lunes, 24 de agosto de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
Quem foi que dormiu? (Parte I)
Diante de um silencio irritante, Zizinha acorda de um sono nada dormido na promessa de ventos. A sede berrou mais alto, a novidade surgiu e o silencio quase dormiu. Zarcas so assoviou e Zentania estava ali...pronto. A pequena aprendiz regarregou suas armas e saiu pronta para a ventania. Juntas foram desbravando o deserto de sempre, o tal caminho conhecido, surpreendeu as pistoleras com uma trombada de cavalos. Zaio, o pistolero barbero, diante depois tanta barbaragem feita, as pistoleras nao atiraram, nem se desviaram, apenas anotaram e seguiram caminho com a certeza de que deviam ter exterminado o tal de olhos azuis. Deviam ter se juntado para atravessar o deserto e escreverem um novo post. Prefiriram descer o deserto a pe, em busca de mais. De mais. Era isso que as pistoleras precisavam, de mais. Simplismente de mais, de mais aventuras, de mais emocoes, de mais ventos, de mais historias, de mais de tiros, de mais palavras, de mais molho de tomate pronto. De mais ketchup e de mais mostarda em cima de nachos com tequila ouro. Ora! Chega desse cansaco! Chega dessa mania de dizer nao. Chega, chega. Elas queriam e querem maiiiiiis! E sempre vao querer. Porque elas, mulheres do deserto, conhecidas como pistoleras, sempre podem mais. E nunca estao satisfeitas. Agradecem as gargalhadas, As vezes tropecam, caem, mas sempre levantam e gargalham. E diante de tanta vida, tanta sede, o deserto se silencia. E quase morre. Como morreram por ai. Nao tinha vento, muito menos sol, nem lua. Tao pouco tinha alguem andando na rua, nem bebendo no bar. Os pescadores da praia do deserto estavam todos mortos. Nao existia nenhuma alma viva naquele pueblo cheio de areia. Durante algum tempo, que ate hoje ninguem sabe dizer se foram dias ou se foram meses, o deserto dormiu....
Numa solucao emergencial, as duas: madrinha e afilhada sairam, invadiram o pueblo conhecido e os ventos surgiram... nao aqueles que elas esperavam, mas aqueles que mostravam que amanha, o pueblo Zorzon sera o alvo certo para nao so o deserto acordar, mas o mundo inteiro.
miércoles, 19 de agosto de 2009
zzzzzzzzzzzzzzz
Diante de tanto tédio, até elas morreram dormindo na espera do roteirista mais que mediocre (el Justiciero) se manifestar!
Boa noite
Boa noite
martes, 11 de agosto de 2009
O dia em que eles passaram a tentar conquistar o mundo!
Um belo dia amanhaceu para todos, mas um novo pueblo surgiu...
Eles se uniram para tentar conquistar o mundo! E é o que tentam há décadas e décadas de existência.
De longe, pensava-se muito mal deles, mas um grupo com almejável objetivo não poderia ser de pleno descartado!
Então eu me vi numa situação irrecusável: me uni a eles! A questão estava no que isso significava para eles e no que isso significava para mim: eles achavam que eu fazia parte do grupo na íntegra, mas eu sabia que só estava lá para, disfarçadamente, tirar o máximo de proveito da situação e deles, sem me intitular como um, do fundo do meu coração!
O pior de tudo estava no jeito que eles se chamavam! Como se doutores fossem... Hahaha! E nada disso sabiam!
Fazer o que...??? Assim também passei a ser chamada! Com ou sem orgulho algum!
Ali passei a pistolar, sem que ninguém soubesse que era eu a causadora das vítimas naquele grupo!
E as vítimas eram muito bem focadas por mim, porque num meio recheado desses, a falta de opções era inexistente!
Começou... Foi um, dois, três e... quatro! Zrá!!!
Focos acertados e objetivo conquistado! Foi quando vi que não mais eu precisava de participação naquele pueblo.
Até que um deles, deitado em sua piscina de sangue próprio, teve um momento de lucidez, e me pistolou!
Caída com a cara no chão, esmagada pela dor da ferida causada ao lado do meu coração, a morte bateu em minha porta! Mas eu não a atendi, porque consegui ver qual tinha sido meu erro: pistolar em quem, orgulhoso demais e sabido demais, não deveria, por mim, ser morto! E o que ele tentou fazer não foi me matar, foi me dar uma lição de que o que vai, volta, viu, vindinha!
Assim foi! A mágoa existente entre eu e ele nasceu, e um homem que parecia ser apenas qualquer um, se tornou, para mim, um homem muito bem desejado. Mas o que ele tentou me ensinar foi que o que eu fiz com ele o fez se afastar de mim completamente por dor de feridas e de jamais me querer como eu passei a querê-lo.
Tentei enterrá-lo dentro de mim, mas quando o amor surge em uma pistolera (e acreditem que isso acontece muito de vez em quando), nem enterrá-lo com as próprias mãos na mais árida terra acalma o sofrimento.
Como a vida continua, o dia de por o fim nessa história inquietante chegará! Por mais que o caminho a seguir seja o das pedras!
Eles se uniram para tentar conquistar o mundo! E é o que tentam há décadas e décadas de existência.
De longe, pensava-se muito mal deles, mas um grupo com almejável objetivo não poderia ser de pleno descartado!
Então eu me vi numa situação irrecusável: me uni a eles! A questão estava no que isso significava para eles e no que isso significava para mim: eles achavam que eu fazia parte do grupo na íntegra, mas eu sabia que só estava lá para, disfarçadamente, tirar o máximo de proveito da situação e deles, sem me intitular como um, do fundo do meu coração!
O pior de tudo estava no jeito que eles se chamavam! Como se doutores fossem... Hahaha! E nada disso sabiam!
Fazer o que...??? Assim também passei a ser chamada! Com ou sem orgulho algum!
Ali passei a pistolar, sem que ninguém soubesse que era eu a causadora das vítimas naquele grupo!
E as vítimas eram muito bem focadas por mim, porque num meio recheado desses, a falta de opções era inexistente!
Começou... Foi um, dois, três e... quatro! Zrá!!!
Focos acertados e objetivo conquistado! Foi quando vi que não mais eu precisava de participação naquele pueblo.
Até que um deles, deitado em sua piscina de sangue próprio, teve um momento de lucidez, e me pistolou!
Caída com a cara no chão, esmagada pela dor da ferida causada ao lado do meu coração, a morte bateu em minha porta! Mas eu não a atendi, porque consegui ver qual tinha sido meu erro: pistolar em quem, orgulhoso demais e sabido demais, não deveria, por mim, ser morto! E o que ele tentou fazer não foi me matar, foi me dar uma lição de que o que vai, volta, viu, vindinha!
Assim foi! A mágoa existente entre eu e ele nasceu, e um homem que parecia ser apenas qualquer um, se tornou, para mim, um homem muito bem desejado. Mas o que ele tentou me ensinar foi que o que eu fiz com ele o fez se afastar de mim completamente por dor de feridas e de jamais me querer como eu passei a querê-lo.
Tentei enterrá-lo dentro de mim, mas quando o amor surge em uma pistolera (e acreditem que isso acontece muito de vez em quando), nem enterrá-lo com as próprias mãos na mais árida terra acalma o sofrimento.
Como a vida continua, o dia de por o fim nessa história inquietante chegará! Por mais que o caminho a seguir seja o das pedras!
jueves, 6 de agosto de 2009
Com sede d'agua de purpurina!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Então o roteirista mediocre avisou: Voltem com seus barcos para o cais
Previsão do tempo: tempestades sinistras e temporais
Porém, vai em frente e faz o que tu queres
É tudo da lei, eu sei, navego há trinta e dois natais
E não só por isso os tratamentos medicinais
Legais ou ilegais, químicos ou naturais
Realize and legalize, suas táticas desleais
Nós criamos a sigla: IRA, ETA, CIAONU, OTAN, FBI, D-20, HIV
Bin Laden e Al-Qaeda, George Bush cai da escada
Um alô pra cada moleque da quebrada
Senhora na janela do barraco na favela
Atrás da minha casa, cada chicano de lowrider
No país da carteirada, juízes ladrões
Recorre aos pastores, o explorador da fé que infesta
Em nome do senhor dos senhores de forma desonesta
Falam em nome do Leão conquistador da tribo de Judah e roubam Robert Nesta
A morte vive, a vida morre, bicho pega se tu corre
Nada disso pra mim presta, o que de bom ’cê leva desta?
