domingo, 17 de abril de 2011

O muro, a estrada, as férias Parte III

Cena 77

Foco em Zari andando de um lado para o outro, intercalando cenas dela tomando café e fumando um cigarro, com diferentes homens contando para ela sobre os novos crimes: todos com a mesma marca um Z na testa de cada homem. Algumas cenas ela ligando para a casa das pistoleras e não conseguindo falar. Cenas de choro de desespero.


Off

Zari já tinha perdido as contas. Todas as contas. Não sabia mais quantos homens tinham sentado naquele balcão e contado sobre os novos crimes pela redondeza, não sabia quantas vezes tinha ligado para a casa das pistoleras e quantas vezes tentou dormir e não conseguiu. Zari estava começando a achar que estava louca. Tinha saido do deserto, porque não acreditava mais que as pistoleras existiam, que era loucura de sua mente. E agora tão distante, vários homens contavam a mesma história, mas nenhuma delas atendiam o telefone. Zari precisava de férias. E disso ela tinha certeza.

Foco novamente em Zari, ela sai correndo, sobe as escadas, entra no quarto, abre uma mala, abre o armário e joga todas as roupas em cima da cama. Pega mais algumas coisas no banheiro, fecha a mala e desce as escadas. Passa reto pelo salão, abre a porta da cafeteria e:

- Vai viajar?
- Vou visitar meu tio aqui na cidade do lado, está um pouco doente, amanhã estou de volta.

O homem barbudo, com cara de mafioso, vestido de terno azul claro, caminha até a porta, segura na mala e abraça Zari.

- tem certeza?
- tenho. você pode cuidar do café pra mim?

Ele olha no fundo de seus olhos, Zari está contando os segundos, aquele perfume lembrava ventos de romance.

- Não vou cuidar, porque você não vai cuidar do seu tio.

Zari fica muda, respira e fala:

- férias. preciso de férias. a minha mente já não é a mesma.
- são as histórias, né?
- são. afirma ela.

Ele arruma o cabelo, pega a mala da mão dela, segura em sua mão e:

- Isso daqui não é a cidade do México, e nem México. Isso é fronteira e fronteira não tem memória. Quem guarda histórias aqui, morre.

Zari fica branca. sabia uma porção de histórias. Abraça o homem, agradece e fala:

- já volto

Zari abandona a mala, e atravessa o salão até o telefone, liga novamente para as pistoleras, ninguém atende. Chora mais uma vez. Lembra então, do telefone do bar da rua principal do pueblo, liga, toca, toca, toca. Alguém atende.

- Hola!
- Señor Jamirez?
- Si, quien hablas?
- Soy yo, Zari.
- Joder! Zariiii donde estás?
- Mira Jamirez, necesito de tuya ayuda, necesitas apuntar una dirección y después tienes que dejar ai en muro del bar. Mis amigas saben deste recado.
- Si, claro, puedes hablar que apunto aqui.
- Vale. Bueno es la carretera rumo al norte que se llama Paloma Sagrada, la cafeteria se queda a la isquierda, después del bar Zurucumumin. La cafeteria se llama Zatelie!
- Perfecto nina, estás apuntado y cuando vuelves?
- Creo que una semana. Gracias senõr Jamirez. Hasta

Zari desliga o telefone, caminha até o homem barbudo de terno azul, pega a mala e sobe a escada. O homem olha para o salão e resolve subir a escada atrás de Zari.

Corta.

viernes, 15 de abril de 2011

MARCO ZERO / O muro, a estrada, as férias / parte 3 / CENTROESTE









E Justiciero lembra do começo de tudo.










LUNES 22 DE DICIEMBRE DE 2008

Welcome to Las Pistoleras

Depois que elas passaram pelo deserto vermelho, até as flores dos cactos nasceram. E para quem não entende nada de cactos, as flores só nascem uma vez por ano, e normalmente só a noite. E só existe um motivo para isso: as quatro mulheres se encontraram. Agora elas são as companheiras de crime. Unidas pela mesma paixão: o tiro! Deixam o mesmo rastro no local do crime: a letra Z! Ainda não sei se recomendo a vocês um cuidado, ou se apenas digo seja bem-vindo a este blog. Vale lembrar que nem todo ferido gosta ou procura se identificar. Mas sempre existe algo que diz que elas passaram por alí.... e naquela noite o deserto floresceu....

viernes, 8 de abril de 2011

Where where where???


