informado sobre a minha irremediável e desejada por muitos morte. frente à carta – se é que tinha status para ser chamada de “carta” – conservei meu silêncio. num dia qualquer, vi-me defronte a um futuro vazio.

- por quê, pergunta o protagonista do filmeco americano, esse tipo de anúncio que muda completamente a ordem natural das coisas, que fode tudo numa só tacada, acontece sempre em uma situação corriqueira, como durante as compras no supermercado, tomando café da manhã, ou abrindo o email, ou preparando um bauru? engoli seca a dramaticidade bíblica à anuncio do anjo gabriel à virgem maria através um mísero recadinho de guarda-napo no bar princesa de la margueritta. os roteiristas modernos adoram essas tragédias meio despretensiosas que, atormentando os arrastados cidadãos cotidianos, entretêm o flácido público nas poltroninhas aveludadas.

el justicero, homem que fala de si na terceira pessoa, histórico invejável, conquistas incalculáveis, profundidade oceânica eticeteras vezes mil, viu-se, pela primeira e, provavelmente, última vez nas mãos de um(a) roteirista medíocre que resolvera, assim como quem escolhe o número do lanche num fast-food, decidir qual seria a data e hora para matá-lo. é impressionante como o ser-humano pode trocar 80 anos de dignidade por uma trepadinha com a garçonete antes de chegar a comida. as coisas giram giram e sempre caem com a manteiga pra baixo...

como de praxe, o agora entricheirado homem tetra-trincado terrácida vermelha afundo entornou mais algumas tequilas e postou-se idêntico. desceu garganta abaixo o destino mórbido a que sua biografia estava destinada. o homem, meus filhos, é maior que deus. e a mass media, maior que os sonhos humanos. inverte-se a ordem. modern times. el justiciero, que nunca teve que tratar com essa gente moderninha, de repente, era uma dançarina de bikini num programa de auditório. o mataram em troca de audiência. e pouca audiência... recostou e passou a conduzir-se num raciocínio retórico eletrônico retorcido acerca das prováveis probabilidades para aquele quebra-cabeça sem encaixe. e, logo, tão logo logou as peças, viu: andava meio sumido... pronto. estava sendo assassinado porque estava meio por fora, meio de lado, meio esquecido, meio sem público, meio a-político.

nessas horas, um homem só tem um rumo imediato. afundou-se encharcado nos entornos solitários do pequeno vaso de doses contadas da maldita e foi-se indo longe e vago rumo à resolução de si mesmo sem muito saber porquê, mas como quem crê que detém os motivos de seu próprio fracasso, arquiteto de sua própria forca. ele era homem que assume sempre, de peito exposto, até o que não fez. e foi o que fez. assumiu, antes de todos, sua morte.

ajeitou-se num sofá encardido nos fundos do bar, sob aquele ar acumulado naquele caixote de madeira velha e podre para por o bolor do cérebro em coma enquanto assistia àquela tv de 14 polegadas policolor. acompanhou um filme americano, que, como um bom filme americano, sempre acaba com um negro perseguindo ou sendo perseguido por um branco, um deles, policial, e, após 2h de investigação sobre as origens da droga ou do dinheiro, saem explosivos nova iorque afora. el justiciero, se fosse americano, seria negro, e, mais que isso, seria como o cara na tela: denzel washington. mas tudo isso é passado. agora, el justiciero era mais um barrigudo no fundo do boteco...

acordou com camisa presa embaixo do braço, aquela sede dos infernos, acendeu um cigarro de palha, nem fechou a camisa, falou um “oi” meio rosnado, encapou o chapéu, empurrou a portinha, encarou o sol, saiu pela rua, foi observando as pessoas, quase não pensou que eram seus últimos minutos, e se foi. a dois quilômetros dali, no meio do deserto, distante de nada, parou em pé:

- vamos logo com isso, RO-TEI-RISTA! – ecoou...

viernes, 3 de julio de 2009

Essa Liberdade eh pra Nos!

A grande e insaciavel expectativa de novos e encalecedores caminhos a serem tomados nao deixa pistoleras dormirem com as cabecas nos travesseiros! Deixa dormi-las com as cabecas deliciosamente deitadas sobre os peitos dos pistolados ensanguentados!
Vontade essa que soh se ve passar quando concretizada!!! Entao sempre nos aproxima de efetua-los de forma mais do que perfeita, como tambem gralmurosa!!!
A sede pela vinganca ou pela nova conquista jamais passa. Pode ficar no maximo adormecida! Mas com um leve cutucao, se desperta fortemente! E nos da a ambicao pelo gosto quente do sangue em nossos labios!
Olha la... ja esta ela por despertar gritantemente em alguem que andava escutando seus suspiros de sono ha um bom tempo...

jueves, 2 de julio de 2009

O significado de liberdade Parte II

Restou apenas uma, justiciero. Apenas uma menina, quase mulher, de corpo feito e mente em processo de construção. Abaixou-se rapidamente quando ouviu o primeiro disparo das 350 balas. E sobrou, intacta, esticada sobre o chão. Por alguns minutos ela tinha certeza que tinha morrido. A respiração só voltou depois de 10 minutos engasgados com o próprio choro. Chorou mais 30 minutos quando reparou que só tinha sobrado ela na redação. Não era a hora de morrer? Era uma enviada de Deus? Teve sorte por um segundo? Ou será que el justiciero teria ficado com dó dela? Talvez ele não queria matá-la... talvez ela sabia de tudo desde do principio, talvez ela fosse uma compañera...daquelas mulheres que freqüentam o deserto, mais conhecidas como pistoleras.

Levantou-se, enxugou suas lágrimas, caminhou pelos corpos e chorou mais uma vez. Engoliu seco e deitou sob os corpos. Num ato carinhoso de adeus, lambeu o sangue de todos os mortos. O gosto amargo e quente grudou em sua própria boca. Juntou saliva e engoliu....sentiu prazer. Jurou vingança!

Comprou no meio da estrada (Redação – Pueblo) a melhor e a mais moderna arma. 700 tiros por minuto. Deixou quase suas roupas íntimas como forma de pagamento. Sentada já em seu cavalo apenas de calcinha e sutiã, lembrou do que tinha esquecido. Esqueceu do teste da nova arma. Voltou à loja. Testou durante 3 minutos na testa do vendedor. Aproveitou então para testá-la num ângulo de 360 graus. A loja foi ao chão. Pegou sua roupa, se vestiu e subiu no cavalo. E sumiu ao pôr do sol na estrada sentido pueblo. Só que ela não sabia que o vento vinha em sua direção contrária. E ninguém do pueblo sabia, que naquele fim de dia, esse vento passaria por lá.

A morte del Justiciero estava pré-destinada, só ele que ainda não sabia e comemorava sua grande atuação num bar de esquina com alguns velhos marinheiros.

martes, 30 de junio de 2009

o significado de liberdade




todo homem que governa, o faz consciente de seu poder. um homem que detém poder, sabe até onde sua influencia pode alterar a realidade, mover outros homens, alterar resultados. um povo, geralmente pela baixa agudeza de sua imaginação, aceita o modo de governo porque não vê outro modo ao seu alcance. às vezes, no entanto, QUER outro modo de vida, mas, mesmo o visualizando a um palmo de si, não consegue alcança-lo. vê, mas não enxerga os meios pelos quais pode detê-lo. então, o que faz? contenta-se. por quê? porque não quer viver uma frustação.

o que vale mais: reconhecer seus limites e privar-se de uma frustação, que pode lhe custar a alegria fácil, ou arriscar conhecer os limites da própria força e conviver com a frustação de saber que há certas coisas na vida que simplesmente não foram feitas para si?

o mais abusrdo desta abstração teorico-politica-revolucionária é constatar a olhos nus que geralmente quem governa não é o segundo tipo - o herói, o corajoso - mas o primeiro - o covarde, cético, mediocre. muitas vezes a diferença entre a mediocridade de um governante e de seu povo resume-se às formalidades que o primeiro executa e, às quais o segundo, dobra a espinha e presta condolências.

grandes mestres da governança não são necessariamente grandes estrategistas militares ou políticos, mas, frequentemente, homens que sabem executar as condolências com um sorriso no rosto e com a cara lavada de quem não fez nada para estar lá - (um bom ministro da economia ajuda). São homens que sabem fazer a pose de "escolhidos".

um outro tipo, que exibe a mesma expressão de satisfação e tranquilidade perante a governança de seu povo, mas com maior tranquilidade ainda, é aquele que, no passado, estava do outro lado - do lado do povo - e auto-legitima-se como representante da maioria.

toda essa complexidade semiótica e política foi lavada ralo abaixo com um simples mecanismo óbvio, pragmático e matemático, inventado pelos gregos, reinttroduzido violentamente pelos franceses mas otimizado pelos fundadores do pragmatismo: os estados unidos da américa. essa palavra que define esse deslocamento das paixões políticas ganhou o nome de governo do povo - democracia.

a palavra, no entanto, que é digerida pelo mundo com a mesma facilidade com que se respira, acarreta, ao mesmo tempo, um mecanismo simples e aparentemente mais-perfeito-impossível - eleições diretas - e um pulo do gato problemático para a história.