Dois mil e quatro babilônia cai, cai
O retorno é de JediBum bidi, bye, bye, bye…
Previsão do tempo: tempestades sinistras e temporais
Porém, vai em frente e faz o que tu queres
É tudo da lei, eu sei, navego há trinta e dois natais
E não só por isso os tratamentos medicinais
Legais ou ilegais, químicos ou naturais
Realize and legalize, suas táticas desleais
Que mantêm o gado no pasto e os burros nos currais
E ai, o deserto acalmou. Esperaram novas previsões do tempo. Cada uma seguiu seu destino. Zali ainda está atrás de sua cura, Zarcas alimenta o povo na hipica, Zezão ajuda os animais do pueblo e Zari virou costureira. Estão focadas em trabalho, esqueceram da diversão. Cansaram da busca inexistente. O vento todos os dias assopra nos ouvidos de Zari: Abandone tudo e invada novamente o deserto de Zarcelona. Sumiu todo mundo. Zizzo, Zotta, Ziwinsky, Zovo, Zelguis. Ultimamente pela rua principal apenas os dois que voltaram: Zorto e Zraide. A última vez que viram el justiciero foi comendo bolachas na estrada esperando a sua morte chegar! Mas que merda de Deserto! Nem moscas e nem cavalos. Nada acontece. Abandonar o barco, já! Salve-se quem puder!
- Não existe mais guerras? Grita Mestre do Magos para o alto.
Roterista Mediocre: Nada escapa Àquele que tudo sabe, que tudo vê
Ele criou tudo, inclusive o mundo, eu e vocêE ai, o deserto acalmou. Esperaram novas previsões do tempo. Cada uma seguiu seu destino. Zali ainda está atrás de sua cura, Zarcas alimenta o povo na hipica, Zezão ajuda os animais do pueblo e Zari virou costureira. Estão focadas em trabalho, esqueceram da diversão. Cansaram da busca inexistente. O vento todos os dias assopra nos ouvidos de Zari: Abandone tudo e invada novamente o deserto de Zarcelona. Sumiu todo mundo. Zizzo, Zotta, Ziwinsky, Zovo, Zelguis. Ultimamente pela rua principal apenas os dois que voltaram: Zorto e Zraide. A última vez que viram el justiciero foi comendo bolachas na estrada esperando a sua morte chegar! Mas que merda de Deserto! Nem moscas e nem cavalos. Nada acontece. Abandonar o barco, já! Salve-se quem puder!
- Não existe mais guerras? Grita Mestre do Magos para o alto.
Roterista Mediocre: Nada escapa Àquele que tudo sabe, que tudo vê
Nós criamos a sigla: IRA, ETA, CIAONU, OTAN, FBI, D-20, HIV
Bin Laden e Al-Qaeda, George Bush cai da escada
Um alô pra cada moleque da quebrada
Senhora na janela do barraco na favela
Atrás da minha casa, cada chicano de lowrider
No país da carteirada, juízes ladrões
Raízes e tradições, Rasta não trabalha pra sua raça
A filmagem para. Os atores reclamam, os figurantes desistem, os cactos de papel caem com o vento do ventilador, as luzes que fingem em ser o sol ardem e o Mestre dos Magos se demite. Se procuravam alguma novidade, ou mesmo alguma ação no deserto abandonado, conseguiram! Agora nem os figurantes estão mais no cenário. Ele está assim completamente vazio, quase do mesmo jeito quando o Capitão Marujo quis dar o golpe nas pistoleras. Agora estava tudo, tudo mesmo nas mãos do cara que comia bolachas, quer dizer, nas mãos do sábio e forte El Justiciero. Só ele poderia bolar um plano para incentivar as pistoleras a voltarem com aquela alegria contagiante. Só ele seria capaz de trazer todos os atores, figurantes novamente a rua principal del pueblo.
Roteirista: Repensar nossos valores é o que nos resta
Pra aliviar as dores se embriaga numa festaA filmagem para. Os atores reclamam, os figurantes desistem, os cactos de papel caem com o vento do ventilador, as luzes que fingem em ser o sol ardem e o Mestre dos Magos se demite. Se procuravam alguma novidade, ou mesmo alguma ação no deserto abandonado, conseguiram! Agora nem os figurantes estão mais no cenário. Ele está assim completamente vazio, quase do mesmo jeito quando o Capitão Marujo quis dar o golpe nas pistoleras. Agora estava tudo, tudo mesmo nas mãos do cara que comia bolachas, quer dizer, nas mãos do sábio e forte El Justiciero. Só ele poderia bolar um plano para incentivar as pistoleras a voltarem com aquela alegria contagiante. Só ele seria capaz de trazer todos os atores, figurantes novamente a rua principal del pueblo.
Roteirista: Repensar nossos valores é o que nos resta
Recorre aos pastores, o explorador da fé que infesta
Em nome do senhor dos senhores de forma desonesta
Falam em nome do Leão conquistador da tribo de Judah e roubam Robert Nesta
A morte vive, a vida morre, bicho pega se tu corre
Nada disso pra mim presta, o que de bom ’cê leva desta?
Dois mil e quatro babilônia cai, cai
O retorno é de JediBum bidi, bye, bye, bye…
Outro deserto?
Nenhum safado nenhuma pistolera nenhuma luz nenhum nada de nada nesse fundo mundo?
Sabe lá.
A monotonia vermelha é só paisagem presse cotidiano almofadado repetido de notícias secretas.
Pros infernos.
Na verdade, enquanto vcs mofam aí, silenciosos feito televisores ligados, tem uns safados extorquindo suas vidas e seus ouros.
Tranqüilo.
E até minha poesia vai ficando miúda e xôxa sem motivo perdendo terreno pros documentos burocráticos de algum servidor público.
Xoxotas.
El justiciero passou por aqui e pediu pra protocolar a inquisição: Outros desertos? Sei que sem nenhum, não fico,
Sweetsamores.
lunes, 27 de julio de 2009
Back home
El Justiciero engole seco mais uma vez. De olhos fechados agradece ao roteirista pela Argentina e pela vida. Abraça Zezão a agradece.
Saem caminhando com as espingardas empossadas entre as mãos e os ombros, segurando as rédeas dos cavalos nas outras, observando o sol - fogo e vida - que calmamente se apresenta e saúda-os com um “bom dia” calmo e grandioso. Zezão equilibra sobre os pezinhos entortados pra dentro a força de uma mulher dona do marido, da casa e das armas e a tranqüilidade de uma assassina objetiva e fiel aos companheiros. El justiciero absorve o primeiro dia do resto da sua vida...
Recorda-se, adocicado pelos restos de bolacha Bueno entre os dentes e aquela acidez alcoólica que sempre lhe confundia o pensamento ao mesmo tempo em que dava-lhe objetividade e coragem, de frases pretensiosas como “homem que fala de si na terceira pessoa, histórico invejável, conquistas incalculáveis, profundidade oceânica eticeteras vezes mil” e as contrapõe às cenas quase-fatais que acabara de viver. Tinha aprendido uma lição. Subira alto demais: entitulara-se tão forte, que arriscou colocar nas mãos de um qualquer uma arma e pretensiosamente gritar “Atire!” – como nos bons filmes de bang-bang. Mas, aprendera, esse fundo mundo seco e roído não é apenas um filme. É mais. É o cenário dos desejos das vidas de muitos outros. E, como ele mesmo havia declamado despretensiosamente, tratava-se de um deserto aberto para todos. E a arma não caiu nas mãos de um roteirista qualquer. Mas, pior, mesmo se tivesse caído, aprendeu que qualquer um pode tornar-se um grande atirador, se assim desejar. Foi pretensioso demais. Subjulgou os homens de El pueblo.
- Hoje a noite terá uma festa boa.
- É mesmo? O que pega hoje?
- Depois de 9 anos, Zraide volta para o deserto!