...................................................................

domingo, 3 de abril de 2011

O muro, a estrada, as férias. Parte II


Cena 53

Zari já está uma semana tomando conta da cafeteria. O resto das cinzas dos corpos dos dois mexicanos do sul, já tinha sido levado pelo vento. Ninguém desconfiou. Só repararam que o café estava mais arrumado, tinha mais vida, mais bolos e mais sonhos. Zari estava feliz, gostava de escutar as novas estórias que seus clientes contavam no balcão. Ficava no meio da estrada de dois pueblos. Gostava dos viajantes. Mas sabia que sem querer, às vezes falava demais. Erro cometido desde pequena, gostava de falar de seus próprios sonhos. E esquecia que no meio de tantos, sempre tinham os inimigos.

Camera de cima, a estrada, a cafeteria, os carros estacionados, nenhum na pista. Foco no estabelecimento, entra pela porta e para em Zari lavando os pratos e olhando o movimento com a cabeça meio baixa. Foco na porta, entra um viajante, caminha até o balcão, senta, apaga o cigarro no cinzeiro, solta fumaça e olha para Zari.

- Buenas - fala ele p/ Zari
- Buenas - responde
- Un café con hielo, por favor.
- Azúcar?
- Sí.

O viajante olha para trás, repara no movimento e olha de novo para Zari

- Há quanto tempo trabalha aqui?
- Sou a dona!
- Há quanto tempo? - repete ele
- Sinceramente? Pergunta Zari

Ele faz sim com a cabeça e acende mais um cigarro.

- Uma semana e meia, responde ela.
- De onde você vem?
- É policial? pergunta Zari
- não, sou curioso.
- Venho de um lugar distante, que não cabe o senhor saber. Açúcar ou adoçante?
- Adoçante!
- Mudou de ideia? Pergunta Zari
- Gosto de trocar de opinião. responde ele.

Zari puxa um banco, acende um cigarro, solta a fumaça, olha para ele:

- Afinal, o que você veio me contar?
- Tem acontecido uma coisa estranha esses dias pelo Pueblo.
- Que coisa estranha?
- Um grande número de homens mortos.
- Isso é normal!
- É normal. Porém o que não é normal, é que todos eles morreram que tiros certeiros na cabeça, e todos, sem exceção, tiveram um Z marcado no corpo.
- Um Z? Pergunta espantada Zari
- É um Z! responde ele indignado. Sabe o que quer dizer isso? pergunta
- No tengo la puta ideia - responde Zari incomodada
- Z é a marca de um grupo de mulheres, de um deserto distante, mais conhecidas como Las Pistoleras!

Zari fica branca, quase sem respirar. A mente borbulha em dois filmes. O primeiro era que suas companheiras deveriam estar por perto. Mas seria coincidencia demais, estarem tão perto e tão longe de casa, já que só ela tinha ido embora. E o segundo era que então, as pistoleras existiam mesmo, nada era de sua imaginação.

- Você já ouviu sobre as Pistoleras?
- não! responde Zari
- Bom, fique atenta, normalmente os crimes são feitos dentro de bares.
- Isso aqui não é um bar - responde ela nervosa - É um café. Existe respeito aqui. O senhor quer mais um café?
- não, preciso seguir viagem, obrigada.
- de nada.

O homem levanta, deixa o dinheiro no balcão, continua olhando para Zari, e resolve sair. Quando abre a porta para deixar a cafetaria.

- Se souber mais dessa história, por favor, venha me contar mais! - grita Zari

O senhor olha com cara de desconfiado, tira o chapeú...

- Fiquei curiosa, nunca escutei uma estória tão de gibi!

O senhor sorri e sai do café. Zari sai correndo até o telefone e liga sem pensar duas vezes para a casa das pistoleras. Toca, toca, toca e ninguém atende.

Corta

lunes, 14 de marzo de 2011

O muro, a estrada, as férias

Cena 44


Câmera do alto, desce para a rua principal do pueblo. Não existe ninguém na rua, nem cavalos, nem moscas. Existe somente um silêncio insuportável. Foco na casa vermelha recebendo o sol das 7 da manhã. O galo não canta. As folhas voam com o vento pelo chão, sobe poeira.