em el pueblo, não existia nenhuma dessas modernidades matemáticas e tal palavra não seria tão facilmente digerida pelo seu magros habitantes. o povo, como já foi explicitado nos infinitos capítulos desta tragédia sem dono, resolve-se por si - sem governantes. alguns são injustiçados e outros andam em belos cavalos dizendo e desdizendo que atiram por aí à vontade... mas, em nenhum momento, a história é travada por um só cenro de poder. em nenhum momento, um só homem rouba toda a atenção com suas execuções de formalidades. o deserto está permanentemente aberto e livre. eis o charme deste fundo mundo moído.

liberdade, aqui, tem OUTRO significado.

certa vez, um forasteiro cá de nossas terras - sujeito áspero e intragável, mas de mesma linguagem - fora inebriado por um homem moderno, carregado de dados, para a ilha fora deste mundo sem fim - pueblo. acreditou que, lá, na democracia, onde o trabalho é livre e bem pago, onde a informação corre solta, onde os carros correm mais que os cavalos, onde a luuz chega com um botão, tornaria-se mais astuto e, principalmente, que conseguiria melhores armas. e se foi, ele e o homem que se chamava de "el periodista".

o mundo da razão era, parafrasendo o poeta, o avesso do avesso do avesso. e narciso, sujeito áspero e intragável, acha feio o que não é espelho... não gostou de nada, mas prepotente de si, afastando seu instinto por um novo, que achava que lhe renderia mais vitórias, engoliu seco aquela cloaca-cola e focou-se na busca pela sua nova e moderna arma.

acostumado a carregar a pistola a cada novo tiro, deparou-se com um automática - 350 tiros por minuto. aquilo podia exterminar uma vila em menos de um minuto!, pensou. parou assustado. não entendeu. para que alguém iria querer exterminar um povo inteiro em um minuto?! lhe pareceu um salta maior que as pernas. enraiveceu-se. mas segurou a raiva e levou a pistola. deixou todas as suas riquezas com os vendedores, que se chamavam "coxas".

saiu esquisitão, meio maio às avessas, desconfiado das coisas que piscavam feito bundas dançantes. o periodista, turista em sua própria terra, homem sem raízes, sem alma, sem drama, homem de dados e valores, puxou papo. - legal, né? estranho, estranho... estavam armando para ele, pensou. seguiu quieto.

quando adentrou no currau de trabalho do periodista, viu luzes nas paredes, pessoas sentadas em quadrados virando o rosto com cara de leve espanto e total desaprovação. não gostou. mas as mesmas caras que lhe olharam com desaprovação, na hora de cumprimentarem, abriram um sorriso. sismou. isso é armação... é armação.

tirou a automática do bolso, e como um cachorro que mija para marcar território, demarcou seu espaço. não fez por prazer. não fez por fazer. fez por instinto. desceu as escadas, pegou seu cavalo, jogou fora a automática e foi-se.

pq? ninguém nunca entendeu. até hoje, qualquer boato de seu paredeiro, é notícia bombástica de jornal.

lunes, 29 de junio de 2009

Eu vi e ouvi!!

E agora conto para vocês:
O casamento del El Justiciero e Zezão

jueves, 11 de junio de 2009

Sim, a gente voltou. Quero ver alguém nos parar...

Depois de tanta poeira, ventou. E choveu. Já consegue imaginar? Encontrei Zarcas no Pueblo Santo Augusto. Na esquerda, depois da direita, uma porta quase verde: um zub! Daqueles velhos e bom zub. Nada de pistoleros, nada de cavaleiros, nada de forasteros, apenas zringos, zringos e zringos. Fazia tanto tempo que não saia para um crime acompanhada de minha madrinha, que quase me perdi. Desnorteada com a grande opção de alvos, entrei no Zudio carregando todas as minhas armas. Quem foi que chamou essa quantidade de pistoleros???? Zráaaaaaaaaa! Ao lado do bar, fingindo apenas que prestava mais atenção na cantora de cabaret, el doctor. Joder, tio! El doctor! Asi... se fue. Escapou de minhas mãos, de minha mira, perdi novamente. Madrinha me olha com um ar de reprovação e segundos depois:
- Você demora demais, Zari.
Tudo bem. Passou. Voltamos a procurar mais alvos, mais crimes, mais sangue e ...... escudos. Sim, eram necessários alguns escudos para nos proteger de tantos tiros pelo ar. Um tiroteio a bajo de una luna llena.
A noite cortada ao meio. Hora de voltar para casa, mas onde estava Faísca?
Onde estão as imagens desse blog?

Aviso aos navegantes.....

Isso foi so uma cosquinha...... Zarcas is back on the game more than ever... Waiting for all of you!!!

miércoles, 10 de junio de 2009

Aviso aos navegantes desse mundo... Parte II e talvez, a última. Se o vento deixar, claro.

Prezados,
Gostaria de comunicar que me falta um pouco de inspiração, por isso, não esperem, por favor. É! Acho melhor mesmo, avisar logo no começo. Assim, o leitor não ficará frustrado quando chegar ao final do texto. Melhor mesmo, é o leitor indo assim, lendo, sem achar nada interessante. Apesar das notícias serem impactantes. Lembre-se: A informação vem até você; conhecimento você vai atrás. Estava escrito num jornal. Aqueles antigos, que ainda circula por aqui. Bem longe de onde vocês estão. Então é o seguinte: Justiciero, por onde andas? Posso saber? Já faz falta por aqui. E isso meu caro, já faz um bucado de tempo. Papo reto. Sem nada muito portunhol, sem muito sangue e sem muito crime. Faz falta! Assim, como Zizzo. Que foi pistolar em outro deserto e nunca mais deu o ar da graça, nem mesmo escreveu uma carta. Esqueceu de compartilhar seus tiroteios e avisar de terras novas. Zovo, mudou-se de pueblo. É o que dizem. Jamais voltou a virar tequilas pelas ruas e tão pouco tocou seu bongo com o Trio Los Panchos. Zelguis partiu para uma nova musicalidade, algo parecido com o samba, aquele som que vem do Brasil. Zotta com Zé de Pano ninguém mais viu. Ultimamente, aparecem para disputar uma partida de sinuca Ziwinky, Zocci e Zitão. Zezão ainda toma conta dos cavalos, Zarcas continua reinando, Zali decindo em qual alvo atirar, Zari bolando planos, mas nas nuvens. A mais nova - ainda pequena para atuar - apenas acompanha e observa. Incrível, anota tudo. Zermana está longe, mas sempre manda cartas contando as novidades. O deserto mesmo parecendo morto -até sem moscas - e quase sem cactos, cresce. Outro dia, surgiu bem lentamente em seu cavalo Ziltão, o pistolero antigo de nosso pueblo, Zraide. Permaneceu poucos dias, mas prometeu voltar, de vez. Recebi alguns telegramas, no qual avisa, que outro voltarão de mares distantes. E nesse vai e vão, o silêncio. Não chove, não venta, o que é pior, e estranho num determinado ponto de vista. Se não chove e não venta, onde estão as moscas? Nem elas. Isso daqui, caros, precisa de um sal. Um tempero, que lembre um pouco um bom e velho molho de tomate. Nada que atinga as pistoleras, mas que seja derramado por elas e por sua trupe. Que os cenários voltem a ter areias, bebidas, ar, supsense, amor, paixão; que os personagens voltem a dizer qualquer coisa a qualquer hora em quaqlquer rua do velho pueblo.
Voltem!
Tijuana, 10 de junio de 2009
Zari

martes, 9 de junio de 2009

A Vida Te Põe no Lugar Sempre de Algum Jeito

Um belo dia amanheceu e pequenos raios de sol acariciaram meus olhos. Quando os abri, senti uma leve brisa se aproximando. É a famosa sede por novas realidades chegando. A clareza chegou antes dela: saber que o passado tem suas raizes exaltantes, porem ja finito, que dias ha pouco passados tem suas enaltecedoras conquistas e avancos, e que novos dias serão descobertos e ainda nao sei como!
Percebi que o que chegará mesmo está por me iluminar a mente, mas a certeza do que nao é ja noto logo.
Vi que a decisao de muito está presente, como tudo do que me afastei e do que eu visei proximidade. Só a alegria pode entao estar mais do que dentro de mim, como sobrando de mim e cativando qualquer situacao. Desafios surgem na cabeca e muito me atraem. A possibilidade do passado diferente parece ser muito boa, mas de possibilidade à certeza nao parece que chegará rapidamente. Entao a certeza do novo ja vivido versus o mais novo a descobrir vivenciando loucamente como inovador, é o mais poderoso e pesado. Desse jeito, a disputa entre um antes modificado e um novo diferenciado nao será muito justa, tendo o segundo melhores oferendas.
Foi quando me dei conta que tentei engolir um momento que ja havia muito bem digerido e que de presente nada mais tem. E que minha mente tem novos desejos e novos passos que levam ao nunca alcancado e que sempre surpreende. Solidao jamais me cercou, mesmo com esses pensamentos. Inigualaveis estarão sempre por perto, parecidos estarão em grandes chances por ali tambem, e novos serão conhecidos.
A fumaca que sai da pistola ainda quente, porem esfriando, é o sinal mais evidente de que ali há uma morte que muito diz e deixa o fim de algo que antes só parecia estar acabando, mas já está acabado.
O mais evidente foi a delicadez do aflorecer de uma semente desabercebida semeada dentro de mim. Parece que seria algo distante, mas cada vez mais visto a forca que conquista. O muito que domina o pensamento passou a nao ser unico, porque se verificou que ali cabe muito mais a se cultivar, e ate mesmo uma eventual tristeza que ainda nao tenho, e espero que não tenha tão cedo, sombra de tentar se aproximar.
Aquilo tudo é a vida! Me trouxe a perceber o lugar em que estou, os poderes de decisoes, os efeitos que me alcancam, as possibilidades novas, e os novos proximos!
Achei a paixao: pela vida, pela felicidade, pela conquista, pelo avanco, pela melhora, pela inovacao e pelo outro. O outro pode ser o matado morto ou matado morrido, o pistolado e sobrevivente instigativo ou sobrevivente e nao compreensivel, e ate mesmo que tenta se esconder mas pode ser descoberto.
Eh onde a vida te põe: com todas as chances que voce e ela tem, fica claro o melhor lugar e eh pra la q voce vai! E vai muito gostando, nada criticando e o novo conquistando!!!
Que seja muito bem vivido!!!

lunes, 8 de junio de 2009

Qdo vc descobre que so existe um Zap....