Por sorte, a arma caiu nas mãos de alguém com uma alma profunda, que soube, além de angular bem a mira e os cortes, fazer El justiciero cair de joelhos e sentir-se uma mísera formiga na história de El pueblo para, então, adocicar sua morte. Por piedade? Bondade? Não! Por grandezaa de espírito. Teve sorte.
- Não imagino como esteja Zraide.
- Mesmo estilão.
- Pago para ver.
El justiciero é bom para falar dos outros, do mundo, de política, de poesia, grandificar a vida, o significado dos fatos, dar-lhes história, mas não sabe falar de si mesmo. Enrola-se com as palavras. Sabe reagir ao mundo, mas não a si mesmo. Precisa dos outros, mas, antes, encara-os para dominar-lhes o movimento. O deserto faz isso com as pessoas. Tornam-se produtos do meio social e físico em que vivem. São homens fortes e de caráter, mas vivem em um deserto profundamente solitário...
- Deve estar com sede.
- dos infernos.
- Você caiu na mais velha das armadilhas...
- Sou tão vulnerável como qualquer cabron aqui.
- Mas é metidinho à besta.
- Não sou eu que sou. É o deserto que pede que eu seja...
- besteira sua.
- Besteira ou não, não espere que eu mude. Mesmo abalado, tenho um nome a zelar nesse tiroteio.
Encapou o chapéu. Zezão seguiu reta sem dúvidas, como sempre. El Justiciero deixou o sol engrandecer-se sobre El Pueblo, que já aparecia no horizonte.
- Lindo dia, não.
- Como sempre, Justiciero. Como sempre...
Qualquer palavra a mais seria destituída de sentido. A história de El Pueblo estava mais uma vez, como sempre esteve, aberta aos novos forasteiros. Mas, mais uma vez, como sempre, para aqueles que a encarassem de frente.
Saem caminhando com as espingardas empossadas entre as mãos e os ombros, segurando as rédeas dos cavalos nas outras, observando o sol - fogo e vida - que calmamente se apresenta e saúda-os com um “bom dia” calmo e grandioso. Zezão equilibra sobre os pezinhos entortados pra dentro a força de uma mulher dona do marido, da casa e das armas e a tranqüilidade de uma assassina objetiva e fiel aos companheiros. El justiciero absorve o primeiro dia do resto da sua vida...
Recorda-se, adocicado pelos restos de bolacha Bueno entre os dentes e aquela acidez alcoólica que sempre lhe confundia o pensamento ao mesmo tempo em que dava-lhe objetividade e coragem, de frases pretensiosas como “homem que fala de si na terceira pessoa, histórico invejável, conquistas incalculáveis, profundidade oceânica eticeteras vezes mil” e as contrapõe às cenas quase-fatais que acabara de viver. Tinha aprendido uma lição. Subira alto demais: entitulara-se tão forte, que arriscou colocar nas mãos de um qualquer uma arma e pretensiosamente gritar “Atire!” – como nos bons filmes de bang-bang. Mas, aprendera, esse fundo mundo seco e roído não é apenas um filme. É mais. É o cenário dos desejos das vidas de muitos outros. E, como ele mesmo havia declamado despretensiosamente, tratava-se de um deserto aberto para todos. E a arma não caiu nas mãos de um roteirista qualquer. Mas, pior, mesmo se tivesse caído, aprendeu que qualquer um pode tornar-se um grande atirador, se assim desejar. Foi pretensioso demais. Subjulgou os homens de El pueblo.
- Hoje a noite terá uma festa boa.
- É mesmo? O que pega hoje?
- Depois de 9 anos, Zraide volta para o deserto!
Por sorte, a arma caiu nas mãos de alguém com uma alma profunda, que soube, além de angular bem a mira e os cortes, fazer El justiciero cair de joelhos e sentir-se uma mísera formiga na história de El pueblo para, então, adocicar sua morte. Por piedade? Bondade? Não! Por grandezaa de espírito. Teve sorte.
- Não imagino como esteja Zraide.
- Mesmo estilão.
- Pago para ver.
El justiciero é bom para falar dos outros, do mundo, de política, de poesia, grandificar a vida, o significado dos fatos, dar-lhes história, mas não sabe falar de si mesmo. Enrola-se com as palavras. Sabe reagir ao mundo, mas não a si mesmo. Precisa dos outros, mas, antes, encara-os para dominar-lhes o movimento. O deserto faz isso com as pessoas. Tornam-se produtos do meio social e físico em que vivem. São homens fortes e de caráter, mas vivem em um deserto profundamente solitário...
- Deve estar com sede.
- dos infernos.
- Você caiu na mais velha das armadilhas...
- Sou tão vulnerável como qualquer cabron aqui.
- Mas é metidinho à besta.
- Não sou eu que sou. É o deserto que pede que eu seja...
- besteira sua.
- Besteira ou não, não espere que eu mude. Mesmo abalado, tenho um nome a zelar nesse tiroteio.
Encapou o chapéu. Zezão seguiu reta sem dúvidas, como sempre. El Justiciero deixou o sol engrandecer-se sobre El Pueblo, que já aparecia no horizonte.
- Lindo dia, não.
- Como sempre, Justiciero. Como sempre...
Qualquer palavra a mais seria destituída de sentido. A história de El Pueblo estava mais uma vez, como sempre esteve, aberta aos novos forasteiros. Mas, mais uma vez, como sempre, para aqueles que a encarassem de frente.
domingo, 26 de julio de 2009
La muerte del Justiciero ??? (Parte II)
a dois quilômetros dali, no meio do deserto, distante de nada, parou em pé:- vamos logo com isso, RO-TEI-RISTA! – ecoou...
Sem sinal nenhum, sentou no meio da estrada. Abriu um pacote de bolachas Bueno de chocolate e comeu, uma por uma. Depois de 7 bolachas mastigadas, a papa, o seco, a sede. Tentou enganar a mente e fingiu se interessar pelos cactos. Não resistiu e comeu a oitava bolacha, engoliu com muito esforço e rezou por um copo d’água.
Pausa! Como disse mesmo El Justiciero, o roteirista era medíocre. E se ele era medíocre, el justiciero pode morrer até mesmo engasgado com as bolachas ruins de chocolate e secas. Pode morrer também de sede. Pode morrer atropelado, estuprado, assassinado. Pode até cair de mau jeito de seu cavalo e quebrar o pescoço e não ter a sorte de ficar tetraplégico.
Mas (sempre tem um mas) a recém pistolera era mais medíocre que o roteirista. Tinha muito mais sangue em seus olhos e tinha em suas veias a vingança fluindo. Ela tinha sede, quase a mesma sede del justiciero. O roteirista lava suas mãos, porque afinal el justiciero é ameaçado por sua e única falha no tiroteio da redação. Não exterminou direito e ainda coloca a culpa no roteirista. Ora bolas Justiciero! Vamos logo com isso. Aceitou tão rápido a morte que nem se justificou em querer matar a pistolera antes. Ficou ali, quieto esperando a morte chegar. Não lutou e nem matou direito. Mas que coisa mais previsível, que coisa mais sem graça. E agora fica ai sentado, pensando na vida, comendo bolachas de chocolate como se fosse a última vez. Se entregou tão rápido, saiu até del pueblo. Saiu sem se despedir.
A Vingança chegava ao som de tango. Melancólico, forte, raiva, choro. Essa é a sua trilha sonora, el justiciero. Nem trio Los Panchos estavam ali para te salvar dessa melancolia cantada ao bom e velho sotaque de nuestros hermanos. A dança estava preste a começar.
A noite nasce ali, bem ali, no horizonte da estrada em que el justiciero decidia se comia ou não a última bolacha do pacote.
- Se eu comer a última, eu não caso. – falou alto el justiciero.
Silêncio do deserto.
- E também pra que eu gostaria de casar???? – berra ele ao universo.
O vento assopra.
- Vuelve, como se vuelve siempre el amor, vulevo a vos con mi deseo, con mi temor, con un destino del corazón, como los aires de pueblo. Canta ela.