OFF com voz del viejo de deserto


Algum sábio dizia que era necessário olhar para o muro para saber se a história tinha acabado ou não.


E foi exatamente isso que ela fez:


Acordou, saiu de casa e foi correndo até o muro principal do pueblo. Rezando alto, esperava um graffiti bem colorido para acreditar que tudo não passava de um pesadelo. Mas sua orações foram poucas, foram mal rezadas, foram desnecessárias. No muro não tinha nada mais do que tinta fresca. Cinza. Nada mais triste do que ver algo pintado de cinza. E do cinza vieram as lágrimas de seus olhos. Veio o desespero, veio a angustia, veio o medo. A história tinha acabado. Não tinham mais personagens, não tinha mais vida e nem roteiro. Durante um outono e um verão inteiro só tinha sobrado ela no deserto, lutando sozinha com sua própria imaginação. Fazia um tempo que não exitia Kill Bill ou Matrix. Zari vivia simplesmente Clube da Luta. Todas as histórias eram frutos de sua própria imaginação. Mas o muro, caro leitor, o muro era a pura realidade. E às vezes, a realidade machuca.


Corta.


Cena 45


Zari carrega duas malas em direção a estrada. Ela sabe que precisa fazer isso sozinha, porque nem seu próprio cavalo existia. Já tinha parado de pensar o que realmente era realidade ou imaginação. Não queria nem pensar na hipótese que seu cavalo nunca existiu, muito menos que as outras pistoleras eram imaginação. Queria somente tirar férias disso tudo, e para tirar férias, precisava sair daquele lugar. Precisava partir.


Zari no meio da estrada sozinha segurando duas malas em direção ao pôr-do-sol.


Corta.


Cena 46


A noite cai, a Lua cheia aparece, um silêncio profundo interrompido pela canção das cigarras


- Meu bem - disse alto.


Estava com saudade de dizer isso. Estava com saudade de abraçar alguém, dar beijinhos na bochecha e fazer cafuné. Queria de novo, ligar para todos e avisar: estou apaixonada!


Mas não podia nem ligar para dizer que queria isso. Ligaria para quem?


Zari larga uma mala na estrada e segue apenas com uma.


Cena 47


Largada no muro da cafetaria fechada no meio da estrada, ela dorme, fingindo que sua mala era seu travesseiro. Dois homens, funcionários da cafetaria chegam perto dela.


- Dios! Mira esto, José! Otra puta para nosotros.

- Ahhh Pablo, creo que esta Puta fue atirada por unos hombres que la comieron por toda la noche.


Os dois caem na gargalhada. E na gargalhada acordam Zari.


Zari abre os olhos e vê em sua frente, dois homens fedidos, com cara de mexicanos do sul, um gordo e um magro. Os dói tem bigodes gigantes e fumam um cigarro sorrindo para ela.


Num piscar de olhos, Zari dá uma voadora no gordo, e uma rasteira no magro. Amarra os dois com os cadarços dos tênis como se fossem minhocas, rouba a chave da cafeteria e abre a loja.


- Nada mau. Já tenho um lugar para ficar.


Acende as luzes do lugar, abre as janelas e os armários. Lentamente, sorri com a nova conquista, pega um pote e sai da cafetaria. Olha para os prisionerios e fala:


- Otra puta para vosotros? Solamente se fuera tu madre, hijo de puta! Conoces las pistoleras?

- No, putana – responde o gorducho

- Pues aqui estoy y para esto necesito de tu vida.

- Nooooo por favor mujer, tengo dos hijos, soy padre de família.


Zari despeja o líquido nos dois, acende um fósforo e taca fogo.


OFF: No meio do deserto, não existe lei. A cena parecida com os playboys que tacaram fogo nos índios, não vai parar na mídia, porque no deserto não existe a mídia. Existe justiça. E nos dois casos, ninguém vai para a prisão.


Zari acende um ciagarro e observa os dois corpos queimando em sua frente, olha para cafeteria e sorri, já tem onde ficar.