Qdo para de ventar no deserto por muito tempo eh ate mais perigoso do que quando venta demais. A falta da adrenalina que a cavalgada em direcao a uma batalha nos causa chega a ser insuportavel. Olho para o lado e nao vejo nenhuma delas. Fecho os olhos e tento sentir mais uma vez a sensacao de que alguma coisa iria acontecer...nada. Mas Zentania estava la ao meu lado e naquele momento talvez tivesse sido melhor que nao estivesse. Uma carta eh entregue em minhas maos e movida pela loucura que aquela calmaria estava me causando fui em busca do Pueblo que acreditava ser minha unica saida. Uma Pistolera escreve sua historia, uma Pistolera nao espera um convite para invadir um Pueblo, mas uma Pistolera tem que respeitar o deserto para que esse nunca vire-se contra ela. Naquele momento regras que nao existiam foram quebradas, cartas jogadas fora foram recolhidas e a ilusao de um encontro de almas inexistentes me atiraram a uma armadilha. Talvez o deserto as vezes torne-se muito seco, talvez as vezes o vento pare de soprar e talvez as companheiras as vezes separem-se para conquistar Pueblos diferentes.... Mas quando voce cai em uma armadilha no deserto, em uma ironia do destino ou em uma jogada arriscada.... eh bom que voce saiba..... O unico Zap que existe......eh voce!!!

lunes, 25 de mayo de 2009

El hambre

Num dia sem vento, a calma persiste. Peço algumas doses para o novo e velho pistolero do pueblo Bendito, ele sorri, depois do meu sorriso. Não atirei. Queria fingir que era meiga. Entre olhares e apostas com as outras pistoleras, um recado: Papi está perto do pueblo. Abandono o local de uma possível batalha e vou ao encontro de Papi. Ele reclama da ausência de minha madrinha, eu concordo plenamente. Saudade de um velho e bom tiroteio ao lado de Zarcas. Planos, planos e planos. Papi se despede. Em bando invadem o pueblo mais próximo. Dava até para escutar os tiros. Retorno a casa. Está vazia. Na janela nem el justiciero. Nem o cigarro no cinzeiro. Conto os dias para a festa na casa del señor Zara Jevo. Saravá!
ass: Zari

miércoles, 20 de mayo de 2009

O preparo para atuar

- Zari, o que está fazendo com tantas pistolas na mão? - pergunta Zezão
- Estou de fato imitando minha Madrinha, deixando-as limpas e lindas!
- Hum... Tudo isso para invadirmos o 300? - pergunta ela novamente.
- Também, mas antes isso, para testar amanhã seu novo cavalo. - respondo
- Zrááááááá!
- Até porque pistolera que é pistolera atira, não pede para ser atirada!

Ass: Zari

martes, 19 de mayo de 2009

Acabando com a Saga Sem Fim!!!

(Continuando...)
Agora tvz seria seu fim entao...
Nao havia mais como lutar contra certas coisas da vida...
Nesse ultimo mes de minha vida, metade sem saber da realidade, e ha poucos dias lembrando de coisas de um mes atras, q era minha memoria mais recente, tudo se confundia com meu dia a dia!
Colocar coisas em ordem ficaram dificeis pra ausencia de raciocinio em maioria, o que clariava minha mente pra possibilidades de decisoes novas!
A verdade eh q nao queria ter que tomar uma decisao ainda, mesmo vendo a possibilidade dela chegar! Afinal nao decidir coisas ainda eh mais facil em minha situacao! E retomar minha vida do jeito que ela tinha sido tbm me era mais agradavel!
Mas nao sabia exatamente o que deveria fazer!
Mesmo assim, palavras surgiram em minha mente com seus usuais significados que tvz nao mais me faziam sentido! Akelas certas palavras q me confundem inteiramente e agora nao mais sabia se faziam parte de mim ou soh de minha confusao! Queria dar sentido pra elas se tivessem ou entao retoma-las como normais apesar de me sentir menosprezada por elas!
Se chega um momento desses que apenas dificulta muitas coisas e me faz desejar meu passado de pouco tempo passado, ainda nao sei se o que quero eh o passado de mto tempo atras!
Quando novas coisas e coisas antigas dificultam todas as decisoes, prefiro deixar o recente tempo esclarecer aos poucos minha mente e soh entao eu tomar decisoes efetivas, mesmo q envolvam ou nao atitudes q me menosprezam! Porque podem parecer que menosprezam quando nao fazem isso ou entao podem vir direto do q jamais menosprezou!
Talvez entao, claramente ficou que nada de por fim a Saga Sem Fim!
Primeiro porque agora tvz fosse nova fase da saga sem fim (o qual fim nao eh necessario), ou talvez porque a velha Saga sem fim eh pra sempre bem vinda!
Sera o que sera entao, deixando o tempo tomar conta de minhas decisoes...
Acaba-se com a historia da Saga Sem Fim, porem eh uma saga que assim permanece!

lunes, 18 de mayo de 2009

O próximo plano

Voltamos ao Kill Bill. A cena é uma só. Num quarto de hospital, uma mulher branca com cabelos loiros deitada sobre uma cama. Calmamente ela abre um dos olhos. Ela ainda não sabe no momento, mas ela voltou. Voltou mentalizando em mexer o dedão do pé e depois de muito esforço, mexeu. E assim foi. Levada para casa, as pessoas ainda suspeitavam. Numa tarde de domingo, amigos sentam em uma mesa e jogam poker. Depois de duas horas, a garota branca com cabelos loiros, rapa todo o dinheiro apostado. Se existe alguém com alguma suspeita, supostamente não está na sala. Está pelas ruas cheia de areia. O pueblo ficou quase um mês parado. As pistoleras estavam de luto. As pessoas trancadas dentro de suas próprias casas, viam o vento forte correndo pelas ruas. Jamais ventou assim no deserto. Não era um furacão, mas era um vento forte durante os dias e as noites. O vento varreu mais uma vez qualquer situação desnecessária, protegendo e poupando qualquer missão das pistoleras. Zali mantém e impõe respeito em qualquer lugar que esteja. As pistoleras reunidas em casa junto com El Justiciero, Zarcus e Zizzo escutam o próximo plano de Zezão:
- Próximo passo é invadir o filme 300! Um homem para cada dia e repete os 65 melhores!
As pistoleras gargalham e brindam com suas taças de vinho.
Be continue....
Ass: Zizinhaaaaaaa

Zra! Zra zra zra! Zra zra zra!!!

Lustrando as pistolas em pueblos jamais explorados!!!
(Continua....)

miércoles, 13 de mayo de 2009

Welcome Back my Baby!!!!!

A Pistolera ferida, seu corpo deitado no chao. Nao por um tiro, nao por um coyote, mas sim pela unica coisa que pode derrubar uma de nos... a forca maior. Naquele momento o deserto parou!!!!
Essa forca maior que atingiu Zali nao sabia com quem ela estava mexendo, ou sabia.... Mas Zali desde o primeiro segundo lutou. Lutou como nenhumade nos jamais havia lutado deixando qualquer um que pensasse em enfrenta-la algum dia se tremendo de medo.
Estamos acostumadas a controlar nosso destino, nada acontece se não permitimos... mas agora as redias estavam soltas e o destino nesse momento não cabia a nos escreve-lo.
Pela primeira vez uma Pistolera caiu, pela primeira vez a dor ecoou por todo deserto e em nossos coracoes.
Saímos do Pueblo e fomos em busca do Pueblo de São Luiz. Um Pueblo que ajudava os feridos, mas so aqueles que eram fortes o suficiente para chegar ate la, e Zali era, e Zali eh!!!!!
Ali entrei prometendo a mim mesma que so sairia de la com ela. Por um momento pensei em prometer enterrar minhas pistolas, mas sabia que isso seria a ultima coisa que ela esperava de mim. Então disfarçadamente entrei com as minhas pistolas providas de silenciador.
Foram dias amargurantes, dias que mudaram minha vida, meu destino. O cansaco tomou conta de meu corpo e minha cabeça....Mas as energias positivas de todas as outras Pistoleras, de todos que sabiam a importância de Zali, e a presença do inseparável companheiro Zumba não me deixaram desistir.......
Obrigada a todos e principalmente obrigada Zali por voltar para nos....Te amo irmã!

domingo, 10 de mayo de 2009

ressurgindo das zinzas....

heis q uma estiradinha pra uma quase morte ressurge das zinzas e esta de volta!!!! qm sabe pra historias de verdades...??? e qdo vcs vem aki pra casa me visitar?? espero vcs com ansia na garganta??? saudade de todas.... mta saudade.... bjokas pra todas e qm sabe mais fofocas pela frente....??? bjos pra tods!!!!

viernes, 17 de abril de 2009

chupa essa manga!