El justiciero chora desesperadamente ao ouvir ela cantando Carlos Gardel. Se levanta, joga o pacote de bolachas para o lado e se entrega aos braços daquela mulher. E juntos, dançam o último tango de sua vida ao nascer da lua cheia. A sombra no chão, as coxas que se entrelaçam, o amor, o respeito, o desejo. O tango tira el justiciero por alguns instantes do alvo. Com a rosa na boca, el justiciero se apaixona por aqueles novos olhos. E se convence que aquela seria a sua última troca de tiros antes de sua morte. Sorriu, agradeceu até o roteirista. Já que já ia morrer mesmo, ainda ganhou essa boiada com uma argentina, dançarina de tango, e gostosa. Recarrega suas armas, baila sozinho pela estrada, volta, pega no braço da mulher:
- Como te llamas, mujer de mi corazón?
- Venganza!
- Que rico! Quieres bailar conmigo esta noche?
- Y tu que? Creas que venir hasta aqui hacer outra cosa?
El Justiciero entregou-se a vingança, sem ao menos perceber, que era ela, a pistolera recém-nascida naquele fajuto tiroteio. Se entregou ao tango como um pato. Devia ter comido a última bolacha.
Sob a Lua Cheia, fizeram fumaças, trocaram os calores dos corpos, degustaram as novas peles que jamais seriam tocadas novamente. O beijo, o cheiro, o suor. Todos os últimos. El justiciero estava deitado pelado sob a estrada. Estava exausto, satisfeito e feliz. El Justiciero estava entregue. Além de tudo, estava apaixonado pela dançarina de tango. Pensava que se lutasse contra a sua morte, poderia viver muito bem longe do deserto ao lado de sua nova amada. Ouvindo tangos todos os dias, e amando como nunca amou. Tolo! Não desconfiou em nenhum segundo, que sua nova paixão era a morte em sua fuça. E ela, justiciero, não vai te matar com pistolas e armas. Muito menos com granadas. Ela é muito mais esperta, não quer chamar atenção, não que nem lutar com você. Até porque, aos poucos ela também sentia um amor por você. Mas ela se chama venganza, estava com muita raiva e esperava você dormir em seu colo, para aplicar uma injeção em seu braço.
Que morte mais tranqüila, mais ingênua, e sem sangue. E lá vai... el justiciero apoiando a cabeça no colo da venganza, ela fazendo cafuné e el justiciero preferindo esperar a morte para o próximo dia, já que o roteirista demora uma eternidade para acabar logo com essa história. O que haveria de tão ruim dormir um pouquinho no colo de sua amada e acordar só amanhã e amar mais uma vez la venganza? Ele adormece feliz. E la Vengaza gargalha alto, mas muito alto, tão alto que até as estrelas escutaram a vingança saindo de seu corpo e virando realidade. A injeção numa mão e o braço del justiciero em outra.....
Um único tiro. Certeiro. Atravessou o cérebro. Ele não acordou. Mesmo com tanto sangue em seu rosto. O amor tinha acabado ali. Jamais dançariam tango. Jamais se amariam embaixo da Lua Cheia. Era o fim de um amor. Bem mexicano. O roteirista decidiu. Ia ser mais fácil assim. Já que não lutou mesmo pela sua vida, já que nem estava ai. Já que só achava defeitos no deserto, resolveu colocar pilha na Zezão para decidir tudo aquilo ali.
Explico a cena do crime. El Justiciero dorme deitado sob a estrada e com a cabeça apoiada no colo da dançarina Argentina. No momento em que a Venganza daria a injeção no el justiciero, Zezão surge emputecida e atira pelas costas no cérebro de Vengaza. O corpo cae sob el justiciero e o suja de sangue. Ele, sei lá porque, acorda depois de 30 segundos:
- Eu morri?
- Não! Deveria. Mas te salvei.
- De quem?
- Da Vingança!
- Era ela?
- Eu não sei, seu filho da puta. Fiquei sabendo lá no pueblo que você estava com uma mulher que ninguém conhecia aqui na estrada.
- Mas quem me viu?
- Não importa. Importa que casamos no mês de junho com o pacto que você teria 10 homens e eu teria 10 mulheres. E vc mesmo assim, já foi pular a cerca?
- Mas achei que ia morrer, Zezão. Foi assim... apaixonante!
- Mais uma palavra, e eu mudo de idéia e te mato!
El Justiciero engole seco mais uma vez. De olhos fechados agradece ao roteirista pela Argentina e pela vida. Abraça Zezão a agradece.
- Vamos embora logo. Hoje a noite terá uma festa boa.
- É mesmo? O que pega hoje?
- Depois de 9 anos, Zraide volta para o deserto!
Sem sinal nenhum, sentou no meio da estrada. Abriu um pacote de bolachas Bueno de chocolate e comeu, uma por uma. Depois de 7 bolachas mastigadas, a papa, o seco, a sede. Tentou enganar a mente e fingiu se interessar pelos cactos. Não resistiu e comeu a oitava bolacha, engoliu com muito esforço e rezou por um copo d’água.
Pausa! Como disse mesmo El Justiciero, o roteirista era medíocre. E se ele era medíocre, el justiciero pode morrer até mesmo engasgado com as bolachas ruins de chocolate e secas. Pode morrer também de sede. Pode morrer atropelado, estuprado, assassinado. Pode até cair de mau jeito de seu cavalo e quebrar o pescoço e não ter a sorte de ficar tetraplégico.
Mas (sempre tem um mas) a recém pistolera era mais medíocre que o roteirista. Tinha muito mais sangue em seus olhos e tinha em suas veias a vingança fluindo. Ela tinha sede, quase a mesma sede del justiciero. O roteirista lava suas mãos, porque afinal el justiciero é ameaçado por sua e única falha no tiroteio da redação. Não exterminou direito e ainda coloca a culpa no roteirista. Ora bolas Justiciero! Vamos logo com isso. Aceitou tão rápido a morte que nem se justificou em querer matar a pistolera antes. Ficou ali, quieto esperando a morte chegar. Não lutou e nem matou direito. Mas que coisa mais previsível, que coisa mais sem graça. E agora fica ai sentado, pensando na vida, comendo bolachas de chocolate como se fosse a última vez. Se entregou tão rápido, saiu até del pueblo. Saiu sem se despedir.
A Vingança chegava ao som de tango. Melancólico, forte, raiva, choro. Essa é a sua trilha sonora, el justiciero. Nem trio Los Panchos estavam ali para te salvar dessa melancolia cantada ao bom e velho sotaque de nuestros hermanos. A dança estava preste a começar.
A noite nasce ali, bem ali, no horizonte da estrada em que el justiciero decidia se comia ou não a última bolacha do pacote.
- Se eu comer a última, eu não caso. – falou alto el justiciero.
Silêncio do deserto.
- E também pra que eu gostaria de casar???? – berra ele ao universo.
O vento assopra.
- Vuelve, como se vuelve siempre el amor, vulevo a vos con mi deseo, con mi temor, con un destino del corazón, como los aires de pueblo. Canta ela.
El justiciero chora desesperadamente ao ouvir ela cantando Carlos Gardel. Se levanta, joga o pacote de bolachas para o lado e se entrega aos braços daquela mulher. E juntos, dançam o último tango de sua vida ao nascer da lua cheia. A sombra no chão, as coxas que se entrelaçam, o amor, o respeito, o desejo. O tango tira el justiciero por alguns instantes do alvo. Com a rosa na boca, el justiciero se apaixona por aqueles novos olhos. E se convence que aquela seria a sua última troca de tiros antes de sua morte. Sorriu, agradeceu até o roteirista. Já que já ia morrer mesmo, ainda ganhou essa boiada com uma argentina, dançarina de tango, e gostosa. Recarrega suas armas, baila sozinho pela estrada, volta, pega no braço da mulher:
- Como te llamas, mujer de mi corazón?
- Venganza!
- Que rico! Quieres bailar conmigo esta noche?
- Y tu que? Creas que venir hasta aqui hacer outra cosa?
El Justiciero entregou-se a vingança, sem ao menos perceber, que era ela, a pistolera recém-nascida naquele fajuto tiroteio. Se entregou ao tango como um pato. Devia ter comido a última bolacha.
