miércoles, 1 de abril de 2009

A Tragédia del Pueblo Parte IV


Uma luta assim tinha mesmo que ficar para história. Com um ar de maneirismo – uma mania de Michelangelo – o deserto guardava surpresas para las pistoleras. E nada mais perfeito do que uma emboscada começar no bar de La Princesa de la Margarita. E não tinha como desconfiar. Reparem leitor, Dom Sebatian tinha pensando em tudo. O pueblo já vazio, sem nenhuma alma viva, contava apenas com seus 200 homens disfarçados de garçons, comerciantes, bancários, mulheres e forasteros. As pistoleras nem desconfiaram quando chegaram no pueblo, andavam pela rua principal como se fosse um dia normal. Até entraram no bar e fizeram o ritual de sempre. Zizinha e Zarcas desafiaram uma dupla de forasteros na mesa de bilhar, Zali e Zezão encostaram-se na barra e viraram 7 doses de tequila. Não percebiam nenhuma das quatro, que o bar já estava mais cheio e que eles se aproximavam rapidamente. Quando elas perceberam alguma reação estranha, as quatro já estavam rendidas com armas nas cabeças. Uma a uma ia sendo revistada pelos piratas ordinários que recolhiam todas as pistolas, armas e até as facas. Em segundos, as mulheres lendárias do deserto estavam desarmadas ao redor de 70 homens fortes e suados, dispostos a acabarem com suas vidas e com o tal do blog. Até que Zizinha os convencem que seria mais justo e digno, uma luta sem armas, apenas no mano a mano. Mesmo que tivesse 70 homens para 4 mulheres, mesmo que seria tão rápido quanto, esse era o último desejo de uma aprendiz pistolera prestes a morrer em sua terra vivida. Os marujos caíram na risada e aderiram a ideia, viraram doses inúmeras de whisky e dançaram uma dança típica de pirata.

O molho pré pronto de tomate estava quase derramado no espaguete, só que dessa vez, o molho tinha um sabor suave de atum. E não se esqueçam do queijo ralado. Mas macarrão com molho de peixe não combina com queijo ralado, certo? Errado! Gosto não se discute. E para você leitor, que não está entendendo quase nada, eu explico. Entre Piratas do Caribe e Kill Bill existe Matrix. E as pistoleras sabiam muito bem disso.

Os 70 piratas deixaram todas as armas no chão da entrada do bar. Juan Pietro foi o primeiro pirata morto pelas pistoleras. Ele se levantou, bateu no peito - queria ser o primeiro a tentar matar uma pistolera - e mordeu a orelha de Zali. Num ato tão grosseiro, as três se levantaram e começaram a jogar mesas, cadeiras, bancos, garrafas em cima de todos os homens que estavam no bar. A confusão se instala, a porradaria predomina e o show começava. As pistoleras voavam, paralisavam no ar e terminavam com um golpe de Zráááá. Os marujos se surpreendiam que a cada golpe, um homem morto. José Marcondes saiu do bar atrás dos 130 homens e se deu conta que as armas deixadas por eles na porta do bar, tinham sumido. José conseguiu levar mais 70 homens para o bar. Chegaram atirando, mas as pistoleras também tinham armas, e muitas. Zezão tinha recolhidos todas as armas dos marujos. Tiroteio em série. O molho pré pronto de tomate estava derramado. Ainda faltavam 60 homens.

Após quatro horas seguidas de luta, as quatro param e se olham. Estavam suadas, cansadas, exaustas e o bar, além de destruído, com 140 corpos espalhados. Elas recolhem as melhores armas, saem do bar e assobiam para seus cavalos. Mas os cavalos não vêm. Mais um assobio e ao invés de cavalos, uma chuva de granadas. Las pistoleras voam longe, caem, sangram e mais um tiroteio contra os 60 últimos homens daquele pueblo. A poeira sobe, Trio Los Panchos não tocam e muito menos aparecem, cabelos arrancados, sangue espalhado, todos mortos, corpos no chão da esquerda para a direita: Zali, Zizinha, Zezão e Zarcas. As quatro não respiram. Permanecem ali, fáceis para qualquer inimigo acabar num segundo com a vida das lendárias pistoleras. A última esperança da boca de Zarcas para suas compañeras:

“Abram os olhos, reconheçam, há de ventar”...

domingo, 29 de marzo de 2009

A tragédia de El Pueblo – Parte III




Àqueles que vêm se contorcendo para acompanhar este épico-espaguete, assusta a simples idéia de um tragédia com nossas vitoriosas protagonistas. Mas, leitores, se a verba para nossa superprodução fosse maior, se nossos estúdios fossem alguns desertos acima, em Hollywood, lhes garantiria: o final seria feliz. Mas como nem a riqueza nem a moral reinam por aqui, não podemos lhes garantir que um cowboy do espaço chegue ao som de alguma trilha encorajadora e salve o povo. Este cowboy não existe. A terra, aqui, é seca demais. O destino de El Pueblo e das pistoleras está entregue às mãos do caso...

Para não perderem o fio a meada, o que ocorreu foi o seguinte: O rico e esperto Dom Sebastian de além-mar aportou nas terras de El Pueblo com o objetivo de dominar o povo e torná-lo escravo. Sob a retórica de um vida moderna e alicerçado de 200 homens armados, em duas semanas, estava morando no centro de El Pueblo e já fazia politicagens com os mais ricos da região e preparava algo semelhante a um Golpe de Estado, (embora, antes dele, o Estado só fosse algo de papel, uma vez que El Pueblo era regido pela lei de Talião, “Dente por dente, olho por olho”). Dom Sebastian já havia envolvido El Pueblo em suas garras e já tinha força para dominar a região. Faltava-lhe a consolidação política de seu poder. Mas, se desse um Golpe repentinamente, sem motivos aparentes, o Golpe faria transparecer sua má-intenção de dominar o povo e poderia gerar uma revolta sangrenta de todo o povo. Melhor seria forjar uma desculpa, uma batalha com poderosos da região e, após a vitória, tomar o Governo com a retórica de que, após a batalha, manteria a paz e o progresso na região. Um golpe perfeito. Dom Sebastian precisava, portanto, de um “pretexto” para dar seu golpe. Uma desculpa. As Pistoleras traduziram-se em uma isca.

Quando nossas heroínas chegaram de volta à vila, perceberam a densidade seca do ar e bem que se preparam para um confronto. Dom Sebastian montou uma falsa cena de assalto, que as fez intervirem, e imediatamente inaugurou um tiroteio com 200 homens atacando as heroínas. A macarronada desencadeada foi praticamente encharcada de molho ácido de tomate e se tornou intragável. Afogou a massa em tinta vermelha. Neste momento, as Pistoleras estão quase afogadas em sangue de molho pré-pronto e, sem elas, a palavra “esperança” fica destituída de significado para El Pueblo.

Mas, apesar de sua impressionante capacidade para prever os movimentos alheios, Dom Sebastian peca pelo excesso de auto-confiança. Seu maior inimigo, sem saber, não estava armado do lado oposto da rua, mas dentro de si, na sua prepotência. Ao preparar uma emboscada tão traiçoeira para as Pistoleras, conseguiu reduzir suas esperanças a zero, mas, ao mesmo tempo, gerou tal raiva em seus sangues ácidos, tal indignação, que, não fosse tão orgulhoso, deveria, ele mesmo, ter voltado à cena do crime para, olhando em seus olhos raivosos e desesperados, dar o tiro de misericórdia e acabar com a cena, com o deserto, com o blog e com a história. Mas Dom Sebastian não sujaria suas mãos com tempero tão grosseiro. Achou mais “poético” deixá-las se decompondo com insetos e mosquitos que se alimentavam lentamente das feridas das Pistoleras. Em breve, coiotes viriam apenas comer a carne ainda morna que, quase sem vida, enrolava-se na areia como um rocambole à milanesa.

Onde estavam El Justiciero, Zizzo, Trio Los Panchos, Boa Samaritana e os outros? Mortos? Se esqueceram delas?

A morte contava seus lentos e dolorosos segundos para triunfar.

Continua...

A Tragédia del Pueblo Parte II



A poeira desce. No chão de areia quase vermelha de tanto sangue derramado, corpos enfileirados. Não são os coyotes mortos e muito menos las mascaradas sujas. Dessa vez estão las pistoleras ensanguentadas, feridas e quase mortas. No chão, da esquerda para a direita: Zali, Zizinha, Zezão e Zarcas. As quatro nem respiram. Permanecem ali, fáceis para qualquer inimigo acabar num segundo com a vida das lendárias pistoleras. Nem El Justiciero e nem Zizzo estavam por perto. Nem mesmo Zaya, Zentania, Faísca e Zumba estavam ali para salvá-las. Depois de um lendário e único tiroteio na rua principal, o pueblo inteiro fugiu. Todos abandonaram o velho pueblo com medo. Deixaram as casas abertas, os comércios sem donos e a cidade vazia. Não tinha ninguém para lutar por el pueblo, para honrar o passado. As pistoleras lutaram e defenderam o sangue. Por mais que pudesse ser a última batalha, a última gota de sangue, o último post. Que fosse o último...

Eram 200 forasteros americanos, nenhum a cavalo. Esqueçam Kill Bill, porque o que aconteceu naquele tiroteio foi exatamente Matrix...

jueves, 26 de marzo de 2009

Quando a vida pede truco!!!!