10 e 7 sao 17
com mais 7, 24
poe mais 7, 31!
tenho 3 pistolados
mas nao peno por nenhum!

miércoles, 15 de abril de 2009

Whisky sem gelo

Depois de 10 doses de whisky com guaraná, me debruço no balcão. Eu não quero sentar e muito menos alguém para me carregar. Qualquer coisa eu grito Zaisca e ele vem correndo. Com a visão um pouco distorcida, aparece só uma pessoa na minha frente: Zela. E o que ela faria aqui, se já não pertence mais ao deserto? Antes de terminar a pergunta, ela me responde:
- Pudim de leite!
- Como?
- Vernissage!
- Hoje?
- Fiquei com vontade!
- Na vernissage?
- De pudim de leite!
Volto a me debruçar no balcão. Estoy borracha para escuchar alguna cosa. De olhos fechados, escuto passos cada vez mais perto de mim. A mão é colocada em meu ombro e ele sussurra em meus ouvidos:
- Amor de mi vida ....
Um tiro e o corpo do ferido segura fortemente no meu. Com seu peso e com minha embrieguez, caimos os dois no chão. Não tenho forças para abrir meus olhos e as únicas coisas que sabia até então era:
* Eu não estava armada!
* O bar estava fechado!

miércoles, 8 de abril de 2009

A Saga Sem Fim

Continuará ou será seu fim?
Por quanto tempo é possível arrastar sentimentos pela areia do deserto?
Por quanto tempo tempestades de areia, que deveriam cobrir tudo, vão continuar mostrando feridas e ressucitando desejos escondidos?
Quem serão os mortos?
Quem serão os feridos?
Uma pulga atrás da orelha tira o meu sono...
Ao mesmo tempo que enterrei um passado esclarecido, desenterrei um presente mal resolvido!
Um fantasma me persegue... Ganancioso Graal!
Sua ganância me consome e seu sossego não me sossega! Sonhos inquietantes...
Num lapso de razão surge a resposta... Ossanto Omem!
Traz a paz e a alegria! A angústia fica para trás! Um relance de felicidade e de esperança de que há um mundo desconhecido em frente aos meus olhos, logo ali, abrindo a janela e deixando o vento entrar!
Ovento... Quero esse novo mundo! Quero essa nova vida!
Curar as feridas de um tiroteio que teimo em entrar...
O que será então?
(continua)

sábado, 4 de abril de 2009

"A tragédia de El Pueblo - Parte V" ou "A morte das Pistoleras"




- Suas vagabundas.
- ...
Dom Sebastian caminha lento sob o sol raspando a sola no chão. Segura o chapéu, olha relógio, 16h30. Observa seus soldados entrarem no boteco vazio ao lado e sentarem. A cidade, vazia, cheia de corpos mortos, observa calmamente o início do fim da tarde. 204 assassinatos. O calor invadia os ambientes internos e acelerava a decomposição dos corpos. Um cheiro de comida podre desafiava o estômago dos homens. Na cabeça deles, não passava nada. Tomavam café como mercenários após o trabalho concluído. Aguardavam, sem alma, a recompensa em forma de cargos no novo governo de Dom Sebastian.

Junto com os soldados, o povo, foragido de si mesmo, ao longe, ciente do banquete amargo, preparava-se para ser governado por Dom Sebastian. Trocavam informações e aflições sobre ao que seria que estariam destinados. O assassinato das Pistoleras tinha significado claro para El Pueblo. Toda a cena tinha sido montada para uma única coisa: deixar claro para aquela gente magra quem mandava agora naquelas terras. E a mensagem foi transmitida. O capitão de arestas precisas e frias fincara-se naquela areia sem fim para sempre. Seus filhos e os filhos de seus filhos conduziriam a história de El Pueblo por algumas décadas. De agora em diante, este blog fica em suspenso. Ou acabará. Mesmo que alguém poste algo após este ocorrido, será destituído de significado, de força real, de convencimento. Até um novo herói aparecer, a poesia deste povo estará hibernando. Assim como comida, um povo um povo come poesia. Sem arte, um povo não persiste, não existe. A cultura come signos, almoça poesia. Sem o universo fantástico, El Pueblo deixa de ser El Pueblo a partir de agora. Passa a se chamar “Novo Governo Democrático de Chiapas”. Com a morte das míticas meninas, ninguém é capaz de reverter o domínio de Dom Sebastian. Com as Pistoleras, El Pueblo despede-se de qualquer esperança. O chão seca de açúcar e não mais florescerá algo que não seja banana e cana para exportação.

Dom Sebastian, o homem, o rei, o vitorioso, o centro de todas as forças políticas, o monopólio econômico, digeria uma gordurosa sensação de satisfação. Evitava olhar a comida desperdiçada, os corpos espalhados, mas, quando o fazia, deliciava-se forçosamente com o clímax de violência e poder que instaurara. Trata-se de uma sensação de poder vertiginosa que, apesar de sobre-humana, não alterava sua fisionomia, rude e elevada.

Mas aquele denso odor pulsante insistia em adentrar sua consciência e ele se sentiu mal. Sob um sol pesado, vomitou repentinamente no meio da rua. Um pouco daquele suco vistoso caiu sobre o corpo de uma pistolera e respingou na calça de seu terno. Pegou um lenço e limpou a calça, e abaixado, observou o rosto travado de olhos abertos uma pistolera a meio metro de distância. Quis sentir desprezo, mas a cena macabra lhe assustou levemente. Pareceu-lhe um fantasma. Teve a sensação que aquele corpo poderia retornar à vida repentinamente e olhar em seus olhos ou pegar na sua perna. Afastou-se com dois passou para trás sem tirar os olhos da pistolera. Aquela cena atormentou sua auto-confiança e fez aquele homem sentir-se ilhado em sua própria pretensão. Ficou desconfiado. Por segurança, apoiou a mão na sua arma que estava presa na cintura. Estava ofegante. A luz do dia fraquejou, escureceu sua visão, sentiu-se tonto. Aquele corpo sujo de sangue e vômito estava lhe encarando de olhos abertos. Ele não conseguia suportar aquela cena, mas ficou com medo de virar as costas àquela pistolera. É como se ela fosse levantar-se e mata-lo pelas costas, como ele havia feito. A tragédia que cometera estava calmamente descansando na tarde, aguardando o sol descer e aliviar o calor. Aqueles corpos desfrutavam de uma paz que ele não tinha. Aqueles mortos tinham algo que ele não tinha. Ao mandar para os infernos aquelas pessoas, mandara, com elas, sua tranqüilidade e sua paz. Sentiu raiva dos corpos. Quis matá-los de novo. Queria sair atirando em todos. Certificar de que estavam mortos. Despejar sua raiva por não ter a paz que eles tinham. O) antídoto para sua loucura era mais loucura. Estou ficando louco, pensou. Procura focar-se, percebe a vertigem e tenta centrar-se. Lentamente, vira as costas para voltar ao bar. Mas, estranhamente, quando começa a andar, ouve, bem baixinho, um voz que diz “filha da puta!”. Não era possível! Para e presta atenção. A voz cessa. Mas ele tem medo de virar-se. Convence-se que está louco e que estava ouvindo besteiras. Apavorado, retorma os passos em direção ao bar quando, repentinamente, a voz retorna “Filha da Puta!”. Ele reage como um louco, assustado, como quem entra feito um suicida no meio do fogo cruzado de um tiroteio, mas, nesse caso, a rua estava simplesmente vazia e silenciosa, o tiroteio já tinha ocorrido e ele parecia um louco. Saiu atirando nos corpos errantemente aos gritos. Ta, ta, ta. Findam-se as balas. 6 tiros. Ele volta o olhar para o olho de Zarcas, ensangüentada e vomitada. Pá. O olho dela estava direcionado exatamente ao dele! Ele estranha. Tenta lembrar se aqueles olhos estavam voltados àquela mesma direção de antes. Sente que ela, morta, está lhe olhando. Começa a se aproximar dela e, de repente, ela vira o olhar e se atira sobre uma arma, enquanto ele, lutando contra um fantasma, atira na pistolera, mas em vão. Estava sem balas. Isso dá tempo para Zarcas pegar a arma e, antes que ele entrasse foragido no bar, acerta um único tiro na parte de trás da cabeça de Dom Sebastian, que, 5 minutos após ser o homem mais poderoso e rico de El Pueblo, cai feito presunto na entrada do bar e derruba consigo um belo terno e o que seria o “Novo Governo Democrático de Chiapas”.

Os soldados saem à rua e vêem o corpo de Dom Sebastian à bolonhesa. Olham rapidamente para a rua para encontrar o responsável pelo assassinato e, pronto, mais 4 mortos. Zarcas levanta-se cambaleante, acode as amigas atrizes, e, enquanto as outras se levantam da farsa, ela passa pela porta do bar não sem antes mandar um recado para o corpo morto de Dom Sebastian. “Nojento!”.

Entra no bar fedorento e prepara um café quente. Zizinha, Zali e Zezão entram no bar ajeitando os cabelos e tirando a poeira da roupa e dos decotes.