Sob a Lua Cheia, fizeram fumaças, trocaram os calores dos corpos, degustaram as novas peles que jamais seriam tocadas novamente. O beijo, o cheiro, o suor. Todos os últimos. El justiciero estava deitado pelado sob a estrada. Estava exausto, satisfeito e feliz. El Justiciero estava entregue. Além de tudo, estava apaixonado pela dançarina de tango. Pensava que se lutasse contra a sua morte, poderia viver muito bem longe do deserto ao lado de sua nova amada. Ouvindo tangos todos os dias, e amando como nunca amou. Tolo! Não desconfiou em nenhum segundo, que sua nova paixão era a morte em sua fuça. E ela, justiciero, não vai te matar com pistolas e armas. Muito menos com granadas. Ela é muito mais esperta, não quer chamar atenção, não que nem lutar com você. Até porque, aos poucos ela também sentia um amor por você. Mas ela se chama venganza, estava com muita raiva e esperava você dormir em seu colo, para aplicar uma injeção em seu braço.
Que morte mais tranqüila, mais ingênua, e sem sangue. E lá vai... el justiciero apoiando a cabeça no colo da venganza, ela fazendo cafuné e el justiciero preferindo esperar a morte para o próximo dia, já que o roteirista demora uma eternidade para acabar logo com essa história. O que haveria de tão ruim dormir um pouquinho no colo de sua amada e acordar só amanhã e amar mais uma vez la venganza? Ele adormece feliz. E la Vengaza gargalha alto, mas muito alto, tão alto que até as estrelas escutaram a vingança saindo de seu corpo e virando realidade. A injeção numa mão e o braço del justiciero em outra.....
Um único tiro. Certeiro. Atravessou o cérebro. Ele não acordou. Mesmo com tanto sangue em seu rosto. O amor tinha acabado ali. Jamais dançariam tango. Jamais se amariam embaixo da Lua Cheia. Era o fim de um amor. Bem mexicano. O roteirista decidiu. Ia ser mais fácil assim. Já que não lutou mesmo pela sua vida, já que nem estava ai. Já que só achava defeitos no deserto, resolveu colocar pilha na Zezão para decidir tudo aquilo ali.
Explico a cena do crime. El Justiciero dorme deitado sob a estrada e com a cabeça apoiada no colo da dançarina Argentina. No momento em que a Venganza daria a injeção no el justiciero, Zezão surge emputecida e atira pelas costas no cérebro de Vengaza. O corpo cae sob el justiciero e o suja de sangue. Ele, sei lá porque, acorda depois de 30 segundos:
- Eu morri?
- Não! Deveria. Mas te salvei.
- De quem?
- Da Vingança!
- Era ela?
- Eu não sei, seu filho da puta. Fiquei sabendo lá no pueblo que você estava com uma mulher que ninguém conhecia aqui na estrada.
- Mas quem me viu?
- Não importa. Importa que casamos no mês de junho com o pacto que você teria 10 homens e eu teria 10 mulheres. E vc mesmo assim, já foi pular a cerca?
- Mas achei que ia morrer, Zezão. Foi assim... apaixonante!
- Mais uma palavra, e eu mudo de idéia e te mato!
El Justiciero engole seco mais uma vez. De olhos fechados agradece ao roteirista pela Argentina e pela vida. Abraça Zezão a agradece.
- Vamos embora logo. Hoje a noite terá uma festa boa.
- É mesmo? O que pega hoje?
- Depois de 9 anos, Zraide volta para o deserto!
viernes, 17 de julio de 2009
La muerte de El Justiciero? (Parte 1)
na noite desta quarta-feira, às vespas ásperas esperas e pêras desta ávida mole melada trágica noite azul, fui profética e pateticamente informado sobre a minha irremediável e desejada por muitos morte. frente à carta – se é que tinha status para ser chamada de “carta” – conservei meu silêncio. num dia qualquer, vi-me defronte a um futuro vazio.
- por quê, pergunta o protagonista do filmeco americano, esse tipo de anúncio que muda completamente a ordem natural das coisas, que fode tudo numa só tacada, acontece sempre em uma situação corriqueira, como durante as compras no supermercado, tomando café da manhã, ou abrindo o email, ou preparando um bauru? engoli seca a dramaticidade bíblica à anuncio do anjo gabriel à virgem maria através um mísero recadinho de guarda-napo no bar princesa de la margueritta. os roteiristas modernos adoram essas tragédias meio despretensiosas que, atormentando os arrastados cidadãos cotidianos, entretêm o flácido público nas poltroninhas aveludadas.
el justicero, homem que fala de si na terceira pessoa, histórico invejável, conquistas incalculáveis, profundidade oceânica eticeteras vezes mil, viu-se, pela primeira e, provavelmente, última vez nas mãos de um(a) roteirista medíocre que resolvera, assim como quem escolhe o número do lanche num fast-food, decidir qual seria a data e hora para matá-lo. é impressionante como o ser-humano pode trocar 80 anos de dignidade por uma trepadinha com a garçonete antes de chegar a comida. as coisas giram giram e sempre caem com a manteiga pra baixo...
como de praxe, o agora entricheirado homem tetra-trincado terrácida vermelha afundo entornou mais algumas tequilas e postou-se idêntico. desceu garganta abaixo o destino mórbido a que sua biografia estava destinada. o homem, meus filhos, é maior que deus. e a mass media, maior que os sonhos humanos. inverte-se a ordem. modern times. el justiciero, que nunca teve que tratar com essa gente moderninha, de repente, era uma dançarina de bikini num programa de auditório. o mataram em troca de audiência. e pouca audiência... recostou e passou a conduzir-se num raciocínio retórico eletrônico retorcido acerca das prováveis probabilidades para aquele quebra-cabeça sem encaixe. e, logo, tão logo logou as peças, viu: andava meio sumido... pronto. estava sendo assassinado porque estava meio por fora, meio de lado, meio esquecido, meio sem público, meio a-político.
nessas horas, um homem só tem um rumo imediato. afundou-se encharcado nos entornos solitários do pequeno vaso de doses contadas da maldita e foi-se indo longe e vago rumo à resolução de si mesmo sem muito saber porquê, mas como quem crê que detém os motivos de seu próprio fracasso, arquiteto de sua própria forca. ele era homem que assume sempre, de peito exposto, até o que não fez. e foi o que fez. assumiu, antes de todos, sua morte.
ajeitou-se num sofá encardido nos fundos do bar, sob aquele ar acumulado naquele caixote de madeira velha e podre para por o bolor do cérebro em coma enquanto assistia àquela tv de 14 polegadas policolor. acompanhou um filme americano, que, como um bom filme americano, sempre acaba com um negro perseguindo ou sendo perseguido por um branco, um deles, policial, e, após 2h de investigação sobre as origens da droga ou do dinheiro, saem explosivos nova iorque afora. el justiciero, se fosse americano, seria negro, e, mais que isso, seria como o cara na tela: denzel washington. mas tudo isso é passado. agora, el justiciero era mais um barrigudo no fundo do boteco...
acordou com camisa presa embaixo do braço, aquela sede dos infernos, acendeu um cigarro de palha, nem fechou a camisa, falou um “oi” meio rosnado, encapou o chapéu, empurrou a portinha, encarou o sol, saiu pela rua, foi observando as pessoas, quase não pensou que eram seus últimos minutos, e se foi. a dois quilômetros dali, no meio do deserto, distante de nada, parou em pé:
- vamos logo com isso, RO-TEI-RISTA! – ecoou...