Quando passeava pelo deserto naquela noite nada nem o vento me avisou do que estava prestes a acontecer. Sai com duas das mais novas pistolas que adquiri no meu ultimo encontro com El Justiceiro....sabia que iria usa-las, porem, nao sabia que um simples tiro provocaria a primeira avalanche vista ate entao no deserto. Chamei esse fenomeno de Zarzov afinal so havia uma explicacao para tal acontecimento....e naquele momento o deserto tremeu.
Olhei para os lados para ver se Zari e Zezao tambem haviam sentido, mas embaladas pelo Trio Los Panchos seguiram dancando e celebrando.
Parti a procura dele, mas ele tinha sumido sem deixar rastros. Parti esperando o vento soprar mais forte como o de costume...pq para o vento eu estava pronta, mas nao foi ele que chegou...
As pistoleras tambem sao boas com as cartas.....mas um Zap no deserto eh praticamente tao impossivel quanto a avalanche....mas ele existe e quando chega agente sabe.
Com o casal maior na mao em qualquer lugar do mundo aquela jogada seria perfeita...mas nao naquele Pueblo naquele momento..... Com a vinda da avalanche o Zap foi arremessado antes do jogo acabar. Eu olhei p o infinito e vi aquela fumaca branca se aproximando se aproximando.....
Meus olhos se fecharam e a respiracao parou................
(To be continued)

A tragédia de El Pueblo - Parte I


A barbárie é o estado de coisas no qual a irracionalidade toma conta da organização social e põe frente a frente homens anônimos.

Há, porém, dois tipos de barbárie. Uma arcaica, bruta e direta, e outra mais sofisticada, revestida com o véu ideológico da democracia moderna. Na primeira, não há contradições, mas conflitos diretos e claros, à luz do dia, na rua principal, olhos nos olhos, e, cada qual, com apenas uma arma. Há miséria, mas há justiça. O povo e sua barbárie se organizam pela soma desses conflitos. Não há mistério quanto às forças políticas. Na segunda, os conflitos são velados e se estendem anos a fio, obscurecidos por formas institucionais e burocráticas. E conflitos assim estabelecidos, sem resolução, estancados na história, pela sua permanência, ganham um status maior. A esta característica moderna, dá-se o nome de contradição social.

A vila de El Pueblo está, neste estágio de sua história, com um pé no passado e outro dando o seu primeiro passo no presente. Se, há menos de 50 anos, El Pueblo vivia conflitos armados diretos por terra, mulheres, armas e vinganças, hoje, começa a desfocar esse espectro e se formar um novo paradigma, mais velado e desfocado. Uma nova casta ameaça entrar pacificamente na vida comum de forma a violentar este povo com a aparência mágica de normalidade.

Se a vida no passado era ruim, agora, sem que o saibam, será pior ainda. Mesmo com as promessas de fim da fome, distribuição de terras e emprego, anuncia-se a formação de uma nova classe social que ocupará o topo da cadeia alimentar social de El Pueblo.

Para ocupar tal trono, esta nova classe sabe que tem que alternar a melhoria de vida de El Pueblo e, ao mesmo tempo, extorqui-la da forma mais sutil e astuta possível. Trata-se de um plano sagaz. Se tal plano falhar, a nova classe pode ser barbaramente deposta, ao estilo antigo.
Pois bem, ninguém sai de seu trono macio e respeitado do outro lado do mundo para vir a essas terras roídas arriscar sua carne a troco de banana. Ou sairiam?

Esta classe, novos coiotes, não vieram explorar tecnologia de ponta, nem indústria pesada, mas agricultura e, como sempre, trabalho barato. Seu lucro, neste caso, provém da forma mais clássica, embora moderna, de enriquecimento: escravidão, vide trabalho não pago, vide extração do que Marcus chamou de mais-valia.

El Pueblo, porém, não é burro, e, ao menor sinal de desconfiança, acaba com a festa dos pretendentes a novos navegantes. E os novos coiotes que vêm armados de muito dinheiro não querem ter uma bala de espingarda descendo goela abaixo sob um sol ácido de 40 graus. Para isso, leitores, existe o pulo do gato, existe o véu, a retórica sedutora de uma vida moderna.
Dom Sebastiam é um homem de bigodes apreciador de poesia e música clássica, conhecedor de história, amante de mulheres lindas, excelente comandante e orador. Nas suas narinas, passa um ar levemente temperado e ácido, mas inebriante, que eleva sua mente a pretensões quase divinas. Sua ambição é quase do tamanho de sua astúcia, o que não impede que, com um pouco de sorte ou fraqueza alheia, esta astúcia conduza-o às suas pretenções.

Ao chegar em El Pueblo, com as piores intenções e acompanhado de 200 homens organizados, armados e fiéis, deparou-se com um povo silencioso e de pretensões tão rasas quanto as raízes do solo. Só de chegar, já sentiu-se dono do lugar e passou a comprar casas e se achegar aos um pouco mais afortunados da região. Quase que naturalmente começou a tomar aquele povo de longo passado sem derramar uma única gota de sangue, apenas com a coerção que aqueles 200 homens exerciam. Mas a história tem lá seus saltos repentinos...

Cerca de duas semanas após sua acomodação no local, por acaso, nossas heroínas, sempre provindas de alguma aventura fantástica, aportaram seus cavalos e, ao colocar os pés na areia rasa, estancaram o movimento e, lentamente, sentindo o novo ar mais pesado, aplainaram suas atenções para algo novo, embora desconhecido. Se entreolharam como quem confirma o ineditismo do clímax e, astutas, fingindo serem quaisquer anônimas, adentraram andando naturalmente no meio da quase desértica rua principal de El Pueblo observando velhos nas sacadas e crianças brincando em duplas sentadinhas nos cantos, sem perder a atenção à estreiteza que a situação parecia anunciar.

Espontâneas e astutas, elas sempre estavam preparadas para se impressionarem com algo novo sem perder a precisão objetiva de suas mentes e mãos. Mas, como vimos, este encontro não se traduziria em um conflito comum, mas em um encontro de águas anunciado há 500 anos e cuja conseqüência deslocaria o eixo histórico daquele fundo mundo seco de gente, carne e galhos. Elas, bem sabemos, não sabiam disso. Não conheciam a profundidade história do conflito que as aguardava naquele futuro imediato daqui a poucos segundos. Embora astutas, elas não haviam desenvolvido tamanha perspicácia unicamente porque nunca haviam confrontado um inimigo que sabia não se apresentar como inimigo. Um inimigo que cuja astúcia estava em saber fazer-se desfocar frente uma arma clássica, arcaica e direta. Um inimigo que, na sua modernidade, sabia desmanchar-se no ar.

Sob uma câmera alta sobre a rua principal, as 4 ou 5 caminham feito presas sob sol quente cidadela adentro rumo a um confronto entre o passado e o futuro. O inimigo soube montar um cenário de luta no qual, uma vez iniciado o tiroteio bárbaro, poderia simplesmente dissipar-se, ausentar-se da luta, para, depois, findado o dilúvio, mortos os inimigos, retornar ao campo de batalha e recolher os corpos, as carteiras e o dinheiro e sentar-se no trono, como um rei clássico, e celebrar, sozinho, dono de tudo, o triunfo da modernidade bárbara. Uma tragédia estava anunciada.

Continua...

miércoles, 25 de marzo de 2009

AMSTERBAM: a histórica terra proibida

Ao escutar o último coiote uivando na última noite de lua crescente, sabia que o dia que estava apontando prometia... Um daqueles dias em que o frio na minha barriga por sede de vingança me fazia acordar mais cedo.
“Só um gole d´água de um cacto e já basta!” – Já me sentia revigorada, depois de longos dias caçando na seca do deserto, mesmo sabendo que as energias nunca eram suficientes para suportar as duras batalhas de uma noite de lua cheia!
Porém, todos sabem: uma pistolera nunca desiste! Mesma que tenha que vender a alma ao diabo, mesmo que arrisque sua vida!
Subitamente, uma idéia louca me veio à mente: ir em busca das terras nunca antes adentradas pelas minhas companheiras de batalha. Montei em Zumbá e parti rumo à terra proibida, onde os fracos não têm vez e onde o risco é maior do que o que se pode ganhar com ele.
Cavalguei por horas sob um sol escaldante que me fazia perder a razão, porém nunca o desejo adormecido que me motivava!
Quando finalmente o sol se escondia atrás de montes de areia, avistei aquele pueblo tão temido, que de forma nunca antes vista, festejava. Festejava o fim dos dias da dor, que para eles estava por vir.
Amarrei Zumbá ainda longe de meu destino, para que seus relinchos não despertassem suspeitas. Uma calça preta cobria minhas pernas do frio noturno, longas botas me protegiam de cobras indesejadas que um dia mataram minha fome por serem a única opção, e uma capa encapuzada acobertava minha face para que meus inimigos não me reconhecessem.
Achei que a alegria e o calor de suas celebrações, na escuridão da noite, me deixariam passar desapercebida. Amargo engano, ocasionado pela cegueira de uma mulher que não via o perigo, apenas via e focava sua nova conquista, a conquista da terra histórica!
Entretanto, rapidamente fui descoberta e virei alvo de um povo enfurecido; tiros vinham de todas as direções, mas eu me esquivava loucamente!
E então, no meio de todos aqueles ataques frustrados, no meio de todo aquele fervor, avistei alguém que ali não pertencia. Certamente não era um deles; um daqueles seres fortes e irrefutáveis. Ali não era seu lugar, não era lugar para um ser pequeno, inexperiente, indefeso, distraído, inocente. Alvo fácil!!! Nele, vi minha única forma de escapar: usá-lo como escudo, afinal, podia ele não pertencer aquele histórico mundo, mas para ali se encontrar, devia ter seu valor reconhecido por aquele pueblo enraivecido.
Finalmente, quando a distância tomada de Amsterbam se bastava segura, o encontro de olhares entre meu escudo e eu foi inevitável: vi nele o reflexo do asqueroso mundo histórico sob a ótica de uma virgem menina. Aquilo em nada podia me agradar; do contrário, só despertava mais a revolta em mim por ter perdido uma batalha! E como o mundo é dos mais fortes, não resisti! Não sairia daquela por baixo! O ego falou mais alto...
Com um rápido movimento ZRÁ!!! O sangue derramado na areia refletia a lua cheia e aquele que devia ser uma espécie de amuleto pro pueblo pungente, em seu último ato em vida, despertou em mim um ato desonroso e covardio....
Ao meu lado, restou apenas Zumbá. Somente ele, companheiro, para acolher tal ato vergonhoso com um olhar carinhoso! Afinal, o que seria de uma pistolera em terras proibidas sem seu fiel amigo, seu cavalo salvador...