- 205 mortos.
- 204 coiotes e um pilantra, corrige Zali.
- Cigarro?
- Taí.
- Justiceiro, Zizzo?
- Prenderam uns soldados. Tão com eles no outro bar.
- Chama eles.
- Agora não, to com preguiça.
- Beleza, então.
- O povo já foi avisado que deu tudo certo?
- O povo sabia que tudo daria certo desde antes porque com as Pistoleras o tiro nunca sai pela culatra.

viernes, 3 de abril de 2009

A Última Chuva de Purpurina

Intervalos de consciência e inconsciência passavam por mim, em meio aquela cena da Tragédia de El Pueblo, que mais parecia a luta entre a noiva e os 88 loucos, de Kill Bill.
Lembrei-me da primeira chuva de purpurina que vi no deserto... Estávamos sobre a cúpula da Igreja, El Pueblo já estava adormecido e a turma dos gatos pingados estava reunida. Vagalumes desenhavam números no Sky negro. Cada gota que caia era como um Diamond reluzente. E Zucy estava lá.
Outra vez, quando na Zarena, o teto se abriu sobre nós! Quando a chuva começou, Zarolina tocava e Zary-ann segurava minha mão para que eu não tivesse medo. A leveza que essa chuva trouxe para nossas almas fazia com que todos estapassem em seus rostos um sorriso mais puro que o de uma criança!
Mais uma vez, no Zarnaillon, e as partículas desenhavam barcos no horizonte! Estávamos no mar!!!
Da última vez, não podia ser mais perfeito! Foi no Zurras e lá estavam todos: Zoker, Ziodazais, Zequipecarro, Zack e Zahia. Lembramos de antigas companheiras perdidas em batalhas passadas: Zlá, Zerols e Zreacones. Uma a uma se foram...
Seria aquela a última vez que veria os anjos chorarem purpurina?
O sangue em minha boca salgava minha lingua...

jueves, 2 de abril de 2009

De Zarcas para El Justicero.....

Uma mulher deitada no chão sem quase uma gota de sangue em seu corpo....tendo a única imagem presente.... suas companheiras de deserto.... isso mesmo...no ultimo suspiro, ultima lembraca, ultimo sorriso possível em sua face...eram elas que estavam ali... Sim muitos amores existiram, muitas esperanças, muitas expectativas.....Porém não inocentes...mas sim convictas que se não fosse assim...que não fosse! Essa Pistolera nasceu sabendo que era diferente....Muitas antes delas apareceram, mas não sei porque nessa década elas resolveram desaparecer. Necessidade de se encaixar? I don't think so!!!!! Quem sou eu p julgar.? El Justicero... teu texto ainda não li. O que eu sei eh que vc pertence a outra época... não essa....Teu texto,o final não li, agora não importa. No momento testo meus sentimentos, porque nesse momento não me conheço por inteiro....never did and I think I will never do... A essa galera maravilhosa que me fez sobreviver a essa selva de pedra de maneira suave.....Zari, Zotta, Zruno, Zovo, Zezao, Zetta, Ze, Zoberta, Zoca, Zitor, mas repito a hundred times Zari Zari Zari.... Se nao fosse tu nega.... I Love you so fucking much!!!!!!!!! Eu não sou a Zizia....Eu sou uma menina que olha para vcs e espera que vcs nuuuuunca se esqueçam do que vcs tem agora!!!!!! Doidos amor vai e vem.... nada igual a amizade que vcs compartilham. Pelo amor de Deus não deixem isso ir embora. Agora vcs podem achar que não vai.... mas all of a sudden it is gone!!!! Love you all so fucking much!!!!
Zizia
El Justicero se esse for meu fim que essas sejam minhas ultimas palavras....

miércoles, 1 de abril de 2009

Enquanto a morte nao vem...

... demora a chegar!
e cada segundo parece uma eternidade!
a cada minuto, milhoes de lembrancas vagam em minha mente.
bilhoes de desejos reprimidos.
trilhoes de desejos conquistados.
uma ideia se fortalece cada vez mais e tenta recuperar seu espaco perdido!
uma pa...
uma terra fofa, ha pouco mexida...
um odor fetido...
um anseio por uma ultima oportunidade:
a chance de um ultimo tiro certeiro que me tiraria dessa vida de pistolera!!!
em meio ao sangue derramado, pensamentos contraditorios invadem a cabeca das 4 pistoleras estiradas, abandonadas...
o anseio pela salvacao versus o abandono de uma vida ainda por viver!
o asco pela putrefacao junto as suas vitimas versus a prisao insossa junto aos nunca pistolados!
seria o fim ou seria o comeco?
seria a dor ou seria a felicidade?
seria o crime ou seria o perdao?
seria o amor ou seria a vinganca?
engasguei com o sangue em minha garganta, recobrando lentamente a consciencia....

"Canto para minha morte"

Vou te encontrar vestida de cetim pois em qualquer lugar esperas soh por mim
e no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e nao desejo mas tenho que encontrar
vem, mas demore a chegar, eu te detesto e amo morte morte morte que talvez
seja o segredo dessa vida
morte morte morte que talvez SEJA O SEGREDO DESSA VIDA!!!!

Enquanto a morte se aproxima III

Deitada sobre a areia, sangrando as únicas gotas de sangue que tinham ainda no meu corpo e mentalizando para as moscas sairem de minhas feridas, minha mente apagou. Voltou ao passado. De minha vida fez-se um filme. Lembrei do meu primeiro pássaro morto e papai batendo palmas para mim. Depois a primeira vaca morta e mais uma vez, papai batendo palmas para mim. O primeiro enterro de minha vítima e meu pai, outra vez, batendo palmas para mim. Ouvi novamente suas palavras, seus conselhos, suas ordens. Vi faisca ainda bebe. Minha mamis apareceu me dando o primeiro girassol. Relembrei de minhas viagens por diversos continentes e revi a minha volta ao pueblo. O reencontro das companeras, a minha saida da igreja após enterrar o que devia ser enterrado. Senti o cheiro de minha liberdade de volta e minha felicidade batendo na porta. Papi ficaria orgulhoso de ver essa batalha única, vitoriosa, porém chegamos ao fim. Onde estaria faisca? Nem Trio Los Panchos tocaria sequer uma musica para meu fim? A mente volta e meus olhos alcancam a esperança...

Enquanto a morte se aproxima II.

Enfraquecida pela falta de sangue em seu corpo realmente acreditava que haveria de ventar....Entre lembranças que se misturavam naquele momento com visões a imagem daquele inesquecível dia vinha a tona. Naquela selva ao mesmo tempo instigante e perigosa aquela ninha inocente de galochas amarillas, gafas rojas e chapeu de cawboy dava o seu primeiro tiro de pistola.... Instruída pelo seu mentor, pelo homem que a criou, dono de uma forca inigualável e com uma determinação para vencer que deixava qualquer um com inveja....seu pai!!!! Mas a luz do dia pouco pouco diminuía e as lembranças mais uma vez se afastavam.....

Enquanto a morte se aproxima...

pensando em suspiros cada vez mais intervalados....
"meu fim esta proximo! a pistolera de outrora ex-pistolera e de outrora recem-pistolera no apice de sua jornada sanguinaria entre o omem ganancioso e ossanto graal, onde gastava omel deprezando, eh pistolera de agora, envolta num molho pre-pronto de espaghetti com atum e um toque especial de queijo ralado..."

A Tragédia del Pueblo Parte IV


Uma luta assim tinha mesmo que ficar para história. Com um ar de maneirismo – uma mania de Michelangelo – o deserto guardava surpresas para las pistoleras. E nada mais perfeito do que uma emboscada começar no bar de La Princesa de la Margarita. E não tinha como desconfiar. Reparem leitor, Dom Sebatian tinha pensando em tudo. O pueblo já vazio, sem nenhuma alma viva, contava apenas com seus 200 homens disfarçados de garçons, comerciantes, bancários, mulheres e forasteros. As pistoleras nem desconfiaram quando chegaram no pueblo, andavam pela rua principal como se fosse um dia normal. Até entraram no bar e fizeram o ritual de sempre. Zizinha e Zarcas desafiaram uma dupla de forasteros na mesa de bilhar, Zali e Zezão encostaram-se na barra e viraram 7 doses de tequila. Não percebiam nenhuma das quatro, que o bar já estava mais cheio e que eles se aproximavam rapidamente. Quando elas perceberam alguma reação estranha, as quatro já estavam rendidas com armas nas cabeças. Uma a uma ia sendo revistada pelos piratas ordinários que recolhiam todas as pistolas, armas e até as facas. Em segundos, as mulheres lendárias do deserto estavam desarmadas ao redor de 70 homens fortes e suados, dispostos a acabarem com suas vidas e com o tal do blog. Até que Zizinha os convencem que seria mais justo e digno, uma luta sem armas, apenas no mano a mano. Mesmo que tivesse 70 homens para 4 mulheres, mesmo que seria tão rápido quanto, esse era o último desejo de uma aprendiz pistolera prestes a morrer em sua terra vivida. Os marujos caíram na risada e aderiram a ideia, viraram doses inúmeras de whisky e dançaram uma dança típica de pirata.