Corta

domingo, 13 de marzo de 2011

MARCO ZERO - parte 2

paralelo ao mundo cortado, ficcionalizado, corre o rio silencioso:

|\|

nasce o sol
crescem as plantas
chove

el justiciero queria ser cangaceiro. queria ser samurai. queria ser nada.
queria ser ícone. e era. rei.
retirante.

ninguém,
atravessado,
tsunami no deserto

ia. levar a paz devastada da violência caatinga adentro.
ia. memória que vai ser. história: dias atrás de dias, família de filhos, rugas e terremotos.

e chorou.




(Continua - parte 3)

sábado, 5 de marzo de 2011

MARCO ZERO

(OESTE – PARTE 1).




Não se trata da morte como fim de tudo, mas da faca na carne.

Justiciero ruma novas cidades sob o sol expressionista do entreguerras. Resolveu, de salto, sair. Zari estava sentada no meio de El Pueblo à espera das estórias. E não poderia mais contar com Justiciero. Agora, ele foge de El Pueblo. Não por medo dos homens - que conhece, nem pela fome – que come, nem pelo atraso – que caminha. Mas por outro motivo: mistérios já lhe enjoam. Cansou de estórias. Quer uma só História. Uma raiz. Nosso homem amadurece cedo.

Amanhece a manhã.

Afinal o que resta de El Pueblo? Aquela quase-vila sobrevive de raízes ou de mitos? De realidade ou de sonho? – Que seja de realidade, retruca mascado.

os homens daquela ex-pasargada caminham sob os chapéus entornados na mente esquivada. Evangélicos no trem. Protestantes. Católicos. Indígenas. Mulatos. Camuflam em cor marrom seus desejos. Seus anseios. Seus futuros. Vão: gado inconsciente.

O forasteiro sem orelhas foge, em busca da origem. Da raiz. Good bye. 6 km, mais 5, a vista vê. Voa o céu azul.

RESTAURANTE DO TOCHO.

Na cidade fria, uma meia dúzia de casas formando uma mearua. Aquele velho cenário de madeira empoeirada, dois três cavalos, uns moradores, o novelo cruzando a rua. Para o leitor, um clichê. Para El, um grande nada, igual a tudo. O de sempre. O finito. O mundo. Encosta o cavalo. Na varanda, um homem de 40 anos. O cachorro late pelo/contra o farasteiro. Prende o animal. Acena com a aba que lhe cobre o semblante. Entra, tira o chapéu, e pede o almoço. Espera enquanto ouve o rádio. Balcão sujo, repara. “Homem morre defendendo própria terra. 40 cabeças de gado são roubadas em Ticanos”. Come e sai.

Lá fora, um impresso:

“México contabiliza 30 mil mortes ligadas ao narcotráfico em 4 anos. Disputas entre cartéis de drogas pelo controle das rotas para os EUA e operações do Exército de Calderón foram responsáveis pelas mortes”.

- 30 mil, repete.

30 mil era um numero novo. El Justiciero estava acostumado com 5, 7, 14, 40 talvez. 30 mil, não. Algo que lhe escapara. 30 mil o que? Pessoas? Não seria Possível. Mas, enfim, portos outros. Não lhe diz respeito. Sua sabedoria residia em saber onde pisa os pés. Barata não travessa galinheiro. Monta o sólido cavalo. Acena. Bate as esporas. E vai. Mas ouve:

- Se segue pro leste, cuidado.
- Caldeiron, pensa

Cavalga o almoço sem pressa. Não há muito em que se pensar nos meios solitários e silenciosos do deserto. Leste? 30 mil? E. Em El pueblo, não havia dessas modernidades. Drogas, EUA. Massacres. A maldade, aqui, é uma curva na moralidade tão aguda quanto pode ser a da bondade. A audácia é uma pedra tão grande quanto um homem pode carregar. Não mais. Era um caipira pré-bomba atômica. Afinal, de que precisa um homem senão apenas de comida e lugar para dormir? Lá atrás, não havia leis. Homens são cabras. Não lhe encaixa a cabeça. O novo mundo não lhe diz respeito, conclui. Não diz nada. Não significa.

Mas era novo.

Claro. Claro. Em preto e branco estourado, claro. Claro amarelado. Claro esverdeado. Claro nem tanto. Ondulante clara a luz mareia o deserto. Se a serpente diz não coma, não coma – seduziu-se. E rumou para além do Édem. Longe dos padrões. Das não-leis. Das Pistoleras? Longe de si.