miércoles, 18 de marzo de 2009

E o deserto se despede de Zermana


Quando o dia amanheceu as nuvens corriam pelo céu. Zestre dos Zagos passava pela frente da casa das pistoleras cantando Adiós. Zizinha abriu a porta, correu para fora de casa e ficou atrás da pilar olhando a cena. Zestre dos Zagos fazia magia. Cantava para as nuvens correr mais rápido pelo céu. Ele invocava o sol. Nas lendas do deserto, o céu tem que estar limpo durante uma festa tão importante. E as nuvem obedeceram.

Naquela tarde o vento não apareceu e o calor tomou conta do deserto. Diante de tanta areia, as flores, não as dos cactos, mas alaranjadas e ao lado um vermelho brilhante de pimentas. Um toque para afastar qualquer tipo de azar. Zermana comemorava sua despedida do deserto com muito gosto. E acreditem estavam todos presentes: Trio Los Panchos, El Justiciero, Zizzo, Zotta, Zari, Zali, Zarcas, Zatty, Zarcus, ZeZão, Zé, Zibi, Zol, Zila, Zailarina, Zoca e assim por diante. Os pueblos se juntaram e comemoravam com muitos Zs!! E numa festa tão linda, as pistoleras embriagadas se empolgaram e saíram atirando em quase todos os convidados. Forasteros de pueblos distantes também marcaram presença. Na pista: um baile regado a muito tiroteio. Não posso contar aqui quem foram os feridos, até porque, esse é quase sempre um dos últimos pedidos dos feridos: não me identifique, por favor. E como pistoleras não mentem, não erram a pontaria (ZRÁ) e segredo é segredo, quem não foi, perdeu! Zrá!

martes, 10 de marzo de 2009

La Fiesta del Viento!


Fazia uma semana. Talvez tenha sido o tempo mais longo que o deserto suportou. Fazia uma semana em que o vento não passava pelas areias do deserto. Algo parecido só aconteceu quando eu tinha 5 anos. Lembro exatamente da cena em que minha mãe conversava com minha tia na sala de almoço. As duas tomavam chá gelado com raspas de limão num copo azulado transparente. Mamãe vestia um vestido amarelo e minha tia uma calça marrom justa, botas pretas e uma blusa branca. Os chapéus estavam apoiados nas cadeiras. A Tia Zoly se queixava. Dizia que jamais tinha visto algo assim: 6 dias sem ventar no deserto. Mamãe não dizia nada, só bebia e esperava meu pai chegar para dar alguma opinião. Naquela noite, o pueblo inteiro se juntou. Acreditaram que se existisse uma celebração, o vento voltaria. E ele realmente voltou.

Na sétima noite, reunimos o pueblo para uma nova era. Precisava voltar a ventar! A festa foi regada a Zrás! Tinham até balões de gás. Algo que remetia a infância. Talvez só trazendo a infância de volta, poderíamos nos despedir do ciclo que terminava. Era a hora de novos ares, novos ventos e novos pueblos. O cemitério estava cheio. Os Zs já estavam por quase todas as partes. E assim que a natureza percebeu que já tínhamos lavado nossas almas, o vento voltou calmamente, quase como uma brisa. E acreditem!! Mais uma vez, a lenda do deserto: a chuva de purpurina passou, mas só pelos olhos de alguns…


No céu, o dia amanhecia, o vento trazia o cheiro de flores e os tiros espalhavam uma nova história!

sábado, 7 de marzo de 2009

Quando o deserto te engole... (vai e volta, viu, vindinha)

Um dia eu acordei e ao olhar a alvorada que todas as manhas batia sobre os cactos ao redor da minha tenda, velha de guerra tenda, não senti a areia entre meus dedos, não vi os cactos, reluzindo, sorrindo, dourados, não senti o perfume da bruma do deserto, que traz consigo o cheiro de sangue de batalhas há muito vividas e deixadas para trás. E só o cheiro, porque essas batalhas não mais faziam parte da minha vida."Uma vez pistolera, sempre pistolera!" - dizem elas. Mas ex-pistolera eu era! Tinha a segurança de acordar todas as manhas e não ter marcas de sangue em minhas roupas; saber que ali eu nao arriscava ferir ninguém, nem ser ferida! So que um dia eu acordei e a areia não senti entre meus dedos... Olhando pela porta, era como se o deserto se alongasse mais do que nunca! Não mais via as montanhas dos vilarejos dos pueblos vizinhos, não mais via os cactos, não mais via minha tenda! Era só eu! O calor dos dias do deserto já não me confortava mais! O frio das noites do deserto já não me fazia espairecer mais! Era como um perfeito estranho, o qual eu nunca havia conhecido... E então, quando a falta de um norte deixava o delírio tomar conta de minha mente, eu as avistei! Preparadas como sempre: montadas em seus cavalos, com suas armas empunhadas, seus cabelos esvoaçantes, o suor tomando conta de seus corpos e as novas marcas de tiroteios, os quais somente ouvi dizer. Sabia que nem tudo estava perdido e que agora, aquela antiga frase fazia muito mais sentido: uma vez pistolera... De imediato, um vento bateu, o cheiro de sangue, agora fresco, a areia voando entre meus dedos; estava em minha tenda novamente! Mas não era a mesma tenda, não era o mesmo deserto, não eram os mesmos cactos, e o melhor de tudo e que não eram os mesmos inimigos!!!Novas aventuras estavam por vir! As batalhas passadas tinham que ser esquecidas! Novos tiroteios, novas vitimas, novas celebracoes! Assobiei e Zumba veio galopando ao meu encontro."Balas na agulha, minhas queridas pistoleras, que Zali is back on the game!"

jueves, 5 de marzo de 2009

Acelera Zezão!!!!

A porta abre bruscamente com a força do vento. Zizinha caminha até a porta, e olha novamente para o horizonte. E no horizonte, mais uma vez, não existe nada mais que o horizonte, nem sequer uma sombra. E era somente uma sombra que ela gostaria de encontrar naquela manhã. Zizia passa pela sala segurando as malas. Estava na hora delas partirem. Mas ainda nao podiam. Tinham pouco tempo para resgatá-la. Se elas fossem exatamente naquela hora, uma das pistolera ficaria para trás.

As duas se olham e resolvem lutar contra o tempo. Elas partem com seus cavalos, mas partem para a direção oposta. Elas iam atras de Zezão. Procuram pelo centro do pueblo e ninguem sabia de Zezão. Na verdade, ninguém jamais a viu. Só restou um lugar: La Casa de Zotô. Depois de 20 minutos, as pistoleras chegam na casa de Zotô - um dos maiores forasteros do deserto. Entram na casa e se deparam com 30 mulheres flechadas e grudadas na parede. Entre elas, Zezão esparramada na parede central da casa. As pistoleras retiraram a flecha e colocaram a pistolera em cima de Ventania.

Zezão apenas abre os olhos, respira fundo e:

- Gracias chicas!

As pistoleras se olham e abrem um sorriso. Missão comprida. A pistolera que admirava as cores amarela e preta estava de volta. E agora, elas três sabiam do próximo destino: el pueblo nueva era!

WELCOME

QUE VENGAN LAS NUEVAS E SE QUEDEM LAS VIEJAS!
PARA MIS ZERMANAS PISTOLERAS...SALUD!

Por el camino del desierto
El viento me despeina
Sube el aroma de colita
Luna, luna de nadie
Ella a lo lejos
Una luz centela
La idea de mi estar
Quedar por la noche
Alli estaba a la entrada
Y las campanas a sonar
Y me di con llamarme mismo
Que es puerta del cielo
Ella enciende una vela
En muestra del camino
Suenan voces en el corredor
Y lo que indican diciendo
"Welcome to the Hotel California
Such a lovely place
Such a lovely place"
Ella al lado que brillaba
Tenia una Mercedes
Rodeada de chicos guapos
Ella llamaba amigos
Cuando viene despacio
Del tumba de verano
Aquel era pa'recordar
Y otro pa' olvidar
Le pedi al capitan
Que sirve el vino
Y pedi con un amor
Tenido este alcohol
De este sesenta y nueve
Famosa y que llamando
Pues me va a despertar
La noche para decir
El espejo en el techo
Champana en el hielo
Y ella dijo somos todos prisioneros
De propia voluntad
Y en los cuartos principales
Hacen sus siestas
Hasta aca a la bestia
Pero no la logra a matar
Mi ultimo recuerdo
Corria hacia la puerta
Ver una candela en el camino
Por donde habia llegado
"Relax" dijo el portero
Por mi es honor recibir
Puede salir cuando quiere
Pero nunca yo partir

miércoles, 4 de marzo de 2009

A lenda da pistola dourada

No meio de tanta gente naquela noite, eu só tinha um pensamento: a chuva de purpurina! A mais nova lenda estava no presente! Confesso que nessa noite, nenhuma pistolera pensou em cometer um crime, afinal, só tínhamos que comemorar. Zov estava lá nos ensinando como agir em quase todas as ocasiões. E ai, você entende o porque somos tão parecidas com as nossas madrinhas. Somos quase clones. Dizem los señores más viejos que fora do deserto essa lenda de clone das madrinhas é ainda maior. Diante de tanta comemoração, eu deixei minha arma em cima da mesa e obviamente que ela sumiu bem na hora que eu precisava dela. No momento de apuros, Zarcas e Zezão estavam ocupadas demais para me ajudarem. Restou apenas pedir para a pistolera mais rápida do deserto: Zov. Pedi delicadamente a pistola dourada de Zov e ela só me emprestaria se eu atirasse exatamente dali, do lado dela. Reclamei um poquinho, disse que estava muito longe e ... outra lenda! A bala sai em camera lenta da pistola dourada de Zov, traça um caminho diferente e atravessa exatamente o meio do peito do forastero. A luz se apaga, o silêncio é invadido por trocas de tiros e Trio los Panchos não aparece. Na manhã seguinte, entre a areia, as flores e as purpurinas.

miércoles, 25 de febrero de 2009

Deserto te estraño!