O molho pré pronto de tomate estava quase derramado no espaguete, só que dessa vez, o molho tinha um sabor suave de atum. E não se esqueçam do queijo ralado. Mas macarrão com molho de peixe não combina com queijo ralado, certo? Errado! Gosto não se discute. E para você leitor, que não está entendendo quase nada, eu explico. Entre Piratas do Caribe e Kill Bill existe Matrix. E as pistoleras sabiam muito bem disso.

Os 70 piratas deixaram todas as armas no chão da entrada do bar. Juan Pietro foi o primeiro pirata morto pelas pistoleras. Ele se levantou, bateu no peito - queria ser o primeiro a tentar matar uma pistolera - e mordeu a orelha de Zali. Num ato tão grosseiro, as três se levantaram e começaram a jogar mesas, cadeiras, bancos, garrafas em cima de todos os homens que estavam no bar. A confusão se instala, a porradaria predomina e o show começava. As pistoleras voavam, paralisavam no ar e terminavam com um golpe de Zráááá. Os marujos se surpreendiam que a cada golpe, um homem morto. José Marcondes saiu do bar atrás dos 130 homens e se deu conta que as armas deixadas por eles na porta do bar, tinham sumido. José conseguiu levar mais 70 homens para o bar. Chegaram atirando, mas as pistoleras também tinham armas, e muitas. Zezão tinha recolhidos todas as armas dos marujos. Tiroteio em série. O molho pré pronto de tomate estava derramado. Ainda faltavam 60 homens.

Após quatro horas seguidas de luta, as quatro param e se olham. Estavam suadas, cansadas, exaustas e o bar, além de destruído, com 140 corpos espalhados. Elas recolhem as melhores armas, saem do bar e assobiam para seus cavalos. Mas os cavalos não vêm. Mais um assobio e ao invés de cavalos, uma chuva de granadas. Las pistoleras voam longe, caem, sangram e mais um tiroteio contra os 60 últimos homens daquele pueblo. A poeira sobe, Trio Los Panchos não tocam e muito menos aparecem, cabelos arrancados, sangue espalhado, todos mortos, corpos no chão da esquerda para a direita: Zali, Zizinha, Zezão e Zarcas. As quatro não respiram. Permanecem ali, fáceis para qualquer inimigo acabar num segundo com a vida das lendárias pistoleras. A última esperança da boca de Zarcas para suas compañeras:

“Abram os olhos, reconheçam, há de ventar”...

domingo, 29 de marzo de 2009

A tragédia de El Pueblo – Parte III




Àqueles que vêm se contorcendo para acompanhar este épico-espaguete, assusta a simples idéia de um tragédia com nossas vitoriosas protagonistas. Mas, leitores, se a verba para nossa superprodução fosse maior, se nossos estúdios fossem alguns desertos acima, em Hollywood, lhes garantiria: o final seria feliz. Mas como nem a riqueza nem a moral reinam por aqui, não podemos lhes garantir que um cowboy do espaço chegue ao som de alguma trilha encorajadora e salve o povo. Este cowboy não existe. A terra, aqui, é seca demais. O destino de El Pueblo e das pistoleras está entregue às mãos do caso...

Para não perderem o fio a meada, o que ocorreu foi o seguinte: O rico e esperto Dom Sebastian de além-mar aportou nas terras de El Pueblo com o objetivo de dominar o povo e torná-lo escravo. Sob a retórica de um vida moderna e alicerçado de 200 homens armados, em duas semanas, estava morando no centro de El Pueblo e já fazia politicagens com os mais ricos da região e preparava algo semelhante a um Golpe de Estado, (embora, antes dele, o Estado só fosse algo de papel, uma vez que El Pueblo era regido pela lei de Talião, “Dente por dente, olho por olho”). Dom Sebastian já havia envolvido El Pueblo em suas garras e já tinha força para dominar a região. Faltava-lhe a consolidação política de seu poder. Mas, se desse um Golpe repentinamente, sem motivos aparentes, o Golpe faria transparecer sua má-intenção de dominar o povo e poderia gerar uma revolta sangrenta de todo o povo. Melhor seria forjar uma desculpa, uma batalha com poderosos da região e, após a vitória, tomar o Governo com a retórica de que, após a batalha, manteria a paz e o progresso na região. Um golpe perfeito. Dom Sebastian precisava, portanto, de um “pretexto” para dar seu golpe. Uma desculpa. As Pistoleras traduziram-se em uma isca.

Quando nossas heroínas chegaram de volta à vila, perceberam a densidade seca do ar e bem que se preparam para um confronto. Dom Sebastian montou uma falsa cena de assalto, que as fez intervirem, e imediatamente inaugurou um tiroteio com 200 homens atacando as heroínas. A macarronada desencadeada foi praticamente encharcada de molho ácido de tomate e se tornou intragável. Afogou a massa em tinta vermelha. Neste momento, as Pistoleras estão quase afogadas em sangue de molho pré-pronto e, sem elas, a palavra “esperança” fica destituída de significado para El Pueblo.

Mas, apesar de sua impressionante capacidade para prever os movimentos alheios, Dom Sebastian peca pelo excesso de auto-confiança. Seu maior inimigo, sem saber, não estava armado do lado oposto da rua, mas dentro de si, na sua prepotência. Ao preparar uma emboscada tão traiçoeira para as Pistoleras, conseguiu reduzir suas esperanças a zero, mas, ao mesmo tempo, gerou tal raiva em seus sangues ácidos, tal indignação, que, não fosse tão orgulhoso, deveria, ele mesmo, ter voltado à cena do crime para, olhando em seus olhos raivosos e desesperados, dar o tiro de misericórdia e acabar com a cena, com o deserto, com o blog e com a história. Mas Dom Sebastian não sujaria suas mãos com tempero tão grosseiro. Achou mais “poético” deixá-las se decompondo com insetos e mosquitos que se alimentavam lentamente das feridas das Pistoleras. Em breve, coiotes viriam apenas comer a carne ainda morna que, quase sem vida, enrolava-se na areia como um rocambole à milanesa.

Onde estavam El Justiciero, Zizzo, Trio Los Panchos, Boa Samaritana e os outros? Mortos? Se esqueceram delas?

A morte contava seus lentos e dolorosos segundos para triunfar.

Continua...

A Tragédia del Pueblo Parte II



A poeira desce. No chão de areia quase vermelha de tanto sangue derramado, corpos enfileirados. Não são os coyotes mortos e muito menos las mascaradas sujas. Dessa vez estão las pistoleras ensanguentadas, feridas e quase mortas. No chão, da esquerda para a direita: Zali, Zizinha, Zezão e Zarcas. As quatro nem respiram. Permanecem ali, fáceis para qualquer inimigo acabar num segundo com a vida das lendárias pistoleras. Nem El Justiciero e nem Zizzo estavam por perto. Nem mesmo Zaya, Zentania, Faísca e Zumba estavam ali para salvá-las. Depois de um lendário e único tiroteio na rua principal, o pueblo inteiro fugiu. Todos abandonaram o velho pueblo com medo. Deixaram as casas abertas, os comércios sem donos e a cidade vazia. Não tinha ninguém para lutar por el pueblo, para honrar o passado. As pistoleras lutaram e defenderam o sangue. Por mais que pudesse ser a última batalha, a última gota de sangue, o último post. Que fosse o último...

Eram 200 forasteros americanos, nenhum a cavalo. Esqueçam Kill Bill, porque o que aconteceu naquele tiroteio foi exatamente Matrix...

jueves, 26 de marzo de 2009

Quando a vida pede truco!!!!

Quando passeava pelo deserto naquela noite nada nem o vento me avisou do que estava prestes a acontecer. Sai com duas das mais novas pistolas que adquiri no meu ultimo encontro com El Justiceiro....sabia que iria usa-las, porem, nao sabia que um simples tiro provocaria a primeira avalanche vista ate entao no deserto. Chamei esse fenomeno de Zarzov afinal so havia uma explicacao para tal acontecimento....e naquele momento o deserto tremeu.
Olhei para os lados para ver se Zari e Zezao tambem haviam sentido, mas embaladas pelo Trio Los Panchos seguiram dancando e celebrando.
Parti a procura dele, mas ele tinha sumido sem deixar rastros. Parti esperando o vento soprar mais forte como o de costume...pq para o vento eu estava pronta, mas nao foi ele que chegou...
As pistoleras tambem sao boas com as cartas.....mas um Zap no deserto eh praticamente tao impossivel quanto a avalanche....mas ele existe e quando chega agente sabe.
Com o casal maior na mao em qualquer lugar do mundo aquela jogada seria perfeita...mas nao naquele Pueblo naquele momento..... Com a vinda da avalanche o Zap foi arremessado antes do jogo acabar. Eu olhei p o infinito e vi aquela fumaca branca se aproximando se aproximando.....
Meus olhos se fecharam e a respiracao parou................
(To be continued)

A tragédia de El Pueblo - Parte I


A barbárie é o estado de coisas no qual a irracionalidade toma conta da organização social e põe frente a frente homens anônimos.

Há, porém, dois tipos de barbárie. Uma arcaica, bruta e direta, e outra mais sofisticada, revestida com o véu ideológico da democracia moderna. Na primeira, não há contradições, mas conflitos diretos e claros, à luz do dia, na rua principal, olhos nos olhos, e, cada qual, com apenas uma arma. Há miséria, mas há justiça. O povo e sua barbárie se organizam pela soma desses conflitos. Não há mistério quanto às forças políticas. Na segunda, os conflitos são velados e se estendem anos a fio, obscurecidos por formas institucionais e burocráticas. E conflitos assim estabelecidos, sem resolução, estancados na história, pela sua permanência, ganham um status maior. A esta característica moderna, dá-se o nome de contradição social.