LESTE – parte 2 (continua)

miércoles, 23 de febrero de 2011

Um dia sem roteiro


- O que está acontecendo aqui? pergunta Zari um pouco nervosa

silêncio

- Cadê todo mundo? continua perguntando sozinha

silêncio


- Onde colocaram meu roteiro? Não sei o que devo fazer agora!!!!

silêncio

Zari irritada, anda de um lado para outro, tentando desviar do vento. Senta no chão com pernas de indio e acende um cigarro. Olha para o relógio, balança os pés, dá mais um trago e joga o cigarro longe. Levanta, limpa a areia da roupa, arruma o cabelo, e olha para o relógio. Anda para um lado, olha para trás, acha estranho nenhum movimento, anda para outro lado.

- Alguém aiiiiii? pergunta zari com mais calma

silêncio


- Isso só pode ser coisa sua né diretor? grita zari
- Minha e do roteirista. responde calmo o diretor
- E posso saber por quê? pergunta zari
- Claro que pode, minha linda, porque você repetiu a dose!!!
- hummm
- Quem mandou repetir a dose? Agora tá ai sozinha, abandonada, procurando cenas para fazer mais vítimas. Será que não reparou, Zari? Que todo mundo está descansando, armando planos para fazer uma puta matança??? E você está ai sozinha, sem planos, sem rumo, querendo atirar em qualquer idiota, só para contrariar o roteirista e me encher o saco!??? Valeu a pena repetir a dose e contrariar de novo eu e o roteirista?

- Valeu só por um motivo!

- Qual?

- Pela experiência. responde sinceramente zari

- Zari, você sabe me dizer onde você o encontraria hoje?
- não.

- Entendeu agora porque eu e o roteirista não queríamos que você atirasse nele? Jamais colocaríamos um marujo, pirata ou mesmo sapo no roteiro que não saberíamos onde ele estaria agora.
- simmmmm, fala zari com olhos cheios de lágrimas.

- Zari, o melhor que tem a fazer, é ir para casa dormir, descansar. Daqui a pouco a festa no deserto vai chegar e você terá um plano incrível, prometo. Estamos preparando uma grande matança.
- Diretor?
- Oi Zari.

- Posso te pedir uma coisa?

- Claro, Zari
- Foca nuns piratas bem nerds e coxas da próxima vez?

- Olha Zari, vou pensar no seu caso, mas se mudarmos o foco dos piratas para você, vamos perder o ibope.

viernes, 21 de enero de 2011

Até onde você manda?

Diretor e Zari no final da cena


O vento vinha acompanhado com o cheiro de chuva. E isso só significava uma coisa para Zari: provocação.

Sentada num bar na rua transversal da rua principal do pueblo, Zari bebada, levantou da cadeira e resmungou:

-Hoje estou afim de provocar!

El Justiciero, ainda vivo, estava sentado na mesma mesa de Zari, e óbviamente, caiu na gargalhada:

-Oras bolas, Zari. E quando vc não está afim de provocar alguém?

Zari bebada, sentou na cadeira fazendo cara de santa. Ela tinha entendido o recado. Mas quem realmente não tinha entendido o aviso, era o tal do vivo o muerto, el justiciero.

Depois de segundos, El se levantou acusando que tinha um compromisso no pueblo ao lado. Se despediram com promessas de um rencuentro mais tarde. Porém, Zari sabia, o compromisso era mais que um compromisso, e sabia que apartir daquele momento, era apenas ela com as outras pistoleras e Zoug, o novo companheiro do deserto.

Arrastaram-se para a casa mais próxima para armar o plano, Zari flamenqueava com Zeborah em plena sala. Arrumaram-se, perfumaram-se para o crime.

Mas que crime, perguntaria o leitor.

Para um crime de mau gosto, daqueles que nem se o leitor apostasse, acertaria. Daqueles que Zari jamais faria. Mas com a arma apontada no peito de um pirata quase marujo, o diretor levanta e caminha até a cena, chega bem perto de Zari e pergunta:

- Zari, você tem certeza?

- Tenho.

- Zari, vamos lá, vc está um pouco bebada demais....

- Eu tenho a certeza...

- Zari?

- Ele tem contatos, diretor.

- Zari?

- Ele não tem nada a ver comigo, eu sei. Mas me deixa livre pra eu atirar em quem eu quiser? Só uma vez?