- por quê, pergunta o protagonista do filmeco americano, esse tipo de anúncio que muda completamente a ordem natural das coisas, que fode tudo numa só tacada, acontece sempre em uma situação corriqueira, como durante as compras no supermercado, tomando café da manhã, ou abrindo o email, ou preparando um bauru? engoli seca a dramaticidade bíblica à anuncio do anjo gabriel à virgem maria através um mísero recadinho de guarda-napo no bar princesa de la margueritta. os roteiristas modernos adoram essas tragédias meio despretensiosas que, atormentando os arrastados cidadãos cotidianos, entretêm o flácido público nas poltroninhas aveludadas.
el justicero, homem que fala de si na terceira pessoa, histórico invejável, conquistas incalculáveis, profundidade oceânica eticeteras vezes mil, viu-se, pela primeira e, provavelmente, última vez nas mãos de um(a) roteirista medíocre que resolvera, assim como quem escolhe o número do lanche num fast-food, decidir qual seria a data e hora para matá-lo. é impressionante como o ser-humano pode trocar 80 anos de dignidade por uma trepadinha com a garçonete antes de chegar a comida. as coisas giram giram e sempre caem com a manteiga pra baixo...
como de praxe, o agora entricheirado homem tetra-trincado terrácida vermelha afundo entornou mais algumas tequilas e postou-se idêntico. desceu garganta abaixo o destino mórbido a que sua biografia estava destinada. o homem, meus filhos, é maior que deus. e a mass media, maior que os sonhos humanos. inverte-se a ordem. modern times. el justiciero, que nunca teve que tratar com essa gente moderninha, de repente, era uma dançarina de bikini num programa de auditório. o mataram em troca de audiência. e pouca audiência... recostou e passou a conduzir-se num raciocínio retórico eletrônico retorcido acerca das prováveis probabilidades para aquele quebra-cabeça sem encaixe. e, logo, tão logo logou as peças, viu: andava meio sumido... pronto. estava sendo assassinado porque estava meio por fora, meio de lado, meio esquecido, meio sem público, meio a-político.
nessas horas, um homem só tem um rumo imediato. afundou-se encharcado nos entornos solitários do pequeno vaso de doses contadas da maldita e foi-se indo longe e vago rumo à resolução de si mesmo sem muito saber porquê, mas como quem crê que detém os motivos de seu próprio fracasso, arquiteto de sua própria forca. ele era homem que assume sempre, de peito exposto, até o que não fez. e foi o que fez. assumiu, antes de todos, sua morte.
ajeitou-se num sofá encardido nos fundos do bar, sob aquele ar acumulado naquele caixote de madeira velha e podre para por o bolor do cérebro em coma enquanto assistia àquela tv de 14 polegadas policolor. acompanhou um filme americano, que, como um bom filme americano, sempre acaba com um negro perseguindo ou sendo perseguido por um branco, um deles, policial, e, após 2h de investigação sobre as origens da droga ou do dinheiro, saem explosivos nova iorque afora. el justiciero, se fosse americano, seria negro, e, mais que isso, seria como o cara na tela: denzel washington. mas tudo isso é passado. agora, el justiciero era mais um barrigudo no fundo do boteco...
acordou com camisa presa embaixo do braço, aquela sede dos infernos, acendeu um cigarro de palha, nem fechou a camisa, falou um “oi” meio rosnado, encapou o chapéu, empurrou a portinha, encarou o sol, saiu pela rua, foi observando as pessoas, quase não pensou que eram seus últimos minutos, e se foi. a dois quilômetros dali, no meio do deserto, distante de nada, parou em pé:
- vamos logo com isso, RO-TEI-RISTA! – ecoou...
viernes, 3 de julio de 2009
Essa Liberdade eh pra Nos!
A grande e insaciavel expectativa de novos e encalecedores caminhos a serem tomados nao deixa pistoleras dormirem com as cabecas nos travesseiros! Deixa dormi-las com as cabecas deliciosamente deitadas sobre os peitos dos pistolados ensanguentados!
Vontade essa que soh se ve passar quando concretizada!!! Entao sempre nos aproxima de efetua-los de forma mais do que perfeita, como tambem gralmurosa!!!
A sede pela vinganca ou pela nova conquista jamais passa. Pode ficar no maximo adormecida! Mas com um leve cutucao, se desperta fortemente! E nos da a ambicao pelo gosto quente do sangue em nossos labios!
Olha la... ja esta ela por despertar gritantemente em alguem que andava escutando seus suspiros de sono ha um bom tempo...
Vontade essa que soh se ve passar quando concretizada!!! Entao sempre nos aproxima de efetua-los de forma mais do que perfeita, como tambem gralmurosa!!!
A sede pela vinganca ou pela nova conquista jamais passa. Pode ficar no maximo adormecida! Mas com um leve cutucao, se desperta fortemente! E nos da a ambicao pelo gosto quente do sangue em nossos labios!
Olha la... ja esta ela por despertar gritantemente em alguem que andava escutando seus suspiros de sono ha um bom tempo...
jueves, 2 de julio de 2009
O significado de liberdade Parte II
Restou apenas uma, justiciero. Apenas uma menina, quase mulher, de corpo feito e mente em processo de construção. Abaixou-se rapidamente quando ouviu o primeiro disparo das 350 balas. E sobrou, intacta, esticada sobre o chão. Por alguns minutos ela tinha certeza que tinha morrido. A respiração só voltou depois de 10 minutos engasgados com o próprio choro. Chorou mais 30 minutos quando reparou que só tinha sobrado ela na redação. Não era a hora de morrer? Era uma enviada de Deus? Teve sorte por um segundo? Ou será que el justiciero teria ficado com dó dela? Talvez ele não queria matá-la... talvez ela sabia de tudo desde do principio, talvez ela fosse uma compañera...daquelas mulheres que freqüentam o deserto, mais conhecidas como pistoleras.
Levantou-se, enxugou suas lágrimas, caminhou pelos corpos e chorou mais uma vez. Engoliu seco e deitou sob os corpos. Num ato carinhoso de adeus, lambeu o sangue de todos os mortos. O gosto amargo e quente grudou em sua própria boca. Juntou saliva e engoliu....sentiu prazer. Jurou vingança!
Comprou no meio da estrada (Redação – Pueblo) a melhor e a mais moderna arma. 700 tiros por minuto. Deixou quase suas roupas íntimas como forma de pagamento. Sentada já em seu cavalo apenas de calcinha e sutiã, lembrou do que tinha esquecido. Esqueceu do teste da nova arma. Voltou à loja. Testou durante 3 minutos na testa do vendedor. Aproveitou então para testá-la num ângulo de 360 graus. A loja foi ao chão. Pegou sua roupa, se vestiu e subiu no cavalo. E sumiu ao pôr do sol na estrada sentido pueblo. Só que ela não sabia que o vento vinha em sua direção contrária. E ninguém do pueblo sabia, que naquele fim de dia, esse vento passaria por lá.
A morte del Justiciero estava pré-destinada, só ele que ainda não sabia e comemorava sua grande atuação num bar de esquina com alguns velhos marinheiros.
Levantou-se, enxugou suas lágrimas, caminhou pelos corpos e chorou mais uma vez. Engoliu seco e deitou sob os corpos. Num ato carinhoso de adeus, lambeu o sangue de todos os mortos. O gosto amargo e quente grudou em sua própria boca. Juntou saliva e engoliu....sentiu prazer. Jurou vingança!
Comprou no meio da estrada (Redação – Pueblo) a melhor e a mais moderna arma. 700 tiros por minuto. Deixou quase suas roupas íntimas como forma de pagamento. Sentada já em seu cavalo apenas de calcinha e sutiã, lembrou do que tinha esquecido. Esqueceu do teste da nova arma. Voltou à loja. Testou durante 3 minutos na testa do vendedor. Aproveitou então para testá-la num ângulo de 360 graus. A loja foi ao chão. Pegou sua roupa, se vestiu e subiu no cavalo. E sumiu ao pôr do sol na estrada sentido pueblo. Só que ela não sabia que o vento vinha em sua direção contrária. E ninguém do pueblo sabia, que naquele fim de dia, esse vento passaria por lá.