A vila de El Pueblo está, neste estágio de sua história, com um pé no passado e outro dando o seu primeiro passo no presente. Se, há menos de 50 anos, El Pueblo vivia conflitos armados diretos por terra, mulheres, armas e vinganças, hoje, começa a desfocar esse espectro e se formar um novo paradigma, mais velado e desfocado. Uma nova casta ameaça entrar pacificamente na vida comum de forma a violentar este povo com a aparência mágica de normalidade.

Se a vida no passado era ruim, agora, sem que o saibam, será pior ainda. Mesmo com as promessas de fim da fome, distribuição de terras e emprego, anuncia-se a formação de uma nova classe social que ocupará o topo da cadeia alimentar social de El Pueblo.

Para ocupar tal trono, esta nova classe sabe que tem que alternar a melhoria de vida de El Pueblo e, ao mesmo tempo, extorqui-la da forma mais sutil e astuta possível. Trata-se de um plano sagaz. Se tal plano falhar, a nova classe pode ser barbaramente deposta, ao estilo antigo.
Pois bem, ninguém sai de seu trono macio e respeitado do outro lado do mundo para vir a essas terras roídas arriscar sua carne a troco de banana. Ou sairiam?

Esta classe, novos coiotes, não vieram explorar tecnologia de ponta, nem indústria pesada, mas agricultura e, como sempre, trabalho barato. Seu lucro, neste caso, provém da forma mais clássica, embora moderna, de enriquecimento: escravidão, vide trabalho não pago, vide extração do que Marcus chamou de mais-valia.

El Pueblo, porém, não é burro, e, ao menor sinal de desconfiança, acaba com a festa dos pretendentes a novos navegantes. E os novos coiotes que vêm armados de muito dinheiro não querem ter uma bala de espingarda descendo goela abaixo sob um sol ácido de 40 graus. Para isso, leitores, existe o pulo do gato, existe o véu, a retórica sedutora de uma vida moderna.
Dom Sebastiam é um homem de bigodes apreciador de poesia e música clássica, conhecedor de história, amante de mulheres lindas, excelente comandante e orador. Nas suas narinas, passa um ar levemente temperado e ácido, mas inebriante, que eleva sua mente a pretensões quase divinas. Sua ambição é quase do tamanho de sua astúcia, o que não impede que, com um pouco de sorte ou fraqueza alheia, esta astúcia conduza-o às suas pretenções.

Ao chegar em El Pueblo, com as piores intenções e acompanhado de 200 homens organizados, armados e fiéis, deparou-se com um povo silencioso e de pretensões tão rasas quanto as raízes do solo. Só de chegar, já sentiu-se dono do lugar e passou a comprar casas e se achegar aos um pouco mais afortunados da região. Quase que naturalmente começou a tomar aquele povo de longo passado sem derramar uma única gota de sangue, apenas com a coerção que aqueles 200 homens exerciam. Mas a história tem lá seus saltos repentinos...

Cerca de duas semanas após sua acomodação no local, por acaso, nossas heroínas, sempre provindas de alguma aventura fantástica, aportaram seus cavalos e, ao colocar os pés na areia rasa, estancaram o movimento e, lentamente, sentindo o novo ar mais pesado, aplainaram suas atenções para algo novo, embora desconhecido. Se entreolharam como quem confirma o ineditismo do clímax e, astutas, fingindo serem quaisquer anônimas, adentraram andando naturalmente no meio da quase desértica rua principal de El Pueblo observando velhos nas sacadas e crianças brincando em duplas sentadinhas nos cantos, sem perder a atenção à estreiteza que a situação parecia anunciar.

Espontâneas e astutas, elas sempre estavam preparadas para se impressionarem com algo novo sem perder a precisão objetiva de suas mentes e mãos. Mas, como vimos, este encontro não se traduziria em um conflito comum, mas em um encontro de águas anunciado há 500 anos e cuja conseqüência deslocaria o eixo histórico daquele fundo mundo seco de gente, carne e galhos. Elas, bem sabemos, não sabiam disso. Não conheciam a profundidade história do conflito que as aguardava naquele futuro imediato daqui a poucos segundos. Embora astutas, elas não haviam desenvolvido tamanha perspicácia unicamente porque nunca haviam confrontado um inimigo que sabia não se apresentar como inimigo. Um inimigo que cuja astúcia estava em saber fazer-se desfocar frente uma arma clássica, arcaica e direta. Um inimigo que, na sua modernidade, sabia desmanchar-se no ar.

Sob uma câmera alta sobre a rua principal, as 4 ou 5 caminham feito presas sob sol quente cidadela adentro rumo a um confronto entre o passado e o futuro. O inimigo soube montar um cenário de luta no qual, uma vez iniciado o tiroteio bárbaro, poderia simplesmente dissipar-se, ausentar-se da luta, para, depois, findado o dilúvio, mortos os inimigos, retornar ao campo de batalha e recolher os corpos, as carteiras e o dinheiro e sentar-se no trono, como um rei clássico, e celebrar, sozinho, dono de tudo, o triunfo da modernidade bárbara. Uma tragédia estava anunciada.

Continua...

miércoles, 25 de marzo de 2009

AMSTERBAM: a histórica terra proibida

Ao escutar o último coiote uivando na última noite de lua crescente, sabia que o dia que estava apontando prometia... Um daqueles dias em que o frio na minha barriga por sede de vingança me fazia acordar mais cedo.
“Só um gole d´água de um cacto e já basta!” – Já me sentia revigorada, depois de longos dias caçando na seca do deserto, mesmo sabendo que as energias nunca eram suficientes para suportar as duras batalhas de uma noite de lua cheia!
Porém, todos sabem: uma pistolera nunca desiste! Mesma que tenha que vender a alma ao diabo, mesmo que arrisque sua vida!
Subitamente, uma idéia louca me veio à mente: ir em busca das terras nunca antes adentradas pelas minhas companheiras de batalha. Montei em Zumbá e parti rumo à terra proibida, onde os fracos não têm vez e onde o risco é maior do que o que se pode ganhar com ele.
Cavalguei por horas sob um sol escaldante que me fazia perder a razão, porém nunca o desejo adormecido que me motivava!
Quando finalmente o sol se escondia atrás de montes de areia, avistei aquele pueblo tão temido, que de forma nunca antes vista, festejava. Festejava o fim dos dias da dor, que para eles estava por vir.
Amarrei Zumbá ainda longe de meu destino, para que seus relinchos não despertassem suspeitas. Uma calça preta cobria minhas pernas do frio noturno, longas botas me protegiam de cobras indesejadas que um dia mataram minha fome por serem a única opção, e uma capa encapuzada acobertava minha face para que meus inimigos não me reconhecessem.
Achei que a alegria e o calor de suas celebrações, na escuridão da noite, me deixariam passar desapercebida. Amargo engano, ocasionado pela cegueira de uma mulher que não via o perigo, apenas via e focava sua nova conquista, a conquista da terra histórica!
Entretanto, rapidamente fui descoberta e virei alvo de um povo enfurecido; tiros vinham de todas as direções, mas eu me esquivava loucamente!
E então, no meio de todos aqueles ataques frustrados, no meio de todo aquele fervor, avistei alguém que ali não pertencia. Certamente não era um deles; um daqueles seres fortes e irrefutáveis. Ali não era seu lugar, não era lugar para um ser pequeno, inexperiente, indefeso, distraído, inocente. Alvo fácil!!! Nele, vi minha única forma de escapar: usá-lo como escudo, afinal, podia ele não pertencer aquele histórico mundo, mas para ali se encontrar, devia ter seu valor reconhecido por aquele pueblo enraivecido.
Finalmente, quando a distância tomada de Amsterbam se bastava segura, o encontro de olhares entre meu escudo e eu foi inevitável: vi nele o reflexo do asqueroso mundo histórico sob a ótica de uma virgem menina. Aquilo em nada podia me agradar; do contrário, só despertava mais a revolta em mim por ter perdido uma batalha! E como o mundo é dos mais fortes, não resisti! Não sairia daquela por baixo! O ego falou mais alto...
Com um rápido movimento ZRÁ!!! O sangue derramado na areia refletia a lua cheia e aquele que devia ser uma espécie de amuleto pro pueblo pungente, em seu último ato em vida, despertou em mim um ato desonroso e covardio....
Ao meu lado, restou apenas Zumbá. Somente ele, companheiro, para acolher tal ato vergonhoso com um olhar carinhoso! Afinal, o que seria de uma pistolera em terras proibidas sem seu fiel amigo, seu cavalo salvador...

miércoles, 18 de marzo de 2009

E o deserto se despede de Zermana


Quando o dia amanheceu as nuvens corriam pelo céu. Zestre dos Zagos passava pela frente da casa das pistoleras cantando Adiós. Zizinha abriu a porta, correu para fora de casa e ficou atrás da pilar olhando a cena. Zestre dos Zagos fazia magia. Cantava para as nuvens correr mais rápido pelo céu. Ele invocava o sol. Nas lendas do deserto, o céu tem que estar limpo durante uma festa tão importante. E as nuvem obedeceram.