Eu estava começando a escrever de como estou sentindo falta do deserto, quando recebo uma carta de Zari!!!! Zari por onde você andava??? Esses dias cheguei a conclusão que entre as pistoleras, todas tem seu momento de madrinha, e nesses últimos dias, Zari foi a minha!!! Ela manteve seus olhos bem aberto, avistou o perigo de longe, o perigo e as oportunidades, fez o que tinha que ser feito... Enquanto isso, olho pra fora de minha cabana e me deparo com o deserto.... ele olha para mim e sorri...... Os sinos tocam anunciando a chegada de um fenomeno que estava prestes a acontecer..... o encontro do passado com o presente e com o futuro..... Pera um pouquinho.... Estava eu escrevendo agora isso depois que os sinos tocaram e eles acabaram de tocar mais uma vez....... Seria um sinal? Pelo menos foi assim que interpretei..... O dia estava quase amanhecendo, peguei Ventania e sai sem olhar para trás. O deserto estava cheio de acontecimentos, porém meu destino já estava traçado.... Em outras épocas acho que não teria ido, mas hoje..... fui. Varias comemorações aconteceram, Pueblos nunca antes explorados e pessoas nunca antes vistas...... os primeiros raios de sol surgiram e continuei minha jornada sem pensar em outros caminhos. No deserto tem que ter coragem para enfrentar um furacão, porque ele muda nosso caminho... as dunas se movem e o Pueblo que estava lá um dia... no outro não está mais. O passado se fez presente e o presente se fez passado.... O Presente que virou passado...por lá ficará.... agora o passado que virou presente....

martes, 24 de febrero de 2009

A lenda da chuva de purpurina


Tudo começou na semana passada. E acreditem, nem los senores más viejos del deserto desconfiaram. O vento anunciava a sua chegada, e como de costume, todos esperavam o cheiro e o presente trazido por ele. Mas o vento dessa vez não trouxe, até porque, não era o vento. Aquilo ali tinha outro nome. Era inédito! Recebemos pela primeira vez na história do deserto, o furacão.

Depois que ele passou, não teve luta, não teve ataques e nem guerra. Naquela noite só teve celebração. Convocamos um pequeno baile en San Pedro del Max. Afinal, o furacão tinha trazido coisas novas e destruiu tudo aquilo que era velho sem utilidade. Restaram os cactos e quase todos os personagens do filme. Além disso, chovia purpurina. Estranho de imaginar, mas imaginem, a história do deserto mudou!


E tenha certeza só de uma coisa: depois do furacão, quase tudo no deserto, virou lenda....


Na porta, ela. Vestida de vermelho com um cravo branco na boca. Seu corpo curvado estava molhado de tanto suor. Ela caminha com passos lentos e fortes até a mesa de bilhar, se apóia, cospe o cravo na mesa e vira delicadamente a dose de tequila. Ele, forasteiro e aprendiz, se aproxima e fala em seus ouvidos:

-Mi amor, no quieres...

(TUM)

Cai o corpo do forasteiro e aprendiz sobre o jogo de bilhar. O sangue escorre e mancha o verde da mesa. A música para. Todos a olham. O silêncio toma conta da festa. Nenhum barulho do vento! Ela pega o cravo branco e coloca entre seus seios. Caminha até o balcão e pede sensualmente mais uma dose de tequila.

- Yo lo sabia que un dia volverias, amor! canta ele

- Si?? Que rico guapo!!! Pero, tengo que te decir que estoy de paso! - avisa ela

- No lo puedo crer, amor de mi vida! Tu eres la mejor pistolera del deserto! Tu eres la mejor! Todas ya lo saben!!!

- Si, es verdad! ¿¿Y donde están mis companeras?? Hace tiempo que no las veo!!!

- Están bien, carino!! Ahora la aduna de Tijuana son dellas!!!

- Zraaaaaaaaaa!!!! No lo creoooo!!! Joder!! "Una vez pistolera, siempre pistolera"!!!

- Zra! Es verdad. Mira guapa, las pistoleras se quedarán muy contentas que tu estás aqui!!! Ellas están ali afuera, pues hay la lluvia de purpurina!

Apoiada ainda no balcão, ao lado do copo de tequila vazio, ela abre um sorriso saudoso e olha a cena pelo pedaço quebrado da janela: As três compañeras dançando enlouquecidas embaixo da chuva de purpurina. Ela sequer se move; seus olhos transbordam lágrimas e a saudade esmaga o coração.

A lenda tinha voltado, não para ficar, mas para ensinar. A pistolera mais rápida do deserto se chamava Zov e era madrinha de Zarcas. Foi um reencontro histórico para as pistoleras. E os señores más viejos del deserto espalham por ai, que foi por esse motivo que choveu purpurina. E depois daquela noite, ninguém jamais a viu.

martes, 17 de febrero de 2009

Cada um com seu cavalo


Toda pistolera tem além de uma madrinha, um padrinho. A diferença é básica. A madrinha é aquela que fica sempre do teu lado em todas as batalhas. Ela é um exemplo. Você se inspira ao ver de perto ela atirando, andando a cavalo, lutando, jogando bilhar. Cada pistolera tem um tipo de madrinha, e a minha se chama Zarcas. Já o padrinho te ensina coisas da vida apenas com as palavras. Ele vai falando, falando, falando e você só anotando num caderninho. Além disso, o padrinho sempre te receberá a qualquer horário do dia e da noite. A primeira frase que você anota no caderninho quando conhece seu padrinho é “Mi casa, tu casa”, por isso chamamos nossos padrinhos de Papi.



Mas hoje, não tem Trio los Panchos, nem el Justiciero, e nem Zizzo.

Hoje só tem Passado.



Numa arriscada viagem de madrugada pela carretera do deserto rojo, desviamos de um tiroteio de coyotes enfurecidos em busca da aduana de Tijuana. (mal sabem eles, que a aduana é nossa). Quando vimos que os tiros estavam próximos, saímos de la carretera e seguimos pela direita. E como estava de madrugada, não lemos a placa: Estrada do Passado. Eu e Zarcas continuávamos correndo com nossos cavalos sem reconhecer a estrada e quando paramos para ouvir o vento, vimos o castelo de nuestro Papito. Sem pensar duas vezes, entramos e fomos recebidas com uma grande festa com direito até mariaches.

Papito comemorou até a última gota de álcool, estava feliz que tínhamos ido visitá-lo. Convocou os melhores garçons, os melhores mariaches e a melhor comida. Papito está com problemas de visão há mais de 3 anos e por isso, não pode mais atirar. Mas mesmo assim, nos deu os melhores conselhos sobre la carretera que devíamos pegar sem correr riscos de cruzar qualquer tiroteio. Além disso, nos ofereceu o quarto mais aconchegante do castelo: o quarto roxo! A mistura mais maluca que já presenciei em toda minha vida: Dois blogs juntos. Nós pistoleras dormindo no País do Sonho.

Acordamos de manhãzinha, pegamos nossos cavalos e fomos em direção a la casita amarilla. Depois de 20 anos, eu voltaria a ver o meu Papi Zadah. E sem querer deixar um clima de ciúmes, o Papi Zadah preparou uma festa maior ainda que Papito. Depois de muito choro, Papi foi me contando o porque era na verdade meu papi. Zadah foi um grande pistolero na década de 90, ficou famoso quando fugiu de 30 coyotes num caminhão de leite, e é conhecido como o rei da peteca. Papi me batizou de Zari e assisti em grande cena um tiroteio entre minha madrinha e meu padrinho. Depois de quase 24 horas na casa de Papi, fugi pela janela da cozinha. Aprendiz, encontrei Papi ao lado de Faísca.

- Zari? Você lembra daquela frase que te ensinei quando você ainda tinha quatro anos e estávamos no Zarque Bang Bang?
- Lembro, Papi.
- Qual era? – pergunta ele.
- Que nunca devemos atirar em pessoas que estão a pé pelo deserto! Só devemos atirar em pessoas que estão à nossa altura, cada um com seu cavalo.

Papi beija minha testa, me abraça e me ajuda a subir no Faísca. Prometo uma visita breve e saio correndo com Faísca. Lá de longe ele ainda grita:

- Pessoas que invadem o deserto a pé não merecem balas!!! Eles são tão perdedores que os cactos dão um jeito neles!

domingo, 15 de febrero de 2009

El deserto de San Francisco.