- Zari, vc sempre esteve livre para atirar em quem quiser.

- Ah é? Então vc acha que todos que enterrei na década passada eram psicos porque simplesmente eu escolhiiiiiiiiiiiiii? Vc está dizendo que sou eu a psico que escolho sempre os defuntos errados, diretor? É? É isso que vc quer dizer?

- Zari, abaixe sua arma. A vítima é aquele ali, e não eu. E na década passada, você escolheu só os psicos, porque não teria graça nessa novela mexicana. Alguém ia ter que pegar os psicos e o roteirista escolheu você. Isso é um papo entre você e ele. Eu só dirijo.

- Grande merda. Pois hoje eu escolho, diretor. E não será você, porque não tenho um mau gosto, assim, por isso, vou retornar a cena e matar no peito esse pirata marujo.

- Então mate. Só não venha chorar depois.

- Diretor, faz o seguinte? Convence o roteirista que depois de tanta merda no roteiro, eu vou pegar aquele capitão de jeito, aquele que me derrubou no chão por quase um mês. E enquanto isso, eu vou provocar esse marujo idiota. E saia da cena, agora!

O diretor abaixa a cabeça fazendo não e começa a andar para fora da cena. Olha para Zari e fala baixinho:

- Você é mto teimosa, Zari.

Cena 4 gravando

- Marujo, onde paramos mesmo?

- Nossa, que surreal, parecia que alguém tinha apertado o pause, sabe?

- Sei, isso acontece quando um idiota de um diretor invade a cena para te dar conselhos mais idiotas ainda.

- Diretor? Zari vc bebeu demais?

- Não marujo, não bebi demais. Agora olha p/ mim.

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Um tiro certeiro. Sobe e desce sangue por todos os lados. Zari continua olhando fixamente apenas para o diretor. Solta o corpo do marujo, guarda a arma no bolso e caminha para fora da cena.

jueves, 6 de enero de 2011

E lá vamos nós



Os fogos anunciavam que 2011 já tinha chegado no deserto. Zari, bêbada, segura fortemente seu espumante. Olha para o lado direito e vê Zezão olhando os fogos. Ela caminha tortamente até a pistolera e sussura em seus ouvidos:

- Zezão, se eu te contar um segredo, você não conta pra ninguém?

Zezão respira e olha nos olhos de Zari.

- Pode.
- Eu derrubei minha arma no copo de tequila.
- hahahahahahahahhahahahhaa

Zezão abraça Zari e juntas caminham até o pueblo vizinho. Pensam nas outras pistoleras espalhadas pelos desertos distantes, procuram el justiciero, cruzam com o mestre dos magos e ele anuncia:

- 2011 é o ano das pistoleras. Os pueblos que se cuidem.

As pistoleras comprimentam o mestre e partem para a estrada... com sede de sangue.

miércoles, 15 de diciembre de 2010

Meses desaparecida......
...sem ninguem ter nenhuma noticia da Zezão.
Derrepente Zari esta passando em um Pueblo, e encontra,... lá no fundo do salão !!!!
- Zezão ?!!! onde vc estava ?
- Zari, vc nem imagina o que aconteceu comigo, fui pega por tras!!!
tomei uma facada...e não me lembro de mais nada ... só sei que uma curandeira, me encontrou largada no deserto e cuidou de mim todo esse tempo.... nào sei nem quanto tempo fiquei desacordada!!!
-Mais pelo jeito você está otima né!!!?
-Pronta para outra, estava desolada, e o pior, um desses capitães... me aprisionou, não tinha como fugir, não queria fugir, queria ficar com ele, mesmo sabendo de tudo, sabendo que ele não era só meu, sabendo que ele não prestava, sabendo que ele era um lixo, mais gostava dele do mesmo jeito, gostava do cheiro, gostava do dia dia, gostava das conversas.....mais tudo isso veio a baixo!!!
- Eu ja tinha te avisado né Zezão!!
- Mais essas coisas a gente não escolhe Zari... temos que ter certeza, temos que estar junto, temos que aprender com nossos erros!!!
- E agora?
- Agora, ..... hahaha ... eu quero é mais !!! Quero uma nova vida!!!Quero festa, quero acabar com todos no deserto.... agora é nossa hora ....!!!