Naquela tarde o vento não apareceu e o calor tomou conta do deserto. Diante de tanta areia, as flores, não as dos cactos, mas alaranjadas e ao lado um vermelho brilhante de pimentas. Um toque para afastar qualquer tipo de azar. Zermana comemorava sua despedida do deserto com muito gosto. E acreditem estavam todos presentes: Trio Los Panchos, El Justiciero, Zizzo, Zotta, Zari, Zali, Zarcas, Zatty, Zarcus, ZeZão, Zé, Zibi, Zol, Zila, Zailarina, Zoca e assim por diante. Os pueblos se juntaram e comemoravam com muitos Zs!! E numa festa tão linda, as pistoleras embriagadas se empolgaram e saíram atirando em quase todos os convidados. Forasteros de pueblos distantes também marcaram presença. Na pista: um baile regado a muito tiroteio. Não posso contar aqui quem foram os feridos, até porque, esse é quase sempre um dos últimos pedidos dos feridos: não me identifique, por favor. E como pistoleras não mentem, não erram a pontaria (ZRÁ) e segredo é segredo, quem não foi, perdeu! Zrá!

martes, 10 de marzo de 2009

La Fiesta del Viento!


Fazia uma semana. Talvez tenha sido o tempo mais longo que o deserto suportou. Fazia uma semana em que o vento não passava pelas areias do deserto. Algo parecido só aconteceu quando eu tinha 5 anos. Lembro exatamente da cena em que minha mãe conversava com minha tia na sala de almoço. As duas tomavam chá gelado com raspas de limão num copo azulado transparente. Mamãe vestia um vestido amarelo e minha tia uma calça marrom justa, botas pretas e uma blusa branca. Os chapéus estavam apoiados nas cadeiras. A Tia Zoly se queixava. Dizia que jamais tinha visto algo assim: 6 dias sem ventar no deserto. Mamãe não dizia nada, só bebia e esperava meu pai chegar para dar alguma opinião. Naquela noite, o pueblo inteiro se juntou. Acreditaram que se existisse uma celebração, o vento voltaria. E ele realmente voltou.

Na sétima noite, reunimos o pueblo para uma nova era. Precisava voltar a ventar! A festa foi regada a Zrás! Tinham até balões de gás. Algo que remetia a infância. Talvez só trazendo a infância de volta, poderíamos nos despedir do ciclo que terminava. Era a hora de novos ares, novos ventos e novos pueblos. O cemitério estava cheio. Os Zs já estavam por quase todas as partes. E assim que a natureza percebeu que já tínhamos lavado nossas almas, o vento voltou calmamente, quase como uma brisa. E acreditem!! Mais uma vez, a lenda do deserto: a chuva de purpurina passou, mas só pelos olhos de alguns…


No céu, o dia amanhecia, o vento trazia o cheiro de flores e os tiros espalhavam uma nova história!

sábado, 7 de marzo de 2009

Quando o deserto te engole... (vai e volta, viu, vindinha)

Um dia eu acordei e ao olhar a alvorada que todas as manhas batia sobre os cactos ao redor da minha tenda, velha de guerra tenda, não senti a areia entre meus dedos, não vi os cactos, reluzindo, sorrindo, dourados, não senti o perfume da bruma do deserto, que traz consigo o cheiro de sangue de batalhas há muito vividas e deixadas para trás. E só o cheiro, porque essas batalhas não mais faziam parte da minha vida."Uma vez pistolera, sempre pistolera!" - dizem elas. Mas ex-pistolera eu era! Tinha a segurança de acordar todas as manhas e não ter marcas de sangue em minhas roupas; saber que ali eu nao arriscava ferir ninguém, nem ser ferida! So que um dia eu acordei e a areia não senti entre meus dedos... Olhando pela porta, era como se o deserto se alongasse mais do que nunca! Não mais via as montanhas dos vilarejos dos pueblos vizinhos, não mais via os cactos, não mais via minha tenda! Era só eu! O calor dos dias do deserto já não me confortava mais! O frio das noites do deserto já não me fazia espairecer mais! Era como um perfeito estranho, o qual eu nunca havia conhecido... E então, quando a falta de um norte deixava o delírio tomar conta de minha mente, eu as avistei! Preparadas como sempre: montadas em seus cavalos, com suas armas empunhadas, seus cabelos esvoaçantes, o suor tomando conta de seus corpos e as novas marcas de tiroteios, os quais somente ouvi dizer. Sabia que nem tudo estava perdido e que agora, aquela antiga frase fazia muito mais sentido: uma vez pistolera... De imediato, um vento bateu, o cheiro de sangue, agora fresco, a areia voando entre meus dedos; estava em minha tenda novamente! Mas não era a mesma tenda, não era o mesmo deserto, não eram os mesmos cactos, e o melhor de tudo e que não eram os mesmos inimigos!!!Novas aventuras estavam por vir! As batalhas passadas tinham que ser esquecidas! Novos tiroteios, novas vitimas, novas celebracoes! Assobiei e Zumba veio galopando ao meu encontro."Balas na agulha, minhas queridas pistoleras, que Zali is back on the game!"

jueves, 5 de marzo de 2009

Acelera Zezão!!!!

A porta abre bruscamente com a força do vento. Zizinha caminha até a porta, e olha novamente para o horizonte. E no horizonte, mais uma vez, não existe nada mais que o horizonte, nem sequer uma sombra. E era somente uma sombra que ela gostaria de encontrar naquela manhã. Zizia passa pela sala segurando as malas. Estava na hora delas partirem. Mas ainda nao podiam. Tinham pouco tempo para resgatá-la. Se elas fossem exatamente naquela hora, uma das pistolera ficaria para trás.

As duas se olham e resolvem lutar contra o tempo. Elas partem com seus cavalos, mas partem para a direção oposta. Elas iam atras de Zezão. Procuram pelo centro do pueblo e ninguem sabia de Zezão. Na verdade, ninguém jamais a viu. Só restou um lugar: La Casa de Zotô. Depois de 20 minutos, as pistoleras chegam na casa de Zotô - um dos maiores forasteros do deserto. Entram na casa e se deparam com 30 mulheres flechadas e grudadas na parede. Entre elas, Zezão esparramada na parede central da casa. As pistoleras retiraram a flecha e colocaram a pistolera em cima de Ventania.

Zezão apenas abre os olhos, respira fundo e:

- Gracias chicas!

As pistoleras se olham e abrem um sorriso. Missão comprida. A pistolera que admirava as cores amarela e preta estava de volta. E agora, elas três sabiam do próximo destino: el pueblo nueva era!

WELCOME

QUE VENGAN LAS NUEVAS E SE QUEDEM LAS VIEJAS!
PARA MIS ZERMANAS PISTOLERAS...SALUD!

Por el camino del desierto
El viento me despeina
Sube el aroma de colita
Luna, luna de nadie
Ella a lo lejos
Una luz centela
La idea de mi estar
Quedar por la noche
Alli estaba a la entrada
Y las campanas a sonar
Y me di con llamarme mismo
Que es puerta del cielo
Ella enciende una vela
En muestra del camino
Suenan voces en el corredor
Y lo que indican diciendo
"Welcome to the Hotel California
Such a lovely place
Such a lovely place"
Ella al lado que brillaba
Tenia una Mercedes
Rodeada de chicos guapos
Ella llamaba amigos
Cuando viene despacio
Del tumba de verano
Aquel era pa'recordar
Y otro pa' olvidar
Le pedi al capitan
Que sirve el vino
Y pedi con un amor
Tenido este alcohol
De este sesenta y nueve
Famosa y que llamando
Pues me va a despertar
La noche para decir
El espejo en el techo
Champana en el hielo
Y ella dijo somos todos prisioneros
De propia voluntad
Y en los cuartos principales
Hacen sus siestas
Hasta aca a la bestia
Pero no la logra a matar
Mi ultimo recuerdo
Corria hacia la puerta
Ver una candela en el camino
Por donde habia llegado
"Relax" dijo el portero
Por mi es honor recibir
Puede salir cuando quiere
Pero nunca yo partir

miércoles, 4 de marzo de 2009

A lenda da pistola dourada

No meio de tanta gente naquela noite, eu só tinha um pensamento: a chuva de purpurina! A mais nova lenda estava no presente! Confesso que nessa noite, nenhuma pistolera pensou em cometer um crime, afinal, só tínhamos que comemorar. Zov estava lá nos ensinando como agir em quase todas as ocasiões. E ai, você entende o porque somos tão parecidas com as nossas madrinhas. Somos quase clones. Dizem los señores más viejos que fora do deserto essa lenda de clone das madrinhas é ainda maior. Diante de tanta comemoração, eu deixei minha arma em cima da mesa e obviamente que ela sumiu bem na hora que eu precisava dela. No momento de apuros, Zarcas e Zezão estavam ocupadas demais para me ajudarem. Restou apenas pedir para a pistolera mais rápida do deserto: Zov. Pedi delicadamente a pistola dourada de Zov e ela só me emprestaria se eu atirasse exatamente dali, do lado dela. Reclamei um poquinho, disse que estava muito longe e ... outra lenda! A bala sai em camera lenta da pistola dourada de Zov, traça um caminho diferente e atravessa exatamente o meio do peito do forastero. A luz se apaga, o silêncio é invadido por trocas de tiros e Trio los Panchos não aparece. Na manhã seguinte, entre a areia, as flores e as purpurinas.