A morte del Justiciero estava pré-destinada, só ele que ainda não sabia e comemorava sua grande atuação num bar de esquina com alguns velhos marinheiros.
martes, 30 de junio de 2009
o significado de liberdade
todo homem que governa, o faz consciente de seu poder. um homem que detém poder, sabe até onde sua influencia pode alterar a realidade, mover outros homens, alterar resultados. um povo, geralmente pela baixa agudeza de sua imaginação, aceita o modo de governo porque não vê outro modo ao seu alcance. às vezes, no entanto, QUER outro modo de vida, mas, mesmo o visualizando a um palmo de si, não consegue alcança-lo. vê, mas não enxerga os meios pelos quais pode detê-lo. então, o que faz? contenta-se. por quê? porque não quer viver uma frustação.
o que vale mais: reconhecer seus limites e privar-se de uma frustação, que pode lhe custar a alegria fácil, ou arriscar conhecer os limites da própria força e conviver com a frustação de saber que há certas coisas na vida que simplesmente não foram feitas para si?
o mais abusrdo desta abstração teorico-politica-revolucionária é constatar a olhos nus que geralmente quem governa não é o segundo tipo - o herói, o corajoso - mas o primeiro - o covarde, cético, mediocre. muitas vezes a diferença entre a mediocridade de um governante e de seu povo resume-se às formalidades que o primeiro executa e, às quais o segundo, dobra a espinha e presta condolências.
grandes mestres da governança não são necessariamente grandes estrategistas militares ou políticos, mas, frequentemente, homens que sabem executar as condolências com um sorriso no rosto e com a cara lavada de quem não fez nada para estar lá - (um bom ministro da economia ajuda). São homens que sabem fazer a pose de "escolhidos".
um outro tipo, que exibe a mesma expressão de satisfação e tranquilidade perante a governança de seu povo, mas com maior tranquilidade ainda, é aquele que, no passado, estava do outro lado - do lado do povo - e auto-legitima-se como representante da maioria.
toda essa complexidade semiótica e política foi lavada ralo abaixo com um simples mecanismo óbvio, pragmático e matemático, inventado pelos gregos, reinttroduzido violentamente pelos franceses mas otimizado pelos fundadores do pragmatismo: os estados unidos da américa. essa palavra que define esse deslocamento das paixões políticas ganhou o nome de governo do povo - democracia.
a palavra, no entanto, que é digerida pelo mundo com a mesma facilidade com que se respira, acarreta, ao mesmo tempo, um mecanismo simples e aparentemente mais-perfeito-impossível - eleições diretas - e um pulo do gato problemático para a história.
em el pueblo, não existia nenhuma dessas modernidades matemáticas e tal palavra não seria tão facilmente digerida pelo seu magros habitantes. o povo, como já foi explicitado nos infinitos capítulos desta tragédia sem dono, resolve-se por si - sem governantes. alguns são injustiçados e outros andam em belos cavalos dizendo e desdizendo que atiram por aí à vontade... mas, em nenhum momento, a história é travada por um só cenro de poder. em nenhum momento, um só homem rouba toda a atenção com suas execuções de formalidades. o deserto está permanentemente aberto e livre. eis o charme deste fundo mundo moído.
liberdade, aqui, tem OUTRO significado.
certa vez, um forasteiro cá de nossas terras - sujeito áspero e intragável, mas de mesma linguagem - fora inebriado por um homem moderno, carregado de dados, para a ilha fora deste mundo sem fim - pueblo. acreditou que, lá, na democracia, onde o trabalho é livre e bem pago, onde a informação corre solta, onde os carros correm mais que os cavalos, onde a luuz chega com um botão, tornaria-se mais astuto e, principalmente, que conseguiria melhores armas. e se foi, ele e o homem que se chamava de "el periodista".
o mundo da razão era, parafrasendo o poeta, o avesso do avesso do avesso. e narciso, sujeito áspero e intragável, acha feio o que não é espelho... não gostou de nada, mas prepotente de si, afastando seu instinto por um novo, que achava que lhe renderia mais vitórias, engoliu seco aquela cloaca-cola e focou-se na busca pela sua nova e moderna arma.
acostumado a carregar a pistola a cada novo tiro, deparou-se com um automática - 350 tiros por minuto. aquilo podia exterminar uma vila em menos de um minuto!, pensou. parou assustado. não entendeu. para que alguém iria querer exterminar um povo inteiro em um minuto?! lhe pareceu um salta maior que as pernas. enraiveceu-se. mas segurou a raiva e levou a pistola. deixou todas as suas riquezas com os vendedores, que se chamavam "coxas".
saiu esquisitão, meio maio às avessas, desconfiado das coisas que piscavam feito bundas dançantes. o periodista, turista em sua própria terra, homem sem raízes, sem alma, sem drama, homem de dados e valores, puxou papo. - legal, né? estranho, estranho... estavam armando para ele, pensou. seguiu quieto.
quando adentrou no currau de trabalho do periodista, viu luzes nas paredes, pessoas sentadas em quadrados virando o rosto com cara de leve espanto e total desaprovação. não gostou. mas as mesmas caras que lhe olharam com desaprovação, na hora de cumprimentarem, abriram um sorriso. sismou. isso é armação... é armação.
tirou a automática do bolso, e como um cachorro que mija para marcar território, demarcou seu espaço. não fez por prazer. não fez por fazer. fez por instinto. desceu as escadas, pegou seu cavalo, jogou fora a automática e foi-se.
pq? ninguém nunca entendeu. até hoje, qualquer boato de seu paredeiro, é notícia bombástica de jornal.
lunes, 29 de junio de 2009
jueves, 11 de junio de 2009
Sim, a gente voltou. Quero ver alguém nos parar...
Depois de tanta poeira, ventou. E choveu. Já consegue imaginar? Encontrei Zarcas no Pueblo Santo Augusto. Na esquerda, depois da direita, uma porta quase verde: um zub! Daqueles velhos e bom zub. Nada de pistoleros, nada de cavaleiros, nada de forasteros, apenas zringos, zringos e zringos. Fazia tanto tempo que não saia para um crime acompanhada de minha madrinha, que quase me perdi. Desnorteada com a grande opção de alvos, entrei no Zudio carregando todas as minhas armas. Quem foi que chamou essa quantidade de pistoleros???? Zráaaaaaaaaa! Ao lado do bar, fingindo apenas que prestava mais atenção na cantora de cabaret, el doctor. Joder, tio! El doctor! Asi... se fue. Escapou de minhas mãos, de minha mira, perdi novamente. Madrinha me olha com um ar de reprovação e segundos depois:
- Você demora demais, Zari.
Tudo bem. Passou. Voltamos a procurar mais alvos, mais crimes, mais sangue e ...... escudos. Sim, eram necessários alguns escudos para nos proteger de tantos tiros pelo ar. Um tiroteio a bajo de una luna llena.
A noite cortada ao meio. Hora de voltar para casa, mas onde estava Faísca?
Onde estão as imagens desse blog?
Aviso aos navegantes.....
Isso foi so uma cosquinha...... Zarcas is back on the game more than ever... Waiting for all of you!!!
miércoles, 10 de junio de 2009
Aviso aos navegantes desse mundo... Parte II e talvez, a última. Se o vento deixar, claro.
Prezados,
Gostaria de comunicar que me falta um pouco de inspiração, por isso, não esperem, por favor. É! Acho melhor mesmo, avisar logo no começo. Assim, o leitor não ficará frustrado quando chegar ao final do texto. Melhor mesmo, é o leitor indo assim, lendo, sem achar nada interessante. Apesar das notícias serem impactantes. Lembre-se: A informação vem até você; conhecimento você vai atrás. Estava escrito num jornal. Aqueles antigos, que ainda circula por aqui. Bem longe de onde vocês estão. Então é o seguinte: Justiciero, por onde andas? Posso saber? Já faz falta por aqui. E isso meu caro, já faz um bucado de tempo. Papo reto. Sem nada muito portunhol, sem muito sangue e sem muito crime. Faz falta! Assim, como Zizzo. Que foi pistolar em outro deserto e nunca mais deu o ar da graça, nem mesmo escreveu uma carta. Esqueceu de compartilhar seus tiroteios e avisar de terras novas. Zovo, mudou-se de pueblo. É o que dizem. Jamais voltou a virar tequilas pelas ruas e tão pouco tocou seu bongo com o Trio Los Panchos. Zelguis partiu para uma nova musicalidade, algo parecido com o samba, aquele som que vem do Brasil. Zotta com Zé de Pano ninguém mais viu. Ultimamente, aparecem para disputar uma partida de sinuca Ziwinky, Zocci e Zitão. Zezão ainda toma conta dos cavalos, Zarcas continua reinando, Zali decindo em qual alvo atirar, Zari bolando planos, mas nas nuvens. A mais nova - ainda pequena para atuar - apenas acompanha e observa. Incrível, anota tudo. Zermana está longe, mas sempre manda cartas contando as novidades. O deserto mesmo parecendo morto -até sem moscas - e quase sem cactos, cresce. Outro dia, surgiu bem lentamente em seu cavalo Ziltão, o pistolero antigo de nosso pueblo, Zraide. Permaneceu poucos dias, mas prometeu voltar, de vez. Recebi alguns telegramas, no qual avisa, que outro voltarão de mares distantes. E nesse vai e vão, o silêncio. Não chove, não venta, o que é pior, e estranho num determinado ponto de vista. Se não chove e não venta, onde estão as moscas? Nem elas. Isso daqui, caros, precisa de um sal. Um tempero, que lembre um pouco um bom e velho molho de tomate. Nada que atinga as pistoleras, mas que seja derramado por elas e por sua trupe. Que os cenários voltem a ter areias, bebidas, ar, supsense, amor, paixão; que os personagens voltem a dizer qualquer coisa a qualquer hora em quaqlquer rua do velho pueblo.