martes, 14 de diciembre de 2010

Alem do horizonte


O povo estranha a calmaria, Zari estranha a calmaria e ela mesma estranha a calmaria....mas gosta. Pela primeira vez em sua vida ela respira fundo e olha ao seu redor observando calmamente tudo, principalmente a si mesma.
Ela nao se sente sozinha e muito menos entediada...Ela procura paz como nunca antes havia procurado e como nunca antes achava que iria desejar.
Zarcas nao avista nenhum capitao, nehum pirata, nenhuma festa, nenhum Pueblo.
Algumas guerras precisam ser lutadas sozinha...e com seu cavalo e suas galochas amarelas ela segue seu destino.........

Levanta e sacode a poeira.


- Acorda, Zari! - grita desesperadamente Zarcas
- O que aconteceu?
- Você levou um tiro, compañera.
- Eu????
- É, você! Levou de costas, no meio do coração e tombou no chão. Ficou ai, dois dias seguidos sem se levantar, achei que tivesse morrido.
- Quem foi o filho da puta?
- Foi um capitão. Parece que desembarcou no pueblo errado e vocês se encontraram na rua principal, pelo menos foi isso que o señor del bar falou.
- Hummm, todo mundo já sabe?
- O pueblo inteiro. Você virou notícia, está em todos os jornais.
- Onde estão as pistoleras? Tenho um plano!
- Só ano que vem, Zari. A galera tá de férias, fim de ano, natal, aquelas coisas.

Zari levanta, limpa a sujeira da roupa, toca no seu coração e sente a dor.

- Zarcas, chame o pueblo, liga para el justiciero, quero até o mestre dos magos hoje em casa. O plano perfeito está traçado e vamos atacar em janeiro, confere?
- Confere, Zari. Tava com saudade dessa sua voz de quem vai aprontar!

Zarcas ajuda a compañera a subir no Ventania, e partem para a estrada da casa das pistoleras.

miércoles, 1 de diciembre de 2010

Quando chega um capitão no pueblo Parte I

Andando pela rua, Zari para, respira e abre o leque. Se abana de um jeito que nunca se abanou. Do outro lado da rua, o motivo: um capitão sem barco, sem piratas, sem sapos. Está sozinho, totalmente sozinho no meio do pueblo. Zari olha para a pistola, levanta, mira e guarda. Perde a confiança, sente medo, quase chora. Diante de tanta areia, no meio do seu próprio pueblo, ela desiste. Resolve andar para o outro lado, fica de costas para o capitão e escuta o suave barulho de um tiro. Sente algo estranho nas costas, percebe que está sangrando, olha para seu peito e vê um buraco no seu coração. Dá mais dois passos e cai no chão.

lunes, 29 de noviembre de 2010

R-E-P-I-T-O!

As últimas pessoas que passaram pela fronteira, disseram que elas (pist.) desconectaram-se das areias virtuais. Foram para o mundo real e se perderam.

Boatos.

Outro blog?
Outro foco?

Uma pistolera morta, fundadora dessa merda de blog, que na essência não tem nem carinhosamente o apelido de aprendiz, diz que não mais diz. Diz que um dia disse e hoje já não pode mais. diz. maridiz. disse não. disse sim. dissequedisse.

domingo, 21 de noviembre de 2010

polvoraaaaa

cade a polvora?
oonde estao as pistoleras?
perderam as energias? se acabaram suas forças?????
fenix.

De um jeito ou de outro....

Devagarinho ela vai se aproximando.....desta vez de peito aberto, sem as pistolas em suas maos.....A G U A R D E M!!!

domingo, 7 de noviembre de 2010

miércoles, 29 de septiembre de 2010

que los sapos se escondan.
una pistoleira insana llega ao deserto de españa.
don quixote, valle.
una cerveza por favor.

miércoles, 8 de septiembre de 2010

A morte que não veio

Zari não foi apedrejada e não teve um final Hollywoodiano. Salvaram ela cinco segundos antes da morte. Ficou internada no hospital de um pueblo mais proóximo. Não recebeu visitas. Era segredo. Zari bebeu veneno. Queria sua morte o mais rápido possível. E a morte não veio. Fugiu do hospital e invadiu o pueblo vizinho. Fingiu. E matou quem passou pela frente.