To be continued.......

miércoles, 11 de febrero de 2009

Voy a quemar tu casa !

Nem sempre uma batalha começa sem um aviso. E nem sempre o aviso está grudado nas paredes. Às vezes ele é cantado acompanhado de uma boa salsa dentro de um bar no meio do deserto.

Para deixar qualquer pistolera com raiva é só mexer com as ex-pistoleras. Sim, porque qualquer pistolera no deserto se garante, puxa o gatilho e pummm, o corpo cai sobre o próprio sangue na areia seca. Difícil é acertar alguma pistolera, porque toda pistolera guarda em segredo seu passado. É nele que vem o aprendizado dos pais, a primeira vez que ganhou uma pistola, a primeira vez que matou um pássaro em cima de um cacto. Haja história. As ex-pistoleras também têm passados, mas por algum motivo, tudo fica meio embasado, e mal sabem atirar ou mesmo se defender.

Acontece que existe uma casa ali no pueblo Zargants que está causando e a vizinhança não pára de reclamar. Na última noite ameaçou uma de nossas ex-pistoleras. E isso bastou.

Naquela tarde sabíamos que o pessoal da casa estaria bem ali, na nossa mira, no bar Zegas. Sem pensar pulei de Faísca e avisei as pistoleras que entraria no bar e quem quisesse que viesse junto. E obviamente que atrás de mim estavam Zarcas, Zezão e Zela gritando Zráááaááá! O bar guardava um ar de mistério. Parecia até que nos esperavam. Os homens que jogavam bilhar, quando nos viram, pararam e viraram rapidamente seus copos de whiskys. O trio Los Panchos já estava em seu determinado lugar, pronto para tocar. Todos eles ali acreditavam que mais uma vez o sangue seria espalhado por todos os lados. Mas estavam todos enganados. Era só um aviso. Trio Los Panchos tocava uma salsa e nós cantávamos:


Que mala costumbre tienes estas metiendo la PATA
donde no te llaman,
estar pendiente a las cosas que no te interesan
y me estoy cansando de tu HYPOCRESIA
y tu sabes bien, que yo no tengo paciencia
te voy a hacer un asalto cualquier dia de estos
o voy a QUEMAR TU CASA pa' que te muden del barrio

el vecino del frente me tiene cansado por que?
por estar pendiente a la vida ajena

el vecino del frente me tiene cansado por que?
por estar pendiente a la vida ajena

la historia que hoy les cuento es una historia real
de un hombre que se adelanta a lo que puede pasar
que siempre esta preguntando, que siempre esta protestando,
e indagando de la vida ajena
y me estoy cansando de su hypocresia
te voy a hacer un asalto cualquier dia de estos,
o voy a quemar tu casa pa' que te muden del barrio.

el vecino del frente me tiene cansado por que?
por estar pendiente a la vida ajena

oye no te metas en mis asuntos
mira pa' otro lado, mira pa' otro lado
siempre metiendo la pata donde no te llaman
mira pa' otro lado, pa' otro lado.

basta ya! no molestes a la gente
porque de esa manera, tu pones malo el ambiente!

hay mucho comentario
la gente dice que hablas demasiado
y con pocas palabras te digo
que pare ese chisme o lo paro yo
basta ya! no molestes a la gente
porque de esa manera, tu pones malo el ambiente!
quedate bien lejos de mi casa
mucha gente esta brava
la peña esta nerviosa
por esa cosa que estas diciendo
creo que en el barrio te estan buscando
basta ya! no molestes a la gente
porque de esa manera, tu pones malo el ambiente!

te voy a hacer un asalto pa' que te calles y pares el chisme
para mi gente yo traigo
mi ritmo canta solo
te lo doy es mi regalo

te voy a hacer un asalto pa' que te calles y pares el chisme
yo voy a seguir bailando
y ningun comentario
podra hacer que pare el sonido

te voy a hacer un asalto pa' que te calles y pares el chisme
no te metas tu conmigo
porque tengo en mi casa un monton de amigos!!

lunes, 9 de febrero de 2009

ZraZraZra!!!!!





Qué puedo decir. En el lugar cierto, en la hora correcta y con la bala perfecta!!!!

jueves, 5 de febrero de 2009

O méxico, aqui

Hoje não tem festa, não tem música, não tem diversão.




Debaixo dos nossos pés, ergue-se uma massa gigantesca, 60 mil moradores, só metade escolarizados, mais de um quarto desempregado, cercados por 20 e cinco mil milionários mais quinhentos brucutus armados de 12s, cavalos, carros, bombas e cassetetes.

O cínico cenário social da tragifarsa só não estava visível para quem não quisesse ver.



Atrás de um ladrão de caminhonete, os brucutus entraram a toda ruelas adentro, de 12 na mão, para cumprir seu dever junto ao Estado. São homens que ganham pouco pelo serviço sujo, mas convictos de que, ao servirem ao Rei, servem ao povo. E o povo, ciente de que, antes de tudo, já vive o estado de sítio, prefere o bandido ao mocinho, simplesmente porque o bandido olha na sua cara, e que o Rei, quando olha, só vê lixo e problema a ser varrido.

Cossacos metidos a Charles Bronson.



Mas o problema não se reduz a uma historieta novelesca. Não se trata de roteiro de romance onde o final já se deduz no começo. Não se trata de um roteiro onde o mocinho está na esquerda e o bandido na direita. A Flora vai morrer? Lá longe, vai, mas, aqui do lado, sabe lá Deus. Se partirmos do princípio de que o povo é o oprimido, e o Rei, o opressor, quem são os cossacos metidos a Charles Bronsom? Os opressores? Mas quem é essa classe alta que, lavando as mãos, defende à distancia, num blog, o povo?

O problema todo fica mais complexo, embora sob uma falsa aparência simplista, quando noticiado pelos helicópteros da mídia televisiva. Os periodistas fazem do problema um espetáculo. E, enquanto espetáculo, montam o cenário dividido apenas entre bandidos e mocinhos. Fica mais fácil para o espectador entender.

A simplificação do fato o torna, em verdade, mais complexo. Primeiro, porque é falsa. Em segundo, porque, ao sobrepor uma nova imagem falsa à coisa, cria uma terceira coisa já viciada. E, disto, se deduz que a mídia é, também, um poder. Mas, quem são as fontes da mídia? Os cossacos?

O deserto, onde os conflitos de classe se reduzem a conflitos diretos entre dois cabrons, ficou pasmo frente a complexidade e a violência do conflito. Ficou estático. Suspendeu sua história para chorar a alheia. Acostumado a macarronadas, enquietou-se frente um dilúvio social.

El Justiciero baixa a cabeça, entende a estrutura e, impotente, silencia-se.

Talvez, daqui pra frente, os conflitos mudem de direção...

lunes, 2 de febrero de 2009

Às vezes as balas são de festim!!!!!

Uma festa no deserto pode começar calma mas nunca termina ate que as chamas possam ser vistas de longe.

Ao entrar cavalgando com Ventania encontrei as companheiras já em suas posições... Zizinha com seu novo olhar, aquele olhar de guerreira que há muito estava adormecido, mas que agora estava mais forte do que antes, e Zezão, com seu olhar calmo de uma pistolera que já tem todo seu plano montado na cabeça...não há lugar para duvidas muito menos para o medo!!!

Usamos nosso tempo nesse pueblo para deixar nossas pistolas brilhando, às vezes dentro de nossos corações sabemos que uma festa, uma batalha, um alvo melhor está somente a algumas milhas a frente, e então poupamos algumas vidas nessa festa, mas só por mais uns dias.... Uma vez na lista de perseguidos as futuras vítimas estão com seus dias contados, mais cedo ou mais tarde as cruzamos no deserto, não há escapatória.

Ao sair daquele pueblo tranquilo levamos alguns reféns, mas só aqueles que não são A-I-N-D-A nossos companheiros, porque A-I-N-D-A não tiveram coragem de se desprender dos padrões que a sociedade, nossa arque inimiga, os impõe.

Avistamos outra festa no deserto e ao escutar o Trio Los Panchos de longe tínhamos certeza que estávamos indo para o lugar certo. A musica mais uma vez encheu nossos corações.... Não tínhamos muito tempo, o dia amanhecia e tínhamos que voltar para nosso esconderijo. As companheiras se separaram e cada uma, com muita sede de guerra, bateu as esporas em seu cavalo e galopou em direção de seu alvo.... Um tiro muito de perto no peito foi disparado de minha pistola......só que dessa vez o a bala era de festim.... balas que só são usadas em vitimas que serão atingidas over and over.....até que contagiadas pelo espírito pistolero...elas regressem ao deserto!

domingo, 1 de febrero de 2009

Solamente los fuertes sobrevivem!!!

Uma manhã linda, muito verde, muito quente.... e de novo aquele vento....... Acordei em um pueblo distante.....que há muito tempo não visitava. Quando voltei do deserto americano esse pueblo foi meu primeiro destino. Por um momento me imaginei deixando o deserto para trás... mas esse momento foi levado por este mesmo vento. O mesmo vento que me derrubou com sua raiva um dia, hoje me fortalece. O deserto é traicoeiro e às vezes ele nos faz esquecer do porque estamos nele. Algumas companheiras preferem não se lembrar, talvez o que realmente importe é que estamos aqui e quem está aqui conosco....mas às vezes um dos motivos cruza novamente o nosso caminho... Me deixei envolver, fechei os olhos e segui seu cheiro.....aquela pele quente encostando na minha... aquela boca me enlouquecendo....aqueles olhos me despindo...aquele corpo me querendo. E quando o vento soprou mais uma vez........Boom Boom Boom........ you are dead baby!!!!!

miércoles, 28 de enero de 2009

De volta para casa


O dia amanhecia e nós ainda estávamos acordadas. Estavamos comemorando a última batalha vitoriosa. El Justiciero aparece pela janela com um recado que mudaria nossas vidas:

- Las mascaradas están llegando. Ellas quieren la aduana de Tijuana!!!