Voltem!
Tijuana, 10 de junio de 2009
Zari
martes, 9 de junio de 2009
A Vida Te Põe no Lugar Sempre de Algum Jeito
Um belo dia amanheceu e pequenos raios de sol acariciaram meus olhos. Quando os abri, senti uma leve brisa se aproximando. É a famosa sede por novas realidades chegando. A clareza chegou antes dela: saber que o passado tem suas raizes exaltantes, porem ja finito, que dias ha pouco passados tem suas enaltecedoras conquistas e avancos, e que novos dias serão descobertos e ainda nao sei como!
Percebi que o que chegará mesmo está por me iluminar a mente, mas a certeza do que nao é ja noto logo.
Vi que a decisao de muito está presente, como tudo do que me afastei e do que eu visei proximidade. Só a alegria pode entao estar mais do que dentro de mim, como sobrando de mim e cativando qualquer situacao. Desafios surgem na cabeca e muito me atraem. A possibilidade do passado diferente parece ser muito boa, mas de possibilidade à certeza nao parece que chegará rapidamente. Entao a certeza do novo ja vivido versus o mais novo a descobrir vivenciando loucamente como inovador, é o mais poderoso e pesado. Desse jeito, a disputa entre um antes modificado e um novo diferenciado nao será muito justa, tendo o segundo melhores oferendas.
Foi quando me dei conta que tentei engolir um momento que ja havia muito bem digerido e que de presente nada mais tem. E que minha mente tem novos desejos e novos passos que levam ao nunca alcancado e que sempre surpreende. Solidao jamais me cercou, mesmo com esses pensamentos. Inigualaveis estarão sempre por perto, parecidos estarão em grandes chances por ali tambem, e novos serão conhecidos.
A fumaca que sai da pistola ainda quente, porem esfriando, é o sinal mais evidente de que ali há uma morte que muito diz e deixa o fim de algo que antes só parecia estar acabando, mas já está acabado.
O mais evidente foi a delicadez do aflorecer de uma semente desabercebida semeada dentro de mim. Parece que seria algo distante, mas cada vez mais visto a forca que conquista. O muito que domina o pensamento passou a nao ser unico, porque se verificou que ali cabe muito mais a se cultivar, e ate mesmo uma eventual tristeza que ainda nao tenho, e espero que não tenha tão cedo, sombra de tentar se aproximar.
Aquilo tudo é a vida! Me trouxe a perceber o lugar em que estou, os poderes de decisoes, os efeitos que me alcancam, as possibilidades novas, e os novos proximos!
Achei a paixao: pela vida, pela felicidade, pela conquista, pelo avanco, pela melhora, pela inovacao e pelo outro. O outro pode ser o matado morto ou matado morrido, o pistolado e sobrevivente instigativo ou sobrevivente e nao compreensivel, e ate mesmo que tenta se esconder mas pode ser descoberto.
Eh onde a vida te põe: com todas as chances que voce e ela tem, fica claro o melhor lugar e eh pra la q voce vai! E vai muito gostando, nada criticando e o novo conquistando!!!
Que seja muito bem vivido!!!
Percebi que o que chegará mesmo está por me iluminar a mente, mas a certeza do que nao é ja noto logo.
Vi que a decisao de muito está presente, como tudo do que me afastei e do que eu visei proximidade. Só a alegria pode entao estar mais do que dentro de mim, como sobrando de mim e cativando qualquer situacao. Desafios surgem na cabeca e muito me atraem. A possibilidade do passado diferente parece ser muito boa, mas de possibilidade à certeza nao parece que chegará rapidamente. Entao a certeza do novo ja vivido versus o mais novo a descobrir vivenciando loucamente como inovador, é o mais poderoso e pesado. Desse jeito, a disputa entre um antes modificado e um novo diferenciado nao será muito justa, tendo o segundo melhores oferendas.
Foi quando me dei conta que tentei engolir um momento que ja havia muito bem digerido e que de presente nada mais tem. E que minha mente tem novos desejos e novos passos que levam ao nunca alcancado e que sempre surpreende. Solidao jamais me cercou, mesmo com esses pensamentos. Inigualaveis estarão sempre por perto, parecidos estarão em grandes chances por ali tambem, e novos serão conhecidos.
A fumaca que sai da pistola ainda quente, porem esfriando, é o sinal mais evidente de que ali há uma morte que muito diz e deixa o fim de algo que antes só parecia estar acabando, mas já está acabado.
O mais evidente foi a delicadez do aflorecer de uma semente desabercebida semeada dentro de mim. Parece que seria algo distante, mas cada vez mais visto a forca que conquista. O muito que domina o pensamento passou a nao ser unico, porque se verificou que ali cabe muito mais a se cultivar, e ate mesmo uma eventual tristeza que ainda nao tenho, e espero que não tenha tão cedo, sombra de tentar se aproximar.
Aquilo tudo é a vida! Me trouxe a perceber o lugar em que estou, os poderes de decisoes, os efeitos que me alcancam, as possibilidades novas, e os novos proximos!
Achei a paixao: pela vida, pela felicidade, pela conquista, pelo avanco, pela melhora, pela inovacao e pelo outro. O outro pode ser o matado morto ou matado morrido, o pistolado e sobrevivente instigativo ou sobrevivente e nao compreensivel, e ate mesmo que tenta se esconder mas pode ser descoberto.
Eh onde a vida te põe: com todas as chances que voce e ela tem, fica claro o melhor lugar e eh pra la q voce vai! E vai muito gostando, nada criticando e o novo conquistando!!!
Que seja muito bem vivido!!!
lunes, 8 de junio de 2009
Qdo vc descobre que so existe um Zap....
Qdo para de ventar no deserto por muito tempo eh ate mais perigoso do que quando venta demais. A falta da adrenalina que a cavalgada em direcao a uma batalha nos causa chega a ser insuportavel. Olho para o lado e nao vejo nenhuma delas. Fecho os olhos e tento sentir mais uma vez a sensacao de que alguma coisa iria acontecer...nada. Mas Zentania estava la ao meu lado e naquele momento talvez tivesse sido melhor que nao estivesse. Uma carta eh entregue em minhas maos e movida pela loucura que aquela calmaria estava me causando fui em busca do Pueblo que acreditava ser minha unica saida. Uma Pistolera escreve sua historia, uma Pistolera nao espera um convite para invadir um Pueblo, mas uma Pistolera tem que respeitar o deserto para que esse nunca vire-se contra ela. Naquele momento regras que nao existiam foram quebradas, cartas jogadas fora foram recolhidas e a ilusao de um encontro de almas inexistentes me atiraram a uma armadilha. Talvez o deserto as vezes torne-se muito seco, talvez as vezes o vento pare de soprar e talvez as companheiras as vezes separem-se para conquistar Pueblos diferentes.... Mas quando voce cai em uma armadilha no deserto, em uma ironia do destino ou em uma jogada arriscada.... eh bom que voce saiba..... O unico Zap que existe......eh voce!!!
lunes, 25 de mayo de 2009
El hambre
Num dia sem vento, a calma persiste. Peço algumas doses para o novo e velho pistolero do pueblo Bendito, ele sorri, depois do meu sorriso. Não atirei. Queria fingir que era meiga. Entre olhares e apostas com as outras pistoleras, um recado: Papi está perto do pueblo. Abandono o local de uma possível batalha e vou ao encontro de Papi. Ele reclama da ausência de minha madrinha, eu concordo plenamente. Saudade de um velho e bom tiroteio ao lado de Zarcas. Planos, planos e planos. Papi se despede. Em bando invadem o pueblo mais próximo. Dava até para escutar os tiros. Retorno a casa. Está vazia. Na janela nem el justiciero. Nem o cigarro no cinzeiro. Conto os dias para a festa na casa del señor Zara Jevo. Saravá!
ass: Zari
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