Nos olhamos, estavamos cansadas, exaustas, suadas e com sono. E precisávamos mapear um plano. O melhor. E o plano só podia ser com as mesmas armas de las mascaradas.

- Vamos lutar com máscaras! – grita Zarcas

Cada pistolera colocou uma máscara no rosto e foram direto para o Underground no deserto vermelho. Era óbvio que elas estariam ali para tentar dominar nossas terras. Por erro ou sorte do destino, chegamos antes que elas no bar. Pensamos até que tinhamos errado o local. Mas Zezão nos garantia que deviamos esperar. Quem espera sempre alcança. Pedimos nossas tequilas às 9 da manhã e esperamos. De repente, o silêncio domina o deserto, e o vento assopra mais uma batalha. O silêncio é quebrado por passos fortes, lentos e marcantes ao som da madeira podre. A porta abre lentamente, entra uma a uma, sempre com um intervalo de um vácuo. Quatro mulheres mascaradas decididas e prontas para lutar. Elas sentam no balcão e pedem também doses de tequilas. Viram as doses em questão de segundos, batem na mesa, viram e gritam:

- Donde están los coyotes de mierda de Tijuana???

Um ar de guerra se instala no bar. O vento pára, a areia não se move e os cactos ficam intactatos.

- Eles morreram na semana passada. – fala com voz tremula o dono do bar

- Quem os matou???

Os sussuros de Zezão eram os mesmo em nossos ouvidos: ainda não, ainda não.

- Umas mulheres que são procuradas pela polícia do deserto. – responde o dono.

Os sussuros: ainda não, ainda não.

- Y donde están estan las putanas de mierda, pues queremos matarlas!!! La frontera de Tijuana es nuestra!!!

Sem pensar, Zezão que nos pedia tempo, levantou com sangue nos olhos e deu três tiros para cima:

- Las putanas son vosotras y la aduana es nuestra hijas puta!!!

O bar treme, os homens que bebiam beijavam o chão e ali bem no meio existia um confronto. De um lado las mascardas e de outro las pistoleras. Elas se atracam, puxam os cabelos, dão voadoras, socos e tapas. O sangue vermelho e ardido de ódio se espalha por todo bar. Em meio de um golpe familiar, eu aponto a arma para aquela mulher com olhos conhecidos, azuis como as águas cristalinas do mar. E na troca de olhar, não consigo atirar, percebo. Era ela: Zela. A velha e mais nova pistolera. Enquanto os tiros eram trocados, nós duas arrancamos as máscaras e nos abraçamos. A guerra se cessa.

Entra pela porta principal Trio Los Panchos atrasado:

Quando chove no deserto
O sol deita e a água rola
O sapo vomita espuma
Onde um cavalo pisa se atola
E a fartura esconde o saco
Que a fome pedia esmola

Suas mascaradas por aqui choveu
Suas mascaradas por aqui choveu
Choveu que amarrotou
Foi tanta água que meu cavalo nadou.

As pistoleras se abraçaram, choraram e sorriram. A Zela depois de 5 longos anos estava de volta. Não era ilusão, a pequena pistolera tinha sido raptada durante uma guerra perdida no deserto de Salazar. Naquela noite Zela começava uma nova história com las mascaradas e desde daquele dia nunca mais tivemos notícias suas. Tinhamos a plena certeza de que Zela estava morta.

Quando las mascaradas perceberam o reencontro das pistoleras, elas feridas e com medo fugiram pelas janelas deixando os rastros de sangue pelo bar.

A festa começou ali mesmo cheio de sangue no chão, a esperança de Zela estava de volta, porque afinal, todo mundo volta um dia para o deserto.

No deserto quase todas as justificativas se resumem no vento


A revolução não vai passar na TV. E nem a novidade. Quem mora no deserto não tem o costume de ver a TV. Para falar a verdade poucos tem um aparelho em casa. As notícias estão no jornal impresso. E os avisos, os procurados e as recompensas, todos estão grudados em alguma parede.

Enquanto a TV distrai as pessoas, nós observamos e respeitamos o vento, pois só ele é capaz de trazer algo ao deserto. O vento quando vem, normalmente vem acompanhado. É ele que traz as novidades. Traz o cheiro, a chuva, a aventura, o otimismo, a colheita, o desastre, as festas e as guerras. E pode acreditar, os ventos são diferentes. Tem ventos que trazem coisas do passado, quase do mesmo jeito que, outros ventos levam o passado para bem longe.

Os avisos estavam em todas as paredes. Todo mundo sabia. O vento que chegaria ao deserto essa semana traria só uma coisa: Romance. E não existe vento pior que esse para las pistoleras. Só que ninguém sabia que o vento chegaria um dia antes bem na hora em que eu andava sozinha pelo deserto con mi cavalo Faísca. O vento veio tão forte que quase arrancou os cactos do chão e meu único refúgio foi la casa del señor Zara Jevo. Para minha sorte, la fiesta del viento estava só começando na casa dele. E ali me deparei com el Justiciero y Zarcas dançando na pista. O baile estava de puta madre!! O vento infestava o deserto com cheiro de rosas e eu me deparei com um coyote da banda que tocava. E o coyote tirou o meu foco. E quando você tira o foco de uma pistolera aprendiz, o tiro meu bem, sai quase pela culatra.

No dia seguinte, Zezão entrou em casa aos berros. Dizia que o vento tinha sido tão forte que algo tinha mudado no deserto. Eu e Zarcas pegamos nossos cavalos Faísca e Ventania e fomos direto conferir a novidade. E realmente algo tinha mudado com o vento, era uma nova história. Seis forasteros modernos atravessavam o deserto de kite skate ao som de Death or Glory de The Clash:
"death or glory becomes just another story

death or glory becomes just another story
'N' every gimmick hungry yob digging gold from rock 'n' roll

Grabs the mike to tell us he'll die before he's sold

But i believe in this-and it's been tested by research

he who fucks nuns will later join the church"

E como toda boa música tira o foco de qualquer pistolera, estávamos ali, sem nossos cavalos, no meio do deserto dançando o novo som.

Eles nos rodeiam e nos convidam a deixarmos o deserto e nossos cavalos para trás. E as três ali envolvidas pelo romance e pelo cheiro das rosas trazidos pelo vento, quase se entregam... senão fossem as granadas jogadas por El Justiciero y ZiZZo ao som de Politiks Kill tocada por trio Los Panchos:

"Politik Kills

Politik use drugs

Politik use bombs

Politik need torpedoes

Politik needs blood

That's why my friend it's an evidence:

Politik is violence
Politik need force

Politik need cries

Politik need ignorance

Politik need lies
Politik Kills"

A poeira. A areia. Os corpos não chão. Outra vez. Todos eles ensangüentados e mortos. Nós três ali de pé sem nenhum arranhão. Zizzo e El Justiciero não falam nada, apenas caminham pelos defuntos e felizes recolhem os skates e os kites.

- Mandamos bem Zizzo. Agora nós é que vamos andar pelo deserto com isso daqui.
- Mandamos muito El Justiciero. Quero ver outros babacas entrarem aqui no deserto e vocês pistoleras, senão chegássemos a tempo, vocês teriam ido embora com esse ar de romantismo.

No deserto quase todas as justificativas se resumem no vento.

sábado, 24 de enero de 2009

O encontro!!!

Cheguei de minhas férias em um Pueblo bem distante... Um pueblo de águas mágicas com um povo de pele beijada pelo sol e olhar convidativo. Mas desta vez eu estava lá para recarregar minhas energias e não para descarregar minhas pistolas e o único jeito que encontrei para deter meus impulsos foi deixando minhas armas para trás! Hoje estou de volta... e ao avistar Zizinha me esperando na entrada do deserto com a maleta, eu ja sabia que eu não poderia me desviar do meu caminho nem mais um segundo. Seu olhar era determinado e contagiante. Agarrei a maleta com todas as minhas pistolas e cruzei a fronteira.
A companheira anunciou que o Justiceiro estava vagando triunfantemente pelas redondezas. Eu tinha minhas dúvidas, mas as guardei em silêncio.
Ao chegar ao nosso destino, imediatamente avistei inúmeros alvos, mas a princípio fiquei só observando e junto com as companheiras dancei incansavelmente ao som do trio Los Panchos. Los Panchos não são apenas meros músicos, eles incendeiam nossos corações com suas músicas, nos hipnotizam com suas vozes e nos incentivam com suas palavras.

Algo estava diferente aquela noite... mas não sabia dizer ao certo o que era. Fui buscar uma Marguerita quando notei uma escadaria escondida e desconhecida. Meu corpo foi atraido naquela direção como um imã e, sem perceber, já estava com a pistola na mão. Dessa vez nao esperei para vê-lo, dentro de mim sabia que o tiro seria certeiro....... e foi. A sede de atirar era tanta que não resisti. O tiro foi fatal, ele não sobreviveu para contar historia.

Satisfeita voltei para a multidão e foi ali que me deparei com quem tanto esperava....El Justicero!!!! Ele estava encostado no balcão, um ar misterioso, exalando coragem, segurançaa e mais do que tudo sex appeal. Naquele momento entendi seu papel em nossas vidas, ele não precisaria se juntar as pistoleras, ele só precisava estar lá. Sua presenca nos dava ainda mais força e seu olhar....ah seu olhar......somente quem teve a sorte de cruzá-lo consegue entender...

“O encontro de Zizzo e El Justiciero” ou “A Miséria da filosofia”


Existe uma diferença tênue mas fundamental entre o que um cabrom aparenta ser e o que realmente é. Trata-se, em essência, da profundidade de deserto percorrida pelo forasteiro.

Um mesmo homem, com a mesma aparência, as mesmas palavras na boca, o mesmo olhar, pode, dependendo da distância que percorreu no deserto, suportar ou não uma mesma pressão. Frente a frente com um coiote, pode manter o sangue frio e, com um tiro, acabar com a cena, ou fraquejar e cair feito um presunto velho.

Muitas vezes, a história de um povo, ao invés de ser decidida pela soma das forças sociais em luta, recai, por um lapso, sobre o ombro de dois, três, ou até apenas um homem. Trata-se de uma ironia da História que, repentinamente, deságua todas suas fichas numa só foz.

E se Fidel não sobrevivesse à Sierra Maestra? E se Lênin não morresse e deixasse Stalin tomar conta do Partido? Será que, sem esses personagens, a História seria a mesma? Ou será que a própria História é que gera tais individualidades e, portanto, necessariamente figuras como Fidel e Lênin teriam brotado do seio da História?

Há, nisso, uma relação dialética.

Mas, diferentemente do resto do mundo, o que é exceção lá fora, é regra aqui dentro. O destino da história de pueblo geralmente define-se por detalhes. O mísero instante no qual treme a mão do cabrom que perde o raciocínio por um segundo. O deserto não perdoa. No deserto, a relação dialética das classes sociais é substituída por duelos diretos sem intermediários.

A dialética social é transportada para a personalidade dos indivíduos. E nisso conta muito a relação entre a imagem e a essência do sujeito.

A imagem de um cabrom é sua arma e, sua arma, muda sua essência. Mas, se esta imagem não provém de uma longa caminhada solitária no deserto, é uma imagem falsa e frágil. É uma imagem que pode lhe trair quando menos esperar...BANG!

No bar de la Princesa Marguerita, geralmente, as máscaras caem... ensaguentadas, e mudam o rumo da história de pueblo.

Ouvi rumores de um velho cabrom conhecido de volta a área. Nunca o vi, só ouvi falar. Zizzo. Só conheço a imagem. As pistoleras, cuja essência conheci em uma grande macarronada que causaram por lá, apostaram na figura. Eu, que não sou pistolera, apenas masco meu tabaco em silêncio e, geralmente, com esse simples gesto estendido por dias, vejo as máscaras caírem sem mover uma palha. Zizzo, quem és tu? O deserto é de todos. De todos que sobrevivem ao deserto. Mas, até agora, só vi imagem.

Bueno, fora isso, dia desses, sob a lua fria do deserto, sonhei com as pistoleras. Após a macarronada que darramaram no bar de la Princesa Marguerita, sonhei com elas. Geralmente, não falo dessas intimidades. Na verdade, geralmente, nem sequer falo. Mas vi, sob o luar, as pistoleras celebrando livremente embriagadas noite a dentro cercadas por 20 coiotes. Situação de perigo, pistoleras! Mas, sabe-se lá por quê, os coiotes não atacaram. Era como se respeitassem algo das forasteiras... De certa forma, viam nelas, uma convergência tensa e bela de suas imagens com sua essência e, por isso, apenas olhavam. E elas, safadas, e com direito, gostavam.

Mas que se foda, foi só um sonho. A mi pueblo, ternura!

jueves, 22 de enero de 2009

A volta


O vento. A areia. O sol. Aquela tarde anunciava. Não um crime, mas um personagem a mais. Tudo porque ele se entregou também. É assim, quando tudo parece em ordem, bate o vento. E o vento levanta a areia. E depois da areia, o sol arde. Assim como qualquer dia no deserto em que o vento traz o cheiro de chuva. É na chuva que você desconfia que pode vir a tempestade. Enquanto existem pessoas que deitam na cama sobre o travesseiro e acreditam que tudo está seguro, existem outros que já seguram a faca. Eu levo a faca presa em minhas pernas.

O sol se desmanchava naquela tarde e deixava todos seus tons pelo céu. O vento levantava a areia e a areia enganava a visão. Mas a visão era uma só. Lá estava ele sob seu cavalo. Valente, com o peito estufado e com um olhar no horizonte. Zizzo chegava devagar, mas chegava chegando. Chegava sem disparar qualquer tiro, mas sabia o tiro certo que daria.

O pueblo parou. Fazia tempo, um bom tempo em que ele tinha ido embora. As pistoleras tinham perdido as esperanças, mas é quando perdem as esperanças que o vento trás de volta aquele que sempre pertenceu, mas por algum engano se enganou. A chuva. A chuva lavava o deserto para chegada. Molhava e inovava o novo solo. Com a chuva vinha o vento e o vento levanta a areia. E depois da areia, a tempestade.

Ele entrou no bar de la Princesa Marguerita pela porta principal. O vácuo. O silêncio. Os olhares. Os brindes. O vento, a areia e a tempestade. Os cavalos correm, gritam e páram. A frase gravada em cada peito:

- Sentou, sorriu, dividiu. – fala calmamente Zizzo

As mãos escorregavam pelo balcão na secura de mais um gole. E a cada gole, um brinde e a cada brinde, um trovão. E no silêncio de um deserto acompanhado pelo barulho da tempestade, os tiros.

- Vem com a gente? – pergunta Zezão

- Não posso, acabei de chegar. – afirma Zizzo

A luz se apaga. E no silêncio de um deserto acompanhado pelo barulho da tempestade, novamente os tiros.

- Tu no tienes la culpa mi amor de tanto cachondeo. – sussurra Zarcas

A luz do bar volta. Todos estão no chão. Foi o trovão. De pé somente as quatro pistoleras e Zizzo.

Trio los Panchos entra pela porta dos fundos:


bang bang, he shot me down

bang bang, I hit the ground

bang bang, that awful sound

bang bang, my baby shot me down.

down down d-down......

Bang bang, I shot you down

Eu olho para as três companheras. Elas estão com um sorriso maior que o próprio corpo. Ele voltou, assim como deve ser. Pouco a pouco todos voltam para o deserto. E eu levo a faca presa em minhas pernas.

lunes, 19 de enero de 2009

O Passado de El Justicero

No deserto, uma história nunca acaba quando termina...




O horizonte laranja amarelado espraiado no horizonte repousado sobre si mesmo anunciava uma tragédia. Quando o deserto está silencioso demais, sob a falsa aparência de preguiça, sob um chapéu, esconde-se o olhar, e, sob o olhar, uma mente acordada, um falso sono, uma falsa desatenção. No méxico, até os mexicanos são falsos.

O personagem que entra na história, esfumaçado pelo calor que sobe da terra quente na linha ondulada no horizonte, tem um passado rouco e seco enga(rra)sgado goela abaixo, e uma ou duas paixões perdidas assassinadas a facadas, sem o glamour de um Charles Bronsom, com o sangue falso de um molho pré-pronto temperado. Nosso herói é um Charles Bronsom cujo tiro saiu pela culatra. Um ator sem câmera.

Mas não se engane. El Justicero não cai com um assobio. Não cai com um tiro. É vaso ruim. Cai e não quebra. Cai, de novo, e, de novo, não quebra. Já caiu 1000 vezes. E não quebra. O sol traiçoeiro do deserto calejou seus pés, sua psicologia e seu coração. E, de novo, não se engane.

Esse cão em forma de homem e esse homem em forma de cão não tem amigos, nem história, mas tem raízes. Sua força é sua tragédia. Sua força é seu povo. Sua memória é um deserto aberto em uma só cor derretendo no encontro com o horizonte. É um quadro. Não tem verbos. É silenciosa e solitária. Sem fim, sem passado, sobre um cavalo tão ruim e calejado quanto o dono.

No seu estômago corre seca a mesma acidez de Pueblo. Acidez de 1000 cigarros fumados em sequência, sob o sol de 1000 kg. Acidez redundante e redemoínica que tempera a pele dura de seu povo.

Um p(r)o(f)eta urbano dizia: “Tenha fé pq até no lixão nasce flor”. E nasceu.

18 de janeiro, 2009, sol de 1000 kg, Bar La Princesa de la Marguerita, homens bêbados silenciosos mascando tabaco, luz de lamparina, cheiro de pó, arroz e farinha, entram, uma a uma, entreabertas as portas ruidosas, sol no saloom: zrá zrá zrá. Atacadas por coyotes, sujas e de roupas rasgadas, suadas, sugadas, armadas, arranhadas nos seios jovens, e sérias, sérias de tão secas, e sensuais...

- Água.

A fome de tudo que sentiam aqueles mortos de fome poderia ser saciada ali, com aquele banquete de tempero doce e liso.

- Cielo, no queres...

(Tum!)

- El próximo maricom que decir uma mierda que sea, cai muerto.

Silêncio novamente. Mas, desta vez, outro silêncio. Não o silêncio sem resolução que sonorizava a vida no deserto. Um silencio inquietante. Som de água no copo. Copo na mesa. Copo na boca. Água na boca, no rosto, no corpo, nos seios, nas coxas. Tudo, multiplicado por 3. Gostosas...

- Chicas, donde vienem?

(Tum!)

Cai morto o coitado que, a primeira vez que viu a medusa, virou pedra.

Na sequência, um a um, foram virando pedras secas para coyotes.

Sobrou El Justicero que, sequer, olhou as chicas, respeitando o climax que instauraram no ambiente. Ele, cão do deserto, sabia que “quando o deserto está silencioso demais, sob a falsa aparência de preguiça, sob um chapéu, esconde-se o olhar, e, sob o olhar, uma mente acordada, um falso sono, uma falsa desatenção”.

As 3 se sentaram em torno dele e disseram:

- Vem conosco?

Ele, como se previsse a pergunta, disse:

- Não.

As 3 se levantaram, e saíram, deixando para trás, 4 corpos ensangüentados e El Justiciero, o cão do deserto, esfaqueado no coração com 3 estacas profundas.

No deserto, leitores, tudo o que é sólido, se desmancha no ar.

viernes, 16 de enero de 2009

Verdadeiras Pistoleras

El Justiciero

Uma noite linda no deserto, o céu estrelado, uma lua sorrindo para todos que a contemplavam.
Nesse exato momento me encontro sozinha observando e pensando na vida, quando de repente percebo um vulto, com uma silhueta conhecida. Era a BOA SAMARITANA, que conseguiu se soltar da fogueira, naquele tiroteio com os coyotes.


A única coisa que ela não sabe, é que para ser uma PISTOLERA, tem que ter alma e coração de pistolera, que não é sair atirando de qualquer forma ou em qualquer pessoa, e sim conquistando as mesmas com alegria e energia que contagia a todos.


É dançar sem se preocupar se está no ritmo certo e se preocupar apenas com o ritmo das batidas do seu coração.
É ser feliz sem atrapalhar a felicidade alheia.
É se sentir Mulher
É ser Pistolera...
...simplesmente !!!

miércoles, 14 de enero de 2009

La Despedida


Eu voltava do pueblo San Sebastian treinando a minha mira. Cada pássaro que pousava em um cacto virava minha diversão. É, eu estava explodindo de felicidade, afinal eu voltava do pueblo com meu novo cinturão de tequila. A festa de hoje a noite prometia. Eu e minhas companheiras tínhamos muito que comemorar. E o meu cinturão de tequila cairia como uma luva para cometermos o grande crime.

Quando cheguei em casa as companheiras não estavam. E isso me soou um pouco estranho. O combinado era ficarmos o dia inteiro em casa desenhando apenas os mapas do crime. Só existia uma pessoa, além de mim, dentro da nossa casa. El Justicero estava sentado na janela central da sala fumando seu cigarro de palha.

- Ei wapo!! No lo sabia que estabas aqui.
- Pues ahora comprendo Zizinha. Tu necesitas irte, ahora! Ellas estan con la Boa Samaritana y lo creo que ...
- Donde estan las chicas, Justicero?
- Cerca de la hoguera!!!
- Zrá, Zrá, Zrá, Zrá!!

Pulei a janela central, peguei meu cavalo (ainda sem nome, aceito sugestões) e fui direto até a fogueira no deserto vermelho. Boa Samaritana estava amarrada numa cadeira a 500 metros da fogueira e as companheiras estavam competindo quem matava mais pássaros que cruzavam o céu.

- Estávamos te esperando, Zizinha!!! A Boa Samaritana já tinha dados seus pulinhos fora e enquanto a Zezão voltava para casa ontem à noite, Boa Samaritana nos dedurou para os coyotes de Tijuana e juntos seguiram a Zezão. A sorte é que nossa companheira fez o outro caminho e fingiu que ainda morávamos no casarão antigo. Conta Zizia


- Eu não sei de vocês, mas ela merece a fogueira. Assim aproveitamos e comemoramos a nossa noite um pouco mais cedo. Fala Zezão.

Eu irritada caminho até a Boa Samaritana e a empurro para o chão e suspiro: Pues me cago en tu puta madre! Tu eres como la falsa moneda, que de mano en mano va, y ninguno se la queda!!

Zuer, Zizia e Zezão arrastam a Boa Samaritana pelos cabelos até a fogueira gritando:

- Zrá, Zrá, Zrá, se não é franciscana já para fogueira!

Eu acendo um cigarro e apenas admiro a franguinha ser assada. Até que um pássaro cai morto bem do meu lado. Olho para trás e estamos cercadas de los coyotes de Tijuana!!

- Zuuuuuouuuuuu companheiras!!! Estamos com convidados!!! Grito eu.

Elas soltam a Boa Samaritana literalmente no meio da fogueira e se armam. Os coyotes apontam as metralhadoras para nós.

- Pára tudo! Isso daqui precisa de uma trilha sonora,­ grita el Justicero.

Nisso logo ali na esquerda, longe do alvo das armas, se instalam el Justicero com o violão, o Zelguis com sax e o Zovo com o bongo. Exatamente a banda de sempre: Trio los Panchos.

3, 2, 1 e Tanananannnn, Tanananannnn, Tanananannnn…

Os tiros disparam, os cavalos correm, a areia sobe, o trio não erra na trilha sonora. Só dá um pause para escutar o som da granada jogada por Zizia.

1 minuto de silêncio. Não existe barulho, nem tiro, nem trilha. A areia já está novamente no chão junto com os coyotes ensangüentados, as pistoleras e seus cavalos estão bem longe e ali na esquerda sem nenhum arranhão: o Trio los Panchos.

Sobe som: “Welcome to Tijuana, tequila, sexo y marijuana, Welcome to Tijuana con las pistoleras no hay aduana”

viernes, 9 de enero de 2009

Como si fuera esta la noche la última vez


Essa noite seria marcada para o resto de minha vida. Eu sabia disso na hora em que vi a lua iluminando a estrada. E também sabia que mesmo não achando tão certo, existem momentos em nossas vidas em que precisamos voltar ao passado, mesmo que esse passado fosse há quase 10 anos. Sem avisar as companheiras, subi no cavalo com o crime na mente. Se eu era aprendiz ou não, esse crime era só meu e não podia ter mais ninguém. Eu e ele. Ele e eu. Atravessei o deserto enquanto a Lua me ajudava até o local combinado. Uma casa no meio do nada, mais ou menos há 20 km do pueblo Santiago. Como boa aprendiz verifiquei o terreno antes de entrar na casa, parecia que não existia nenhuma armadilha para mim. Quando entrei pela janela, ele quis dar um de Consuelo Velazques e começou a cantar: Quiero tenerte muy cerca, mirarme en tus ojos, verte junto a mí. Piensa que tal vez mañana yo ya estaré lejos, muy lejos de aquí... Bésame, bésame mucho como si fuera esta la noche la última vez.

A armadilha estava ali diante de meus olhos e eu sem preparo algum, fui dançando com um sorriso fiel até ele. Eu precisava fingir, por mais que a vontade fosse outra. E no bolero cai com ele, esqueci da armadilha e quase entreguei minhas armas. Mas quando ele sussurrou nos meus ouvidos baixinho: Reloj no marques las horas, porque voy a enloquecer, ella se irá para siempre cuando amanezca otra vez, lembrei do que eu já estava esquecendo, tirei delicadamente a pistola de minhas botas e olhei dentro dos olhos dele.... o tiro foi certeiro... na testa. Não é sempre que vale muito a pena acertar o coração. E como ele mesmo cantou, quando amanheceu eu fui embora mais uma vez.

lunes, 5 de enero de 2009

Venha 2009!!!

A virada foi como essa pistolera aqui queria.....paz de espirito.... ao contrário do deserto que estava em chamas!!!!!!!! Dançamos até os tornozelos dizerem chega...rimos até lavarmos a alma e esperamos a vinda de 2009 com muita fé! É isso ai, esse será nosso ano, iremos em busca de nossos sonhos, mesmo que todos duvidem... Nós, mulheres fortes, sobreviventes, apaixonadas pela vida e em busca de nosso lugar nesse deserto estamos armadas dos pés à cabeca, de amor, paixão, felicidade, humor e sede de viver....quem cruzar nosso caminho será atingido..... Zarcas apareceu no dia 31 e agora os ventos do Sul me chamam. Vou em busca de um novo pueblo. Este Pueblo aqui às vezes me drena, é hora de recarregar as forças, preciso ver o mar, dali vem minha força...não posso ficar muito tempo longe dele. Companheiras....nos vemos!!!

El viento viene, el viento se va por la frontera

Toda vez chove na última noite do ano. É quase uma tradição. Chover no deserto nesta noite representa boas vindas para o próximo ano. Mas ontem apenas ventou. O vento trazia um cheiro doce, tipo laranja lima. Quando virou o ano decidimos pegar o deserto e invadir o pequeno pueblo San Martin. A nossa alegria explodiu no céu enquanto atravessamos o deserto a cavalo, todo mundo viu, todo mundo escutou. O céu iluminava nossos tiros, deixávamos rastros por todos os cantos. Estávamos de férias. Festejávamos tanto que os sons das risadas malignas ZRA, ZRA, ZRA, virou mania.

Além disso, ontem era uma noite especial. Era à noite de Zarcas. A pistolera heroína direto do gibi. Uma mistura de She-Ha com Deusa Grega e uma pitada de Zizia. Zarcas impõe respeito, mostra experiência e é a minha madrinha. Não só minha, mas de todas as pistoleras. Ontem ela me ensinou a invadir qualquer festa. Invadimos o gramado alternativo do Wood Stok, a pista de dança principal do pueblo, a festa Rave de los señores de la quadra e la fiesta de la Capela Santa Pilar, onde reconhecemos El Zruno.

Quando voltamos para nossa casa pela última vez, ensaiamos 10 vezes seguidas o nosso plano infalível. E por incrível que pareça só existe uma coisa que nos tira o foco. A música. Só ela é capaz de fazer qualquer pistolera esquecer de agir.